Edward foi chamado, Liam também. O melhor advogado que Madison encontrou começou a defesa de Camila. Antes do meio dia, ela foi notificada da solicitação dele pela guarda definitiva das crianças, que por hora passavam a ficar integralmente com ele. Nenhum dos Mendes concordava com o que estava sendo feito, mas quando Shawn começava com uma coisa...
Edward levantou o histórico inteiro de Camila, provando que ela sempre foi mentalmente competente, mesmo durante a amnésia, e Liam confirmou. Era uma briga de gigantes se formando, mas parecia que todos já sabiam o final daquilo. Sophia, por outro lado, tentava outras vias. Primeiro, só pra constar, foi e contou a Karen. Não achava que fosse resolver, mas faria ainda assim. Então, foi ao principal. A escola. Ficou sentada no banco do lado de fora, o linho cinza de sua camisa fazendo-a parecer mais pálida, e esperou. Juliet apareceu junto com Nate. Aquilo partiu o coração dela...
Mas precisava ser feito. O único modo de Camila não perder os filhos era se Shawn não tentasse tomá-los. E a única forma de impedir que ele tentasse era...
Nate: Tá triste, tia Soph? - Perguntou, bonitinho no terninho da escola, e Sophia assentiu - O que foi?
Sophia: Sua mãe está triste, e porque eu sou amiga dela, eu estou triste também. - Começou, decidida. Ia pro inferno por fazer aquilo.
Blair: Nate! - Chamou, bonitinha, vindo na direção deles.
Nate: Minha mãe tá triste? - Perguntou, desolado. Faltavam 3 dias pra eles irem passar a semana com a mãe, porque ela estava triste? Sophia assentiu - Porque?
Sophia: Porque seu pai brigou com ela... E proibiu ela de ver vocês. Ele não vai mais deixar vocês passarem a semana na casa dela. Nunca mais. - Envenenou, os olhos verdes duros. Viu o choque no rosto de Nate.
Blair: Mamãe não vem mais? - Perguntou, torcendo as mãos. Sophia negou com a cabeça.
Nate: Nunca mais? - Sophia assentiu.
Sophia: Porque seu pai não deixa. Ela já pediu a ele, implorou, mas ele não quer deixar. Ai ela está muito triste. E eu estou triste por ela. - Disse, acariciando o cabelo de Juliet.
Blair: Puxa. - Disse, olhando Nate com os olhinhos cheios d‟agua, mas o menino estava no mesmo pé que ela. O bico de choro se formou, sem ninguém pra detê-lo.
Shawn: O que você está fazendo? - Perguntou, lívido de raiva, se aproximando do banco. Sophia se levantou, a expressão dura no rosto.
Sophia: Começando a contar a verdade, pra mudar um pouco o rumo da história. - Rebateu, sem se deixar intimidar. Blair já havia caído no choro.
Nate: Papai. - Chamou, se aproximando - Porque você brigou com a mamãe? - Perguntou, os olhinhos cheios d‟agua.
Shawn: Porque eu... - Ele hesitou, passando a mão no cabelo - Em casa conversamos. - Disse, nervoso, se abaixando pra apanhar a menina, que chorava - Ô, minha princesa, não chora.
Pela primeira vez Blair rejeitou ele. Empurrou as mãos dele, se afastando, sem se deixar carregar.
Shawn: B? - Chamou, se agachando na frente dela.
Blair: Eu quero a mamãe! - Atirou, saindo de perto dele e abraçando Nate. Shawn respirou fundo, se levantando e se virando pra Sophia.
Shawn: Feliz? - Perguntou, furioso.
Sophia: Longe disso. - Respondeu, o rosto sem alegria de novo - Colha o que plantou. - Concluiu, apanhando a mão de Juliet e dando as costas, saindo dali.
Levar Nate e Blair pro carro foi um tormento. A menina não parou de chorar o caminho todo. Quando chegaram em casa saiu do elevador correndo, pequenininha, sumindo no corredor. Nate, entretanto, ficou.
Nate: Porque você brigou com a minha mãe? - Perguntou, ainda com aquele olhar triste.
Shawn: Olhe, eu não briguei com a sua mãe. - Corrigiu, se sentando.
Nate: Tia Soph se enganou, então? - Perguntou, esperançoso - BEE, VEM CÁ, NOS VAMOS VER A MAMÃE! - Chamou.
Shawn: Não! - Bloqueou, e Nate o olhou, confuso. Blair apareceu na sala correndo de novo, ainda soluçando do choro, mas parecendo esperançosa - Amor, vem cá. - Chamou, e a menina foi, iludida.
Blair: Mamãe vem? - Perguntou, a vozinha quebrada pelo choro, e ele secou o rosto dela.
Shawn: Não, meu amor. Agora somos só nos três. - O bico de
choro se armou outra vez - Blair, não.
Nate: Porque, se você não brigou com ela? - A menina caiu no choro, soluçando abertamente, as mãozinhas na frente dos olhos.
Shawn: Nós nos separamos, Nate. Quando os pais se separam, os filhos tem que ficar com alguém. Vocês ficaram comigo.
Nate: Mas a gente estava com os dois. Uma semana lá, uma aqui. - O próprio Nate começava a chorar. Não queria ficar longe da mãe.
Shawn: É, mas agora as coisas mudaram. Não é saudável vocês viverem em dois lugares diferentes. Sua mãe tem problemas demais e coisas demais na cabeça pra isso. - Explicou.
Nate: Ela disse isso? Disse que não queria mais ficar com a gente? - Perguntou, desolado. Blair ergueu o rostinho, olhando o pai na expectativa.
Shawn: Ela não precisou dizer. Nem sempre adultos precisam dizer as coisas pra que sejam verdade. Eu sinto muito. - Disse, e a menina pulou do colo dele, saindo de novo.
Dessa vez Nate foi com ela. Levou horas até o sono os vencesse. Shawn os encontrou adormecidos juntos, os rostinhos lavados de lagrimas, na cama de Nate. Blair abraçava o irmão como se estivesse com medo de algo, toda encolhidinha. Ele suspirou, após cobri-los, saindo dali. Tirou o terno, suspirando, cansado, e voltou pra sala... Se batendo com Camila parada de pé em frente a porta de entrada.
Shawn: Errou de endereço. - Disse, apanhando o copo de uísque em cima do piano.
Camila: Me diga que não é verdade. - Pediu, se aproximando.
Estava acabada, rosto pálido em contraste com a seda preta da blusa. - Olhe pra mim e me diga que você não está usando nossos filhos como modo de se vingar de mim, Shawn.
Shawn: Você queria liberdade. Estou te dando isso. - Disse, amparado no piano, totalmente a vontade.
Camila: Você não pode fazer isso comigo. - Disse, tremula, os olhos azuis desolados.
Shawn: Aguarde e veja. - Dispensou, tomando um gole do uísque.
Camila: Eu quase morri pra salvar Nathaniel. Eu passei anos entrevada em uma cama. - Disse, olhando o chão.
Shawn: Eu sei, eu estava lá. - Disse, seco.
Camila: Você não pode simplesmente vir agora e me proibir de vê-los, pelo amor de Deus! - Exclamou, exasperada. Uma lagrima caiu do olho dela e ele a viu secar rapidamente.
Shawn: Já disse, aguarde e veja. - Repetiu, frio.
Camila: Você me ama. Você não pode fazer isso comigo, me machucar nessa ponto, porque você me ama. - Disse, o cérebro trabalhando pra procurar qualquer forma de pará-lo.
Shawn: Oh, é porque eu te amo que estou te dando o que você queria. Liberdade. - Lembrou, sínico.
Camila: Não era pra isso que eu queria... - Murmurou, cansada. Ela queria liberdade pra recomeçar, mas nunca isso.
Shawn: Bem, o que você vai fazer com ela eu já não sei, mas eu meus filhos não seremos mais um obstáculo. - Cortou. Camila se aproximou mais, parando na frente dele.
Camila: Estou implorando. - Disse, tremula, encarando-o - Shawn, por favor.
Shawn: Foram-se os anos que eu seria capaz de fazer qualquer coisa enfeitiçado pelo piscar dos seus cílios. - Disse, sorrindo de canto. Camila gemeu, abafada. Ele não parecia estar ouvindo!
Ela o encarou por um instante... Então caiu de joelhos na frente dele. Shawn olhou, o cenho franzido. A humilhação daquela cena era tanta que era degradante de olhar... Mas não pra ele. E ela não tinha opção: Perder os filhos não era algo que ela pudesse considerar. Ela não podia lutar essa batalha.
Shawn: O que está fazendo? - Perguntou, olhando-a.
Camila: Suplicando. - Disse, de joelhos na frente dele, olhando o chão - Eu faço qualquer coisa. O que você quiser, mas não os tire de mim.
Shawn: Está blefando. - Testou, os olhos estudando-a. Ela fungou, negando com a cabeça.
Camila: Qualquer coisa. Eu faço qualquer coisa. - Repetiu, ajoelhada perante a ele.
Shawn colocou o copo em cima do piano e se abaixou na frente dela. Ele tocou a maxilar dela, fazendo-a encará-lo, e ela esperou. Estava gelada sob o toque dele. Ele pôde ver o desespero nos olhos dela.
Shawn: Qualquer coisa? - Ela assentiu.
Camila: Qualquer coisa. - Confirmou, assentindo com a cabeça.
Shawn: Muito bem, vamos começar assim. Seu amiguinho médico... Você não vai mais vê-lo. Ele vai parar de frequentar sua casa, e você vai se afastar dele. - Camila assentiu, uma lagrima pesada caindo pelo rosto.
Camila: Tudo bem. - Respondeu, em um murmúrio.
Shawn: Não gosto da sua amizade com Bella. Não vou proibi-la, mas você vai procurar evitar. - Disse, como um pai paciente, acariciando a maxilar dela. Camila assentiu.
Camila: É isso? Você vai me deixar vê-los, se eu fizer? - Perguntou, tremula - As coisas vão continuar como estão?
Shawn: Ah, não. Isso é só o começo, virão outras coisas depois.
Mas, por hora, se você fizer o que eu estou mandando, vou suspender o processo. - Duas lagrimas rolaram pelo rosto de Camila, que expirou pesadamente - Você vai ter suas duas semanas com eles por mês, como tem sido desde que você foi embora.
Camila: Ok. - Disse, assentindo, e ele ergueu o rosto dela de novo.
Shawn: Deve parecer que foi uma opção sua. - Explicou, paciente - Hora alguma ninguém deve saber que está fazendo isso porque eu mandei. Se você tentar trapacear e eu descobrir, abro o processo de novo e tomo eles de você em questão de uma semana. - Ressaltou.
Camila: Nada de Edward ou Bella, eu escolhi assim. - Confirmou e ele assentiu - Você tem minha palavra.
Shawn: Muito bem. - Concluiu, se aproximando e beijando a bochecha úmida pelas lagrimas dela. - Vou confiar na sua palavra. - Disse, apanhando-a pelos braços e fazendo-a se levantar do chão.
Camila: Eu posso vê-los? - Perguntou, olhando-o. Havia achado que ganhara sua liberdade hoje, mas terminara por perder de novo do modo mais humilhante que conseguia pensar.
Shawn: É claro. Você conhece o caminho. - Disse, e ela assentiu.
Ele a viu avançar pro corredor o mais rápido que pôde, e resolveu não interferir. Ela encontrou os dois dormindo e respirou fundo, se sentindo inteira novamente ao estar ali. Se aproximou, se sentando do lado deles na cama.
Camila: Ei, princesa.- Disse, acariciando os cabelos de Blair após secar o rosto. A menina pestanejou, abrindo os olhinhos, então pulou na cama, engatinhando até Camila e se agarrando a ela, o rostinho no colo da mãe. - Pronto. Mamãe tá aqui. - Tranquilizou, ninando a pequena - Nate. - Chamou, balançando o filho. O menino acordou e, assim como a irmã, logo estava abraçado a ela. - Shhh. Já passou.
Nate: Mamãe, você tem tempo pra gente, não tem? - Perguntou, agarrado a ela.
Camila: Cada segundo de todos os meus dias. - Respondeu, beijando o cabelo dele.
Nate: E nós vamos pra sua casa ainda, né? - Perguntou, erguendo o rostinho pra olhá-la.
Camila: No sábado. Eu já me resolvi com seu pai. - Respondeu, acariciando o cabelo do filho.
Blair: Você vai ficar com a gente, mamãe? - Perguntou, enfim se pronunciando.
Camila: Pra sempre. - Prometeu, e a menina a assentiu, afundando o rosto no colo dela de novo.
Nate a abraçou de novo também, e os três ficaram em silencio. Ela apenas se permitiu sentir os dois ali, agarrados a ela. É preciso admitir as batalhas que você não pode vencer, e uma batalha na justiça contra Shawn era uma delas. Ela os perderia. Isso não podia acontecer. A sensação de estar sendo observada a atingiu e ela ergueu o rosto, vendo Shawn parado na porta, assistindo. Ela apertou mais os filhos contra si, acuada, encarando-o com o olhar magoado, mas ele apenas assentiu pra ela uma vez e deu as costas, indo pro seu quarto. Ela relaxou em seguida, pousando o rosto no cabelo de Nate.
Eram os filhos dela, e ela não iria perdê-los. Não importa qual fosse o preço.