23 de dezembro de 1991:
Estava sentada numa janela vendo a neve cair e alguns dos flocos de neve caíam em mim, mas nem mesmo estava pensando na sensação gelada e sim, da consequência da minha escolha naquele dia. Escolhi não saber do passado daquela mulher e, ao mesmo tempo, neguei descobrir sobre a minha falta de alma e sobre a chave que fez tudo isso acontecer.
Mas estava bem, mesmo negando saber de algumas coisas, estava bem e ficaria bem. Tinha Tom para secar as minhas lágrimas e me dar carinho, tinha Draco para me fazer rir e tinha meus amigos. Mas tinha a sensação de que iria perdê-los e isso me fazia perder o ar em meus pulmões, apenas por pensar perdê-los.
Sabia que não iria me lembrar deles, mas eles poderiam me ajudar a me lembrar, mas sentia dentro de mim que isso não iria acontecer e isso me apavorava.
Olho para cima e vejo mais flocos de neve flutuando no ar e o céu cinza me parecia convidativo. Já tinha dois meses que não tinha notícias de Rabastan, já tinha dois meses que não sabia sobre a minha psicobruxa e fazia um mês que não sabia onde estava a minha alma, o que sobrou dela ou como era ela.
A guerra estava caminhando devagar e Tom tomou o meu lugar de líder, já que não estou com cabeça para raciocinar ou de conversar com eles. Eu sorria, conversava e ria, mas todos podiam perceber que meus pensamentos não estavam ali com eles.
_ Então foi aqui que você se escondeu? - Tom bufou, enquanto subia os degraus para ficar ao meu lado. _ Cachinhos, já faz algumas semanas que todos perceberam que você não está bem e sei que você realmente não está bem.
_ Estou bem. - Digo olhando para o Salgueiro Lutador. _ Ou estou tentando ficar.
Tom se sentou ao meu lado e tombou a minha cabeça no seu ombro, começando a me fazer cafuné.
_ A diretora do orfanato me disse que minha mãe antes de morrer cantou uma música para mim. - Disse baixinho. _ Ela me contou isso quando estava quase a matando. - Ri com aquilo. _ Você finalmente riu, fico feliz que meu jeito psicopata lhe diverte.
_ E qual era a música? - Pergunto fechando os olhos para sentir o vento gelado bater em minha face.
_ Sabia que fiz aula de canto quando era criança?
_ Isso deve ter mais de cinquenta anos. - Digo risonha. _ Você deve estar desafinado agora.
_ Minha namorada zombando de mim? Como pode isso? - Levanto a minha cabeça do seu ombro e o olhei assustada. _ O que foi? Falei algo de errado?
_ Você disse namorada?
_ Sim. - Disse confuso. _ Por quê?
_ Nada. - Sorrio de lado, estava depois de meses feliz, por Merlim, estava namorando o Lorde das Trevas. _ Você ainda não cantou a música. - Digo desfazendo o sorriso.
_ Eu acredito ser possível
Fazer o tempo andar pra trás
O amor é a resposta
Nessa vida tão fugaz
Guardo as cores dos momentos
Para que nunca tenham fim
O amor sempre estará
Dentro de mim.
_ Uau. - Bato palmas para ele. _ Você não está desafinado e a música é linda.
_ Obrigado. - Beijou meus lábios. _ Já arrumou as suas coisas? - Concordo com a cabeça e o beijo.
Ele morde meu lábio inferior, me fazendo abrir a boca e sua língua entrou na minha cavidade, se entrelaçando com a minha língua e aquilo me fez gemer enquanto nos beijávamos.
Ele separou nossos lábios por alguns segundos e aquilo me fez choramingar por mais.
_ Não pare de me beijar. - Digo rente aos seus lábios.
_ Não sabia que minha cachinhos era tão dengosa. - Riu, selando nossos lábios mais uma vez.
_ Sou dengosa quando quero e já arrumei minhas coisas. - Digo separando nossos lábios. _ Até mesmo enviei uma carta para Demion para que ele me encontre no dia 25 na mansão Malfoy.
_ Pensei que tinha se esquecido da reunião. - Disse beijando meu pescoço.
_ Fiquei bastante abalada com aquela carta no início do banquete de boas-vindas, você não poderia ter pedido que me entregasse no dia seguinte? - Digo me lembrando daquele dia do Dementador.
_ Me perdoe, não tive a intenção de fazer aquilo acontecer, mas se não fosse isso, nós nunca iríamos começar a conversar. - Sorriu mordendo minha orelha. _ Nunca te vi usando brinco, por que não usa?
_ Tenho alergia, mas você pode confirmar que tenho as orelhas furadas. - Digo apontando com o dedo. _ E eu acho que seria bem difícil da gente não conversar. - Sorriu, mas mudou de assunto.
_ Estou feliz que te fiz rir, sabe quanto tempo você não sorri verdadeiramente? - n**o com a cabeça. _ Muitos dias e odeio ver você triste, isso parte o meu frágil coração.
_ Me desculpe. - Digo alisando seu rosto.
_ Não peça desculpas. - Beijou-me novamente e sorrio com aquilo, era tão bom ser amada e ser recíproco.
Os flocos de neve ainda caíam e os dois alunos sentados na janela conversavam e riam sobre algo fútil. Mas seriam esses momentos que dariam forças para essas duas pessoas continuarem de pé ou não... O dia que tudo iria realmente começar, acabou chegando, infelizmente.
───※ ·❆· ※───
25 de dezembro de 1991:
Estava no quarto de visitas da mansão Malfoy e me olhava no espelho tentando não lembrar daquele sonho que ainda me perturbava. Arrumo meu cabelo, que estava solto e aliso meu vestido verde de mangas compridas, ele era de pregas e ia até a metade do meu joelho.
Estava bonita e não tinha como negar isso, mas estava ansiosa e com medo de ver meu pai, ou até mesmo de rever Rabastan. Aperto o colar que Tom me deu e tento pensar positivo.
Escuto alguém bater na porta e peço para entrar, quando vejo no reflexo do espelho quem era, fiquei feliz e rapidamente me virei indo em sua direção.
_ Rabastan! - Dou um abraço apertado no homem. _ Fiquei esperando alguma carta sua, mas você não me enviou nenhuma. - Bato em seu braço.
_ Me perdoe, pequena, mas estava ocupado com algumas ordens que me foram dadas. - Apertou minha bochecha. _ E olha você... - Pegou a minha mão e me rodou. _ Está linda.
_ Obrigada. - Sorrio envergonhada.
_ Você vai descer com Draco? - Disse saindo do meu quarto.
_ Ele já desceu há muito tempo, deve estar recebendo os convidados com os pais. - Digo saindo do quarto e fechando a porta.
_ Então você me daria a honra de ser seu acompanhante? - Sorriu galanteador e estendeu sua mão.
_ Oh, meu bom senhor, será uma honra ser sua acompanhante. - Pego sua mão e descemos a escadaria para ir à sala de reuniões, onde seria o jantar de Natal. _ Todos vieram?
_ Infelizmente, sim, principalmente a Bella. - Disse revirando os olhos.
_ Nunca a vi, mas sei que ela é minha madrinha. - Sussurrei para ele, sorrindo de lado.
_ Espero que você tenha poção calmante, porque você vai precisar. - Sorriu arrastando uma cadeira para que me sentasse. _ Pode falar, sou muito cavaleiro.
_ Não sei onde você tirou isso. - Rio de sua face perplexa.
_ Onde está a minha bolotinha! - Gritou Bella com um vestido apertado. _ Bolotinha!
Ela me olhou e veio até mim, abrindo os braços em sinal de querer me abraçar. Levantei-me do meu assento e a abraço. Ela me abraçou tão apertado que pensei que iria morrer por falta de ar.
_ Você cresceu tão rápido. - Secou uma lágrima de felicidade. _ Quando você nasceu, você era gordinha e parecia uma bolotinha, e por isso que dei esse apelido, mas agora nem faz mais sentindo te chamar assim. - Começou apertar minhas bochechas e minha barriga. _ Não tem quase gordura nenhuma, você está comendo bem? - Rabastan só faltava infartar de tanto rir, faria de tudo para tirar aquele sorriso de seu rosto.
_ Estou, madrinha e fico feliz em poder finalmente te conhecer. - Sorrio apertando suas mãos que estavam em meu rosto.
_ Tiny estaria orgulhosa de você, Sienna. - Beijou minha bochecha e foi se sentar no outro lado da mesa.
Fico encarando o nada e me perguntava se realmente ela estaria orgulhosa de mim. Estou sendo a filha que ela sempre desejou? Queria poder fazer essa pergunta a ela, mas infelizmente não posso, nem mesmo posso encomendar flores para colocar em seu túmulo.
Apenas posso pegar uma fotografia e chorar pensando em como era feliz antes dela me deixar.
Sentei-me novamente na cadeira e olho de esguelha para Rabastan, que bebia um vinho tinto.
_ Na próxima vez esse vinho não estará na taça. - Digo olhando em volta procurando Demion, talvez ele ainda não tenha chegado.
_ Você dá muito mais medo do que meu Lorde. - Sorriu de lado. _ Não conte isso para ele.
_ Como eu poderia contar? Nem mesmo o conheço. - Dou de ombros, sorrindo de lado.
_ Tenho uma leve impressão de que isso não é verdade.
Não falo nada, apenas continuo olhando para os outros, vejo Leesa sentada perto de um homem de cabelos claros e quando ela me vê, sorri, mas seu sorriso estava apagado, ela parecia desconfortável na presença daquele homem.
_ Quem é aquele? - Aponto meu queixo para o homem perto de Leesa. Rabastan olha para quem eu apontava e retorceu a face em uma careta.
_ Ele é o irmão de Leesa, Isaac Avery, ele tem vinte anos e vai tomar posse das propriedades Avery's no próximo ano.
_ Hum... - Digo pensando em algo. _ E por que a Leesa está desconfortável com ele?
_ Ela não te contou? - Contou o quê? Digo em pensamento. _ Ela está noiva do Isaac, você sabe como são os puros sangues em relação a isso. - Concordo com a cabeça. Sentia pena dela.
Olho para a porta e vejo aquele homem que conheci em Gringotts e Rabastan me deu um cutucão.
_ Não vai dizer "oi" para seu pai? - Falou perto do meu ouvido.
_ Pai? - Olho confusa para ele.
_ Esqueci que você era pequena quando você o conheceu. - Apertou minha bochecha. _ Antonin, venha dizer olá a Sienna. - Rabastan gritou e aquilo fez minhas mãos se mexerem ansiosamente.
_ Rabastan. - O homem deu um aceno como cumprimento e se virou para mim. _ Sienna. - Meu coração parecia que iria sair do meu peito e aquilo me fazia sufocar com a minha própria saliva. _ Poderia te abraçar? - Concordo com a cabeça e me levanto, o abraçando, sentia algo estranho por estar abraçando esse homem, mas, ao mesmo tempo, tentava calar essa sensação.
Sentia que aquele abraço estava errado e o certo era de Rabastan. Não entendia o porquê de sentir isso, mas não poderia contar isso a eles.
_ Esperei muito tempo para fazer isso. - Disse beijando meus cabelos e se desgrudou de mim, foi tão rápido e sem emoção. _ Como você está grande e bonita. - Ele realmente não tinha tato para reencontros.
_ Claro que ela deveria estar grande e bonita, Antonin, a menina tem doze anos. - Rabastan alfinetou e meu pai tossiu para disfarçar a vergonha. Sentei-me no meu lugar e meu pai, ao meu lado.
_ Eu já sei que você foi selecionada para a Sonserina e que Demion cuida de você, mas como foi sua educação?
_ Aprendi administração de vez de brincar com bonecas e coisas do tipo, aprendi matemática básica antes de saber qual era a diferença da seda e de outro tecido qualquer. - Sorri petulante para ele. _ Minha educação foi ótima, se era isso que queria saber.
_ Uau... - Rabastan assoviou e riu. _ Devo ter sido muito melhor na minha apresentação por não ter recebido essa resposta. Sinto-me honrado.
_ É melhor a gente ficar quietos, o Lorde pode chegar a qualquer momento. - Falo sorrindo e foi no momento certo.
O Lorde das Trevas entrou no salão com uma de suas mãos no bolso da calça social e sorriu para seus Comensais. Seu cabelo estava alinhado e nada bagunçado, como ele gostava de deixar ocasionalmente.
O salão que estava barulhento, se calou no mesmo segundo e aquilo foi espetacular.
_ Meu Lorde. - Todos se levantaram e fizeram uma reverência, o Lorde estava impecável com seu terno preto como a noite lá fora e a sua gravata vinho; fazia algumas mulheres se derreterem.
_ Sente-se todos. - Fiquei o olhando e percebi que aquele Tom carinhoso e amoroso, era apenas comigo e sorri com aquilo. _ Fico feliz que todos tenham vindo e tenham principalmente trazido os seus filhos. - Olhou para todos e focou seu olhar em mim, e alguns perceberam aquele olhar e meu pai, que tentava entender aquele olhar, acabou perguntando:
_ Meu senhor, minha filha fez alguma coisa que o senhor não gostou? - Perguntou apertando a minha mão e vejo de esguelha que Rabastan estava com a mão em sua varinha.
Ele realmente iria duelar com o seu Lorde para me proteger? Rabastan realmente era louco.
_ Não. - Disse sentado como um rei. _ Apenas que a senhorita Dolohov tem uma mente maravilhosa e por causa dela que mudei a minha ideia sobre matar os trouxas e os nascidos trouxas. Ela é fascinante. - Olhou para Draco e perguntou: _ Não concorda, Malfoy?
_ Não tive o prazer de conversar com ela, meu senhor. - Proferiu Lucius que bebia um pouco de vinho.
_ Mas não referia você, Lucius e sim, seu filho. O que você acha Malfoy? - Draco quase cuspiu o que bebia e olhou para mim.
_ Eu e Thomas temos que concordar com o senhor. Ela realmente é fascinante.
_ Thomas? - Perguntou me olhando como se não conhecesse quem era Thomas.
_ Nosso amigo.
_ Meu namorado. - Vejo meu pai se engasgar e Rabastan tencionar a mandíbula.
O que Rabastan estava pensando para ficar daquele jeito?
_ Você só tem doze anos! Está muito nova para isso. - Falou meu pai, fazendo todos da mesa me olharem.
_ Como a senhorita Dolohov te ajudou a mudar de ideia sobre os trouxas e os nascidos trouxas, meu senhor? - Rodolfo tentou mudar de assunto.
Olho para o irmão do Rabastan e vejo que os dois são muito parecidos, mesmo com a pequena diferença de idade. Depois poderia agradecê-lo por mudar de assunto.
_ Senhorita Dolohov me contou algo que foi muito útil com a minha decisão de mudar um pouco o rumo da nossa guerra, quer fazer as honras de contar a todos, senhorita? - Sorriu bebendo um pouco de vinho e aquele sorriso de canto era tão encantador, que nem mesmo percebi que minhas bochechas estavam quentes.
_ Informei o Lorde que precisamos da tecnologia dos trouxas para podermos evoluir e precisamos dos nascidos trouxas para que novas linhagens se desenvolvam. - Digo torcendo os dedos por debaixo da mesa.
_ Por Merlim, isso não faz nenhum sentido. - Disse Avery, pai de Leesa. _ Meu senhor, você não deve dar ouvidos a uma criança.
_ Essa criança possui o título de Duquesa Dolohov e administra as terras e seus inquilinos por seis anos. - Digo impetuosa. _ E você é o quê? Um mero conde!
Bom, já tinha muitos séculos que ninguém mais usava títulos, mas os duendes usavam para representar a nobreza e a riqueza. Nunca gostei desse título, mas foi me dado pelo Caspra e ele me disse que era o melhor que tinha entre os cinco títulos.
Era meio antiquado usar títulos, mas para poder ferir um pouco do ego do pai de Leesa, falaria até Latim se eu soubesse falar.
_ Olha sua... - Pego a minha varinha que tinha escondido na manga do meu vestido e aponto para o homem.
_ Sua, o quê? - Digo com calma e vejo Avery parar de falar imediatamente. _ Me perdoe, milorde, não quis fazer uma cena em sua presença. - Digo o olhando e me levantando para fazer uma mesura em respeito a ele.
Sentei-me novamente e coloco a minha varinha no lugar onde ela estava antes, começo a comer as coisas que estavam no meu prato e nem ligo para o silêncio que se sucedeu depois da minha fala e ação.
_ A sua filha é uma caixinha de surpresa, Antonin. - Riu me olhando. _ Gosto dela. - Minhas bochechas queimavam. _ Espero que depois que você terminar de comer possa vir me acompanhar em um passeio no jardim, senhorita Dolohov, suas ideias e teorias são "deliciosas" de ouvir.
_ Ficaria encanta por acompanhá-lo em um passeio, milorde.
_ Perfeito, agora, por favor, comam e aproveitem o banquete que Narcisa preparou para nós.
Todos começaram a comer e já estava terminando, nem mesmo queria saber qual seria a sobremesa, apenas queria saber onde estava Demion. Me viro para Rabastan e cochicho em seu ouvido, perguntado sobre o elfo e ele me disse que Demion estava com Dobby no jardim das rosas fantasmagóricas.
Rosas fantasmagóricas.... Nunca tive a oportunidade de vê-las, mas sabia por livros que elas eram lindas. Tinha o formato de rosas, mas seus botões e pétalas eram de um branco translúcido que se parecia com os fantasmas, por isso o nome.
Olho para o meu prato e vejo que não tinha mais nada nele e dou um suspiro com isso, odiava olhar para os lados quando as pessoas estavam comendo.
Sinto uma mão em meu ombro e olho para cima, vendo que era Tom, arrasto minha cadeira para trás e me levanto pegando em sua mão estendida e saímos da sala de jantar.
_ Está belíssima. - Beijou minha mão enquanto entrávamos no jardim.
_ Como você conseguiu convencer Draco que Thomas não poderia comparecer o jantar? - Sussurro e ele dá um sorriso de lado.
_ Nem mesmo agradece meu elogio. - Olho em volta e vejo que as flores eram lindas, mas não tinha nenhuma fantasmagórica. _ Não o convenci, foi Narcisa que disse que eu não poderia participar. - Sentamo-nos em um banco de pedra que tinha no jardim.
_ Então o Thomas está no quarto dele ou ele foi embora? - Digo o observando, ele realmente estava bonito.
_ Ele está no quarto e ninguém tem permissão de ir lá. - Falou acariciando minha mão.
_ E se o Draco bater na porta?
_ Ele não vai, pedi para ele não fazer isso e como ele é um bom amigo, ele não vai fazer isso.
_ Entendo, mas você está bonito com o terno. - Digo olhando para o céu estrelado. Acabei percebendo que não estava nevando igual aos outros dias.
_ E você foi deslumbrante falando daquele jeito com Avery, já lhe disse que é maravilhosa? - Olho para ele sorrindo. _ E que seu sorriso é perfeito?
_ Já, mas gosto de ouvir isso de você.
Parecia que era apenas nós que estávamos no mundo, já que o silêncio dos grilos que alguns segundos atrás não paravam de estridular não era nefasta. O frio que sentia depois que saímos da mansão se foi e foi preenchido por calor, olhava para os olhos vermelhos de Tom e meu coração palpitava apenas por ansiar que ele nunca parasse de me olhar daquele jeito.
Meus lábios estavam secos e com um movimento involuntário, passo minha língua sobre eles, chamando a atenção do Lorde.
_ Devo repetir que nunca... - Interrompo.
_ Você nunca disse para não passar a língua sobre meus lábios e sim, para não...
Ele não me deixa continuar e seus lábios pressionaram os meus, e tudo em minha volta apenas se resume a ele. Toco os seus cabelos tentando me aproximar do calor que irradiava do seu corpo, mas parecia impossível. Sua língua passava por volta dos meus lábios e aquilo só me fazia deliciar com a sensação de sua língua.
_ Você me disse uma vez para não brincar com o fogo, mas sempre gostei de brincar com ele. - Digo, mas ele não entendeu o que eu pretendia com essa frase, era melhor ele realmente não entender.
Separei-me de seus braços e me levanto, vendo-o me olhar, estranhando a minha ação.
_ O que você vai... - Sentei-me em seu colo, deixando minhas pernas cada uma de um lado e ponho meus braços em seu ombro. _ Você realmente gosta de brincar com fogo e gostei do vestido. - Disse alisando minhas coxas que ficaram à mostra.
_ Aprecio que tenha gostado.
Pressiono novamente nossos lábios e dessa vez ele não foi devagar em colocar sua língua em minha boca. Nossas línguas se emaranhavam, mas o ápice de tudo foi quando ele chupou e mordiscou a minha língua, e começou a apertar fortemente a minha cintura, suspirei e mexi o quadril para me aproximar ainda mais dele.
_ Como é possível a barreira cair do nada? - Gritou alguém que tinha saído da casa.
_ Acho melhor a gente parar por aqui. - Digo saindo de seu colo e tentando não ficar rubra. _ O que foi?
_ Eu te amo. - Disse sorrindo, ele pegou a minha mão e me puxou novamente para seu colo. _ Eu te amo tanto que não sei como demonstrar isso para você acreditar.
_ Dance comigo? - Ele ficou confuso e apenas começo a cantar. _We were playing in the sand
And you found a little band.
_ Não sabia que cantava. - Saio de seu colo e ofereço a minha mão para que dançássemos e ele sorriu, pegando a minha mão. _ Também sei cantar essa música.
"Mm-mm-mm-mm-mm-mm-mm (ooh, ooh, ooh)"
Coloquei a minha mão esquerda na sua e começamos a dançar de qualquer jeito. Não queria dançar direito, só queria sentir o clima; sentir o seu calor; escutar o coração dele batendo e, escutar sua risada quando mexesse nossos braços de um jeito engraçado.
_You told me you fell in love with it
Hadn't gone as I'd planned. - O céu; o jardim, os grilos e as cigarras eram os nossos telespectadores e sorrio com aquele pensamento.
_ Você está apaixonada por outro e não fiquei sabendo? - Me girou e nossos braços ficaram estendidos. _When you had to bid adieu
Said you'd never love anew. - Me puxou e damos as mãos novamente.
_ Não fui embora e mesmo que eu fosse, vou te amar para sempre. - Gritei rindo. _I wondered if I could hold it
And fall in love with it too.
_ Você pode me prender, mas espero que seja com você e sempre irei me apaixonar por você. - Beijou a minha testa, nossa dança e música estavam quase no fim, mas aquele clima estava tão bom que não queria que acabasse. _You told me to buy a pony
But all I wanted was you. - Rio pela parte do pônei.
_ Quero meu pônei, e você já me tem. - Fico na ponta do pé e o beijei. _ Sempre me terá, mesmo eu não sendo um objeto para se ter. - Digo perto de sua bochecha.
"Ooh-ooh-ooh, ooh-ooh-ooh, ooh"
_ Você nunca será um objeto... - Ele iria continuar falando, mas ele olhou para frente e tive que me virar, para ver o que estava acontecendo.
Quando olhei para trás, não consegui ver nada, apenas sinto ser agarrada pelo braço e ser tirada bruscamente dos braços de Tom.
_ Tommy! - Grito e foi a última coisa que lembro de fazer antes de desmaiar.
───※ ·❆· ※───
Ela estava bem ali, na minha frente, seu perfume ainda estava no ar e meu corpo ainda tinha a temperatura dela, meus lábios estavam dormentes pelo nosso beijo, mas ela não estava mais ali. Fiquei sem entender por vários segundos, mas quando me dei conta do que tinha acontecido, não pude acreditar.
Ela havia sido raptada bem na minha frente e não pude fazer nada, absolutamente nada.
Eu tinha perdido ela...
Sinto meus joelhos cederem e caio no chão, a impotência de não poder ter a salvado ou ter pelo menos pegado a minha varinha, me corroía por dentro. Em um minuto atrás, estávamos dançando e no minuto seguinte, ela havia sido tirada dos meus braços, aqueles que eu sempre dizia que nunca abandonaria, aqueles que a abraçavam enquanto ela chorava.
Sentia uma dor alucinante no meu corpo, essa dor me rasgava de dentro para fora. Ainda podia escutar a risada dela e de como a sua voz era inebriante quando cantava; ainda podia sentir a textura de sua pele em meus dedos, ou como eram macios seus cabelos cacheados.
Sem que eu ao menos percebesse, as lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto. Era uma sensação estranha, mas desde que Sienna entrou no meu coração, as emoções mundanas que desprezava faziam parte do meu dia a dia.
Olho para o chão e aliso meus cabelos com meus dedos para tentar colocar os pensamentos em ordem, mas era impossível disso acontecer. Suspirei e olhei para o céu sem neve, até aquilo me lembrava Sienna.
Seco meus olhos e me levanto olhando em volta, e vejo no banco onde estávamos uma caixinha de veludo que tinha caído do meu bolso, a peguei e a abri, vendo o anel da consorte Slytherin. Consorte... Aquela definição não ficaria boa em Sienna, ela merecia mais do que aquela simples definição, ela merecia o mundo e eu a daria, por bem ou por mal... Se era uma chacina que eles queriam, era isso que eles teriam.
Coloco a caixinha novamente no bolso e ando novamente para a mansão, vendo que todos estavam conversando sobre as barreiras que haviam sido derrubadas e que os Malfoy's tentavam reerguê-las novamente.
_ Todos para dentro do salão de reuniões. - Digo vendo confusão nos rostos dos meus seguidores, passo a mão no rosto para tentar raciocinar, mas era difícil fazer aquilo com aqueles Comensais burros. _ Estão surdos? Eu disse para ir para o salão de reuniões! - Gritei, pegando a minha varinha que estava na minha manga, ela estava tão próxima de mim, mas não tive nenhuma reação em pegá-la naquele momento.
Todos se assustaram, mas seguiram minha ordem.
Vou para o salão e fico em pé esperando que todos entrassem e vejo que todos, inclusive os seus filhos, estavam ali, sentados e esperavam que eu falasse ou desse alguma ordem.
_ Sienna foi raptada. - Digo olhando para todos, sabia que eles poderiam ver meus olhos vermelhos por causa do meu choro ressente e não ligava para aquilo.
_ O que disse? - Antonin se levantou e me olhou aterrorizado.
_ Eu disse que Sienna acabou de ser raptada! - Bato na mesa e alguns se assustam. _ E quero que ela seja encontrada imediatamente.
_ Como ela foi... - Rabastan não terminou de falar e olhou Lucius. _ Como a barreira caiu, Lucius? - Disse se levantando e indo até o homem de cabelos longos e loiros, mas meus olhos fixaram em Severus.
Será que o professor que dizia gostar tanto de Sienna poderia ter ajudado a fazer a barreira cair ou Lucius apenas estava mentindo?
_ Ela simplesmente caiu. - Disse se levantando.
_ Não tem como uma barreira simplesmente cair, tem que ter alguma razão. - Rabastan já perdia a compostura. _ Me diga, Lucius, como a merda da barreira caiu?
_ Rabastan! - Rodolfo gritou, tentando conter o irmão, ele sabia como o seu irmão mais novo amava a menina.
_ Cala a boca, Rodolfo, minha bolotinha acabou de ser raptada. - Bella ficou histérica.
_ Ficar gritando um com os outros não vai resolver nada. - Proferiu Draco que estava junto com Leesa e Cristal. Ele estava calmo, nem parecia que Sienna tinha acabado de ser raptada. _ Sienna quase foi beijada por um Dementador, foi agredida por uma Corvinal e quase foi morta por uma tentativa de assassinato, mas ela sempre ficou bem.
_ Não sabia disso. - Antonin se virou para os adolescentes e disse apertando a varinha em sua mão.
_ Eu só fiquei sabendo da tentativa de assassinato. - Proferiu Rabastan, se distanciando de Lucius.
_ Quero que vocês a achem. - Digo olhando para eles.
_ Qual é o motivo dessa obsessão com a minha filha, milorde? - Perguntou Antonin com raiva.
Ando até a ele e peguei em seu colarinho, tentando conter a minha raiva.
_ Porque sua filha é minha! - Digo entre dentes. Alguns dos meus seguidores suspiraram em horror.
_ Ela é apenas uma criança. - Coloquei a minha varinha em sua jugular e sorri.
_ A criança mais fascinante que já conheci por todos esses anos. - Apertei minha varinha em minha mão. _ Agora você vai parar de falar e vai tentar encontrar Sienna, ou terei que te submeter a um cruciatus?
_ Irei encontrar Sienna, milorde. - Disse tremendo.
_ Darei uma semana a vocês para encontrá-la. - Digo indo em direção da porta.
_ E se não a encontrarmos? - Perguntou Leesa.
_ Então. - Sorri psicótico. _ O amor que sinto pela Sienna fará que o mundo entre em guerra novamente. - Ri, vendo suas faces de horror. _ Então é melhor não me decepcionarem.
Mas um elfo sorria ao ouvir que Sienna havia sido raptada, mas seu sorriso se desfez, quando ele viu Dobby o olhando paralisado com suas vestimentas surradas.
_ Dobby não gostou do seu sorriso, Dobby deveria contar para o Lorde, mas Dobby tem medo daquele que está acima de você.