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1729 Palavras
Antes de apagar, Onyx lembrava vagamente de atticus o puxando para trás para protegê-lo, assim como lembrava das labaredas de fogo que surgiram em pleno ar para conseguir o protegerem dos outros vampiros, mas eram tantos que os dois não conseguiram evitar serem lançados no chão com força, quase rachando o chão de concreto. A dose de adrenalina que tomou conta se Onyx foi tão intensa que ele começou a desferir golpes às cegas, rasgando quem quer que ousasse se aproximar com suas unhas e dentes, sentindo o amargor do sangue dos sanguessugas contra a sua língua. Ele continuou desferindo socos, chutes e mordidas sem sequer ver em quem era, e pelos gritos que os vampiros soltavam, ele estava fazendo um belo estrago. Ele conseguiu ver fogo voando para todos os lados, enquanto vampiros eram lançados contra as estantes por Atticus como se não passassem de bonecos de pano, que eram o mais alto e o mais forte de todos, e que além de usar suas chamas os seus punhos, também usava aquelas garras imensas nas suas asas para rasgar os vampiros e os manter longe. E mesmo que eles estivessem se saindo bem, os números ainda não batiam e cada vez mais vampiros entravam no lugar, descendo pelas escadas. Onyx foi encurralado contra uma das paredes de mármore por meia dúzia de vampiros, e enquanto tentava recuperar o fôlego e levantar a guarda, ele percebeu que seu pai estava na sua frente, com um pequeno sorriso do rosto. — Que garotinho levado você é, Onyx. — Titus disse, dando um passo para frente na velocidade da luz, e antes que o rapaz conseguisse reagir, seu cabelo foi agarrado e o pai deixou o rosto à centímetros do seu, o fazendo encarar os seus olhos castanhos quase idênticos aos seus, assim com o rosto, como se ele estivesse se olhando no espelho. Onyx ergueu as mãos para destroçar a cara ele, mas Titus usou sua hipnose antes que ele conseguisse fazer isso, fazendo-o ficar completamente tonto e cair de joelhos no chão, mas antes que perdesse completamente a consciência, Onyx retirou o celular do bolso e apertou no botão da chamada de emergência, que estava programada com o número de Adeline, embora o celular tenha sido arrancado das suas mãos antes que a chamada fosse atendida. Onyx recebeu uma pancada na cabeça antes de terminar de desabar no chão frio de mármore, perdendo completamente a consciência. [•••] Onyx não sabia ao certo quantas horas, dias ou meses haviam se passado desde que ele apagou, mas quando abriu os olhos novamente, era como se tivesse dormido por toda a eternidade. Uma luz forte o fez fechar os olhos novamente um milissegundo depois de abri-los, além de fazer um grunhido rouco escapar do fundo da sua garganta. Demorou longos segundos para que ele tomasse coragem para abrir os olhos novamente, percebendo que estava no interior de um carro enorme, com os braços e as pernas amarrados por cordas grossas, além de estar vestindo um terno sob medida que ele definitivamente nunca havia visto antes. Seus pés estavam descalços e uma luz forte e quente ultrapassava as janelas do carro, que só podia vir do deserto que ele conhecia desde que havia nascido. — Finalmente acordou, filho. — Titus abriu bruscamente a porta do carro que ficava onde os pés de Onyx estavam encostados, e o rapaz pensou em tentar dar um chute no Vampiro, mas estava sem forças para isso, além de estar bastante tonto. Titus destroçou as cordas que o estavam amarrando, antes de agarrar o braço de Onyx e o puxar para fora do carro, o fazendo precisar se equilibrar sobre as pernas bambas caso não quisesse se emborrachar no chão. Ele olhou ao redor e percebeu que estava na fazenda dos seus avós, de frente para a varanda de madeira, o que fez um arrepio cruzar o corpo. O meio-humano olhou ao redor, torcendo para que aquilo fosse só um sonho, mas se fosse, era o mais realista de todos, pois ele conseguia sentir o calor do sol e a brisa fresca que batia no seu rosto. Ele percebeu que havia saído de dentro de uma SW4 preta, além de que a sua velha caminhonete não estava estacionada em lugar nenhum, fazendo-o ficar pelo menos um pouco aliviado. — P-por que você me trouxe até aqui? Cadê o Atticus?! — Onyx grunhiu, ele queria gritar isso com todas as forças, mas a sua voz estava limitada por causa da sede absurda. — Vim te mostrar a verdade, Onyx. E sobre o seu vampiro, coloquei ele numa cela lá em casa, depois de ele ter incinerado boa parte da minha biblioteca e dos meus homens. Estou pensando seriamente em dar ele para que sirva de brinquedinho, Porque tenho certeza de que uma boa quantidade das minhas seguidoras estão loucas para colocar as mãos nele. — Titus explicou casualmente, como se estivesse falando sobre o clima, deixando Onyx completamente enjoado com o pensando. — P-por favor... Não faz isso. Solta ele que eu faço qualquer coisa que você quiser. — Ele Implorou, agarrando o ombro gélido do pai e enterrando as unhas contra a pele dura. Titus lhe observou com curiosidade, como se estivesse buscando a verdade nos seus olhos para saber se realmente Onyx faria qualquer coisa desde que ele usasse atticus como moeda de troca. — Tudo bem então, filho. Fique na linha e faça o que eu mandar daqui pra frente. Ninguém terá permissão de chegar perto dele e vocês dois poderão ficar na mesma cela durante a noite. — O-obrigado. — Ele quase chorou de raiva e alívio ao mesmo tempo, sentindo suas pernas completamente bambas. Raiva porque tudo estava acontecendo por sua culpa, pois foi ele quem havia insistindo para tentar aquela invasão suicida. E alívio por pelo ter pelo menos ter poupado Atticus de algo muito pior que isso, se Titus realmente fosse um homem de palavra. — Agora chega de papinho, Nyx. Teremos bastante tempo para conversar sobre isso depois. Você teve a ousadia de entrar no meu próprio lar e me acusar de inúmeras coisas, e apesar de algumas terem um pingo de verdade sim, as outras eram completamente deturpadas. Trouxe você aqui para te mostrar a verdade, para que assim você veja com os próprios olhos. — Titus disse, fechando a mão ao redor do antebraço direito do rapaz e já começando a puxa-lo em direção aos degraus da varanda. Onyx se obrigou a caminhar, pois se não fizesse isso, iria ser arrastado para a frente. Os seus pés descalços estavam aliviados por saírem da areia quente do deserto e ficarem sob a sombra da varanda, mas à cada passo dado para dentro da casa, ele ficava mais nervoso ainda. — Por quanto tempo eu dormi? — Perguntou, cerrando os punhos, pois na verdade queria perguntar "por quanto tempo VOCÊ me apagou?" — Três dias. — Titus disse, abrindo a porta com a mão livre e puxando o rapaz para dentro de casa, como se ele conhecesse aquele lugar muito bem. Onyx quase chorou de alívio ao perceber que seus avós ou Adeline não estavam em lugar nenhum, mas bastou chegarem até a segunda sala para encontrarem Roselyn sentada naquela habitual cadeira de balanço, com um livro no colo e vestindo uma camisola branca. O rapaz a viu erguer o rosto e encarar eles dois, alternando o olhar entre um e o outro repetidas vezes. Onyx estava esperando que ela começasse a gritar e xinga-los, esperneando e tentando destruí-los com as unhas afiadas, mas tudo que ela fez foi focar completamente seus olhos no Vampiro, esquecendo totalmente do filho. — Titus? — Ela soltou um grunhido, levantando da cadeira e dando alguns passos cambaleantes para a frente, arregalando os seus olhos escuros, como se não acreditasse que ele realmente estava alí, o que fez as esperanças de Onyx descerem pelo ralo. — Sou eu, querida. — O Vampiro lançou um pequeno sorriso para o filho, como se dissesse "eu avisei, não avisei?" Antes de dar um passo para a frente e ficar à menos de dois metros de distância de Jocelyn. Onyx jamais conseguiria imaginar aquilo, que um dia veria sua mãe cara a cara com um vampiro, mas sem ficar completamente alterada e gritando sem parar. Os dois pareciam uma pintura bizarra juntos, pois a idade havia sido bastante c***l com Jocelyn, enquanto Titus parecia ser exatamente o mesmo, congelado no tempo. — Veio cumprir com a sua parte do trato? — ela perguntou, então Titus riu, confirmando levemente. — Vim sim, Jocelyn. — Respondeu, antes de simplesmente avançar para a frente e cravar as presas no pescoço dela, deixando Onyx petrificado no lugar, com os olhos arregalados e completamente enojado com aquilo. Jocelyn arquejou e enterrou as unhas nos braços do vampiro, mas não fez qualquer menção de afasta-lo, sabendo muito bem como acontecia a transformação para virar um vampiro. Onyx não conseguiu controlar as suas pernas e desabou no chão, contra a parede, observando aquela cena bizarra que estava se desenrolando na sua frente. Titus rasgou o próprio pulso e deixou que ela tomasse algumas gotas do seu próprio sangue, antes de voltar a drenar o dela de forma brusca, arrancando grunhidos de dor de Jocelyn, que tentava resistir em silêncio. Ela só não esperava que Titus erguesse as mãos e agarrasse sua cabeça com agressividade, girando-a para o lado de forma brusca e fazendo um "Creck" ecoar pelo sala. Onyx observou o corpo sem vida dela desabar no chão, sem qualquer última reação que não fosse a careta de dor e o pescoço virando em um ângulo esquisito. Ele queria gritar, mas não encontrou forças para isso. — Vamos embora, Onyx. Ela vai acordar daqui uns dias e vai achar uma forma de nos encontrar. — Titus disse, caminhando até Nyx e se abaixando ao seu lado com um pequeno sorriso no rosto, antes de pegar o rapaz pelos ombros e colocá-lo de pé. Ele ainda estava completamente sem ação, vendo o corpo da mãe no chão. O meio-humano sabia muito bem o que ia acontecer: ela voltaria, mas não como vampira, como sempre sonhou, mas sim como um ghoul, um servo eterno. Titus o puxou para fora do casarão tranquilamente, cantarolando uma música baixinho, embora não conseguisse esconder o pequeno sorriso sádico.
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