Capítulo XVI

765 Palavras
40ª Semana Comparação: Abóbora Peso aproximado: 3,5 kg Tamanho: 53 cm Dias de gravidez: 280 dias Rebekah estava deitada, distraída no celular, quando sentiu algo quente e estranho na cama. Franziu o cenho, mexendo-se desconfortável. — d***a… — murmurou. Outro líquido escorreu, e seu coração disparou. Ela se sentou de uma vez. — Jhonny! — gritou, a voz falhando. — O que foi? — Jonathan respondeu da sala, ainda digitando no notebook. — Ou eu fiz xixi na cama… — ela respirou fundo — ou… Jonathan já estava na porta do quarto. — Ou? — A Kayla tá vindo. O sorriso dele sumiu. Em segundos, Jonathan ajudou Rebekah a se levantar, pegou a bolsa, as chaves e praticamente a conduziu para fora. O caminho até o hospital foi rápido, mas para Rebekah pareceu eterno. No quarto, ela andava de um lado para o outro, xingando baixinho. A cada contração, seu corpo travava, como se estivesse sendo rasgado por dentro. — Eu não aguento mais… — gemeu. — Quando vão enfiar logo essa agulha na minha coluna? — Chama anestesia — Cher corrigiu, tentando manter a calma. — E você ainda não pode. O médico disse que não dilatou o suficiente. — Não é possível! — Rebekah rebateu, quase chorando. — Eu vou ter que esperar piorar? A resposta veio em forma de dor. Uma contração forte a fez gritar, dobrando-se sobre a cama. Pouco depois, a médica entrou e tudo aconteceu rápido demais. Rebekah foi colocada na maca e levada para a sala de parto. Jonathan foi o único a acompanhá-la. A dor era insuportável. Quanto mais força ela fazia, mais parecia que seu corpo se despedaçava. Rebekah apertava a mão de Jonathan com tudo que tinha, sem perceber se machucava. — Respira, Bekah… olha pra mim… — ele dizia, a voz firme apesar do medo estampado no rosto. Quando mandaram empurrar, ela reuniu o pouco de energia que restava. Um último grito. Um último esforço. Então, o choro. O som encheu a sala, ecoando como um alívio. Rebekah jogou a cabeça para trás, o corpo mole, os olhos ardendo de cansaço. Ela sorriu antes de apagar por alguns segundos. Depois de todos os procedimentos, Rebekah foi levada para o quarto com Kayla nos braços. Quando o enfermeiro saiu, Jonathan entrou acompanhado de Cher e Ray. — Você foi incrível, Bekah — Cher disse emocionada. — Conheçam a Kayla — Rebekah murmurou, afastando a manta do rostinho. Kayla bocejou e abriu os olhos devagar. Azuis. Intensos. Claros demais. Cher olhou para o bebê. Depois para Jonathan. Depois para Rebekah. — Que olhos lindos… — comentou, com um sorriso carregado de ironia. — Realmente — Ray começou, mas parou ao perceber o clima. — Até que lembram os do… — Do quê? — Jonathan perguntou, confuso. — Ah, de alguém da faculdade — desconversou. Jonathan sorriu, bobo. — Devem ser iguais aos meus de tanto que falei com ela durante a gravidez. Rebekah engoliu em seco. A enfermeira entrou pedindo a assinatura de alguns papéis. Jonathan saiu com Ray. — Agora você não pode mais fingir — Cher disse em voz baixa. — Ele é o pai. — Para, Cher — Rebekah pediu, firme. — Eu não lembro de nada. E ele também não. Isso não existe. — Negue o quanto quiser. Jonathan voltou com boas notícias: alta no dia seguinte. Em casa, horas depois, Rebekah amamentava Kayla no sofá. Jonathan, parado na porta, observava a cena em silêncio. O coração apertava toda vez que se permitia imaginar uma vida que talvez nunca fosse sua. — Vai ficar me olhando até quando? — ela brincou. — Eu não estava te olhando — mentiu m*l. Ela riu. Jonathan levou Kayla para o quarto. Ao colocá-la no berço, falou baixinho: — Eu prometo cuidar de vocês. Sempre. Vou fazer de tudo para você e sua mãe serem muito felizes. O que depender de mim, será feito. — Ele disse passando a mão delicadamente pelos cabelinhos dela. Kayla respirou fundo adormecida e Jonathan sorriu. — Eu vou sempre estar com vocês e quem tentar impedir, terá problemas comigo. Não importa quanto tempo, você sempre será a minha garotinha. — Não acredito que perdi o posto de garota favorita — Rebekah disse da porta. Jonathan se assustou. — Tempo suficiente — ela completou — pra saber que você vai ser um pai maravilhoso. — Eu faço tudo porque te amo — ele disse, sem conseguir segurar. — Eu também te amo — Rebekah respondeu, abraçando-o. — Você é meu melhor amigo. Ele respirou fundo. Será que algum dia ela entenderia?
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