O vento uivava como uma fera ferida, arrastando folhas secas pela estrada deserta. Pietro apertou as mãos no volante, os nós dos dedos brancos de tanto pressionar. A noite era uma lâmina gelada, mas ele não sentia o frio—só o calor latejante das veias, aquele fogo que o mantinha vivo desde que entrara para a Família. No banco do passageiro, a .38 Special repousava sob um jornal, lembrando-o de que a paz era uma ilusão tão frágil quanto o vidro da janela que separava seu rosto da escuridão. Anne. As crianças. Precisava vê-los respirando. Quando as luzes da cabana surgiram entre os pinheiros, seu coração acelerou. A van estava lá, enferrujada e discreta, mas para ele era um farol. Ele estacionou o carro com um solavanco, o motor ainda rugindo quando saltou para o chão úmido. O cheiro de te

