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678 Palavras

Não mandei mensagem. Não deixei bilhete. Não me despedi. Porque se eu olhasse mais uma vez pra Ellie, eu não ia conseguir ir. E agora... eu não podia mais me dar esse luxo. O relógio marcava 5h14 quando fechei a porta da casa. O céu ainda era escuro, mas o dia já ameaçava nascer. No fim da rua, o carro do Davi me esperava. Mesmo sem avisar, ele sabia que eu viria. Ou talvez soubesse desde o começo. Ele sempre foi bom em prever minha dor. ⸻ O banco de trás estava vazio. Entrei na frente. Silêncio. Davi dirigia. Terno escuro. Óculos de sol, mesmo antes do sol nascer. Perfume caro. Frieza disfarçada de calma. — Bom dia, irmão. — ele disse, sem me olhar. Não respondi. — Vinte e três horas e cinquenta e nove minutos. Quase perdi a fé. Fiquei em silêncio. O maxilar travado, o

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