Capítulo 17 - Professor substituto

1996 Palavras
A segunda-feira amanheceu tranquila, não havia a tensão da espectativa de encontrar Ethan, diferente das quartas e sextas as segundas ela podia respirar tranquilla sem medo de revelar aquilo que tentava esconder. Elena atravessou o campus com o peito leve a cabeça tranquila, não iria sofrer por atencipacao, deixaria para se preocupar na quarta, hoje ela queria apenas o equilíbrio emocional que o dia lha permitia. Entrou na sala, colocou o notebook na mesa, respirou fundo e tentou se distrair arrumando a caneta ao lado dele, como se organização pudesse substituir paz emocional. — Morrison! — a voz de Daniel irrompeu atrás dela. — Você sumiu o fim de semana inteiro! — ele disse, com aquela energia expansiva de sempre. — Onde você se meteu? O coração dela congelou. Era a pergunta perfeita… e a mais perigosa. — Eu estava na casa de uma amiga. — respondeu rápido demais. — A gente estudou, e aí veio a chuva… acabei ficando por lá. - ela o olhou desconfiada - Como sabe que passei o fim de semana fora? Daniel deu uma risada leve. — Como você não estava, eu acabei ficando por lá. Elena piscou, surpresa. — Você e… Luna? Quando isso começou? Ele ficou vermelho, mas orgulhoso. — Começou porque quando eu te ajudava a caminhar por causa dor tornozelo você demorava demais para se arrumar. — Ele deu um sorriso maroto. — Era mais interessante conversar com sua colega de quarto do que olhar para o teto. E sinceramente fique a vontade para sumir o fim de semana sempre que quiser. — Acho que posso fazer isso desde que não usem minha cama e nem minha escova de dentes — ela respondeu rindo, empurrando o ombro dele. Eles riram. Um riso confortável, leve, íntimo de amizade. E foi exatamente nesse instante que Ethan atravessou o corredor Ele vinha apressado, convocado para substituir outro professor cujo voo não conseguiu pousar pela tempestade. Não estava previsto que ele estaria ali nem na grade, nem no plano emocional dele. E então ele viu Elena. Rindo. Com Daniel. Perto. Demais. O peito dele deu um espasmo. No momento em que se aproximou dela ouviu Daniel comentar. — Agora fiquei tentando, da proxima vez vou usar a sua cama. Ela riu da provocação e respondeu algo que Ethan não conseguiu ouvir. Uma secretária entrou na sala naquele momento entregando um papel a Ethan. — Professor Hayes, a coordenação pediu para você assinar a substituição. Ele teve que virar para preencher o formulário. Quando olhou de volta, Elena e Daniel ainda riam, próximos, uma cumplicidade calorosa entre eles. Algo dentro de Ethan entrou em chamas. A sala ainda estava barulhenta quando ele entrou, mas o silêncio veio quase instantâneo com a presença dele. Ele colocou o material na mesa, mas os olhos fixos em Elena e Daniel. A voz de Ethan saiu fria, cortante, sem emoção o único recurso de sobrevivência: — Senhorita Morrison… senhor Stevenson… se não se importarem, eu gostaria de começar a minha aula. Elena perdeu o ar Ele prendeu o dele. Ninguém percebeu. Mas para eles era como estar novamente nus, expostos e vulneráveis. Daniel endireitou a postura, casual. Elena ficou imóvel, com o rosto queimando. E então, para torturar Ethan sem nem saber, Daniel se ajeitou na carteira ao lado dela. — Vou sentar aqui hoje — disse despreocupado. — Ficamos juntos no projeto mesmo. Ethan sentiu aquilo como uma agressão. Ele respirou fundo. Precisava ser professor. Precisava ser gelo. Precisava ser qualquer coisa que não o homem que passou o fim de semana escutando Elena sussurrar o nome dele. Começou a aula. Mas cada palavra parecia cortada ao meio. Ele falava sobre estratégia de mercado… e se lembrava da boca dela. Ele explicava sobre comportamento do consumidor…e lembrava da forma como ela tremia em seus braços. Ele tentava olhar para a turma como sempre…mas os olhos voltavam para ela como ímã. E ela sabia. Por isso não olhava. Elena mantinha a atenção rígida na tela do notebook, o maxilar travado, as mãos trêmulas sobre o teclado. Se olhasse para ele por um segundo, todos perceberiam. Daniel, sem perceber nada, se inclinava perto demais para fazer comentários, apontava coisas na tela dela, fazia piadas baixas. E cada sorriso dela era um gatilho para Ethan. A aula se arrastou com uma tensão fora do alcance do resto da classe. Quando o relógio anunciou o fim da aula Daniel se levantou com preguiça. — Almoço no refeitório? — perguntou animado para Elena. Antes que ela respondesse, a voz de Ethan atravessou o espaço, firme demais: — Senhorita Morrison, preciso falar com você, serei breve. Daniel olhou entre os dois, sem entender. Elena olhou para a mesa, tentando esconder o tremor. — Te encontro no refeitório — ela disse para o amigo. Daniel saiu. A porta se fechou. A sala ficou vazia e cheia demais ao mesmo tempo. E naquele momento Elena e Ethan se permitiram olhar um para o outro. Ele deu um passo à frente, e o olhar que lançou sobre ela não era neutro, nem profissional. Era de posse. De desejo reprimido. De ciúmes não disfarçado — Senhorita Morrison não é apropiado o jeito como estava íntima do seu colega de classe hoje mais cedo — disparou sem rodeios. — Isso é uma sala de aula Senhorita, e não um bar de encontro. O sangue dela congelou e ferveu ao mesmo tempo. — Somente agora que percebeu isso professor Hayes, quando lhe é conveniente? A fala dela o desarmou. Ethan respirou fundo, como se aquilo tivesse atingido onde doía. — Você está tentando me provocar? — sua voz saiu rasgada. — Achei que já havíamos passado desse ponto, mas ver ele se inclinando perto demais. Se sentando ao seu lado. A mão dele encostando na sua cadeira, falando sobre sua cama e você… tão confortável com aquilo. Enquanto eu tinha que olhar e fingir que não queria arrancá-lo de perto de você. A confissão explodiu entre os dois. Elena sentiu o corpo inteiro estremecer — não por medo, mas porque ouvir aquilo acendia algo dentro dela, algo proibido e quente. — Eu nem sabia que você estaria aqui hoje— disse ela, mesmo com a voz fraca — Você realmente acha que eu flertaria com outro homem depois de tudo que aconteceu com a gente? O olhar dele queimou, febril. — E você acha que é fácil pra mim? — Ethan deu mais um passo, tão próximo agora que ela sentiu o calor dele. — Ficar a dois metros de você… lembrando exatamente como você geme quando eu toco em você? Ela perdeu o fôlego. O ar entre eles mudou, elétrico, denso, s****l. — Pare. — Ela sussurrou, não porque queria parar, mas porque estava perdendo o controle. — Não faz isso. Ele a encostou contra a mesa, as mãos apoiadas na lateral dela prendendo-a sem tocar, exatamente perto demais para ser apropriado e longe demais para um beijo. — Eu quero você — murmurou, os olhos fixos nos lábios dela. Elena tentou recuperar a voz. — Eu estou aqui A tensão entre os dois mudou de direção. Não diminuiu ficou ainda mais íntima, mais dolorosa. Ethan baixou a cabeça por um instante, como se estivesse lutando para se controlar. Quando ergueu novamente, os olhos estavam sombrios, ardentes, desesperados. — Eu estou perdendo o controle— disse, rouco. — Eu ainda sinto você no meu corpo, ainda estou com a marca da sua boca no meu pescoço, mas não é o suficiente. Vai antes, que eu perca a razão. Ela sentiu as pernas quase falharem, pegou a bolsa e caminhou em direção a porta, antes de abrir ela se virou e o olhou nos olhos como um convite. — Você me quer — ela disse ela com voz carregada de desejo. — Quero. — Ele confirmou sem piscar. — A ponto de perder o controle se você não sair agora. O trovão lá fora pareceu marcar o silêncio entre eles. — Então me tenha - disse ela simplesmente A frase saiu de Elena sem tremor, mas a forma como Ethan a olhou como se o mundo tivesse acabado ali fez seu corpo inteiro arrepiar. Em dois passos ele atravessou a sala, agarrou o rosto dela com as duas mãos e a boca dele encontrou a dela com uma força que era fome, saudade e desespero misturados. Elena soltou um suspiro que ele engoliu no beijo. Tudo aconteceu rápido, como se tivessem esperado tempo demais. A bolsa dela caiu no chão com o estrondo abafado. Ethan a puxou contra o corpo, colando-a a ele como se precisasse sentir cada centímetro de sua pele através da roupa. As mãos dele subiram para a cintura, depois para as costas, depois para o cabelo, como se ele não conseguisse decidir onde tocar primeiro. Eles tropeçaram para trás até encontrarem uma parede na lateral da porta, ela bateu contra a parede e soltou um gemido involuntário que fez Ethan perder o último fragmento de controle. Elena segurou a nuca dele e puxou-o para ainda mais perto um beijo urgente, profundo, quase violento. Era como se os dois estivessem tentando m***r a distância que a segunda-feira tinha imposto. As mãos de Ethan subiram pela barra da camisa dela e Elena arqueou o corpo para ele. Era insano, era errado, era arriscado e justamente por isso parecia impossível parar. Cada toque parecia dizer eu preciso de você. Cada respiração ofegante dizia eu não consigo ficar longe A chuva batia forte nas janelas da sala. Os trovões abafavam os sons que escapavam pelos lábios deles. O mundo inteiro parecia se resumir a dois corpos que não sabiam mais como existir separados. Ethan encostou a testa na dela, tentando respirar, tentando se controlar e falhando. — Me diz que você quer isso. Agora. Aqui. — ele murmurou, como se precisasse de autorização para destruir todas as regras. Ela não hesitou nem por um segundo. — Eu te quero. De qualquer forma. Em qualquer lugar. Ele fechou os olhos por um instante, como se aquilo o quebrasse. Depois a levantou pela cintura e a colocou sentada na mesa próxima à parede lateral, os corpos se encaixando de um jeito que tirou a respiração dos dois. O beijo voltou feroz, faminto, o tipo de beijo que só existe quando se passa o dia inteiro tentando não tocar o outro. Elena passou as mãos por baixo da camisa dele, sentindo os músculos tensos, o coração acelerado. — Você está me deixando louco… — Ethan disse entre beijos, como se fosse uma confissão dolorosa. — Você já me tem assim.— Elena respondeu, puxando-o de volta. Havia ali fogo demais para ser controlado. Se alguém abrisse aquela porta, tudo acabaria. Mas nenhum dos dois se importava. A paixão deles não era mais uma ameaça. Era uma necessidade. E naquele instante naquele beijo, naquele toque desesperado, naquele risco eles não eram professor e aluna. Eram apenas dois corpos que se queriam mais do que conseguiam suportar. O beijo continuava urgente, intenso, desmedido, mas de repente Ethan fechou os olhos com força, como se fosse lutar contra uma força maior que ele. A respiração estava acelerada demais, o corpo dele pressionado ao dela, tudo dizendo “agora”. Mas algo uma última linha invisível ainda existia. Ele afastou a boca apenas um centímetro da dela, ainda segurando o rosto de Elena com as duas mãos, a testa colada à dela. - Você precisar ir agora - ele pediu como uma súplica — Porque se eu continuar… eu não paro nunca mais. Devagar, ele a ajudou a descer da mesa, as mãos dele ficaram na cintura dela mais tempo do que deviam antes de finalmente soltarem. Elena pegou a bolsa do chão, arrumou as roupas e o cabelo, silenciosa, ainda ofegante. Ethan passou a mão pelo cabelo, tentando recuperar algum controle. Assim que a porta fechou atrás dela, Ethan prendeu a respiração como se tentasse sufocar o que sentia e falhou.
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