Jonathan afim de mim… que bobagem.
Por que diabos aquele comentário tinha ficado ecoando na sua cabeça como uma música r**m que se recusa a sair? Rebekah virou de lado na cama, encarando o teto, irritada consigo mesma. Talvez porque nunca tivesse parado para pensar nisso de verdade. Ou talvez porque fosse exatamente isso: uma bobagem grande demais para ignorar.
Não era um sentimento que ela estivesse pronta para encarar. Mesmo que, racionalmente, as chances fossem quase impossíveis. Quase.
Jonathan tinha a própria vida, seus anos de amizade com outros garotos, noites que ela preferia nem imaginar. Mulheres, risadas fáceis, histórias que não incluíam o nome dela. Rebekah não estava preparada para se colocar naquele lugar, o lugar da possibilidade.
Muito menos Jonathan, concluiu.
De qualquer forma, havia coisas mais importantes para fazer. Ou pelo menos era isso que ela repetia para si mesma.
Permaneceu mais alguns minutos na cama, adiando o inevitável, até decidir se levantar de uma vez. Se se arrumasse rápido o bastante, talvez conseguisse impedir que sua mente voltasse aos pensamentos de minutos atrás. O comentário de Cher tinha incomodado, sim, não de um jeito r**m, mas do tipo perigoso. O tipo que planta ideias.
— Novos pensamentos — sussurrou para si mesma. — Novos pensamentos, Rebekah.
Descia as escadas quando Angelita surgiu no topo, como se estivesse sempre ali, à espera.
— Bom dia — disse, com um sorriso doce demais para ser recusado. — Preparei o café da manhã para a senhorita.
— Não precisa, Angelita. Estou atrasada.
— Claro que não está! — rebateu, como se a palavra “atraso” não existisse naquele mundo. — O motorista já está esperando. Trate de comer e depois irá para a escola.
Rebekah suspirou, derrotada. Murmurou algo ininteligível e seguiu para a cozinha. A mesa estava farta como sempre: pães, bolos, queijos, sucos. Uma abundância que só a fazia sentir ainda menos fome. Para não decepcionar Angelita, serviu-se de um copo de suco de laranja e um pequeno pedaço de bolo.
No caminho para a escola, tentou, sem sucesso, domar o cabelo que insistia em escapar do r**o de cavalo, como se até ele estivesse de mau humor naquela manhã.
Ao chegar, foi direto ao armário, conferiu o horário. Biologia.
Pegou os cadernos e seguiu para o laboratório.
A maioria da turma já estava acomodada com suas duplas. Não foi surpresa perceber que a sua havia faltado. Rebekah conteve um resmungo e sentou-se no lugar de sempre.
O problema de ter a mesma dupla em todas as aulas de Biologia era justamente esse: quando a pessoa não vinha, você ficava ali, deslocada, como uma peça sobrando. Rebekah nunca foi boa em criar novas conexões. As poucas amizades que tinha sempre pareceram suficientes.
Até o momento em que não estavam presentes.
Ela não precisava me avisar. Somos só colegas de classe. Só isso, certo?
Certo.
Respirou fundo quando alguém ocupou a cadeira vazia ao seu lado.
— Joseph Kingsley, perdeu algo?
— Só Joey, sério — ele revirou os olhos. — Minha dupla não veio. Vou sentar aqui.
— Jura? — o deboche veio automático. — Não quero problemas com sua namorada.
— Ela não é mais minha namorada, Bex — respondeu, piscando.
Antes que ela pudesse retrucar, o professor Carter entrou na sala, já indicando a página do livro.
No refeitório, Rebekah optou por um iogurte de morango light. Não estava exatamente com fome, mas precisava ocupar as mãos com alguma coisa. O ambiente estava mais barulhento que o normal. Cochichos, risadinhas, olhares atravessados.
O motivo? O aluno novo.
Segundo os boatos, maravilhoso demais para passar despercebido.
Ela tivera Matemática com ele no horário anterior. Parecia… normal. Educado. Diferente. Joey, por outro lado, tornara a aula quase insuportável com sua tagarelice sem fim. Ainda assim, por mais defeitos que tivesse e ele tinha muitos, no fundo, bem no fundo, Joey não era uma pessoa r**m.
Rebekah só não tinha paciência para quem falava demais sem chegar a lugar algum.
Estava perdida nesses pensamentos quando viu Maya e Mia se aproximarem.
Hoje não, implorou mentalmente.
— Soube que fez dupla com o meu namorado hoje — disse Maya, com um sorriso fino demais para ser sincero. — Espero que não se acostume. Deve ter sido ordem do professor. Uma caridade.
As duas riram, um riso ensaiado, cortante.
— Pelo que fiquei sabendo, ele não é mais seu namorado — rebateu Rebekah, com calma calculada. — E, não que eu te deva explicações, mas ele se sentou ao meu lado porque quis. Pergunta a ele.
Piscou, provocativa.
— Parece que quem te informou está completamente enganada — Mia disse, com desprezo. — Não terminamos. Estamos só dando um tempo.
— Isso é um término, meu anjo — Rebekah sorriu de canto. — Não existe essa de “dar um tempo” desde 1996. Ross Geller que o diga.
Antes que a resposta viesse, Joey sentou-se ao lado dela.
— Bex, você viu o garoto novo? Ele tem irmã mesmo?
— O quê? — Rebekah se virou, confusa.
— Joseph — Mia interveio, com falsa doçura. — O que está fazendo falando com ela?
— Comendo — respondeu, apontando para a bandeja. — Sentado.
— Com ela? — insistiu.
Rebekah observava em silêncio. Por dentro, uma satisfação perigosa crescia. Não era orgulho. Era uma vingança silenciosa.
— Não vejo problema — Joey deu de ombros. — E eu sairia com ela, sim. Qual o problema nisso?
O rosto de Mia endureceu.
— Ninguém se interessaria por ela — disparou. — É só olhar.
— Eu olhei — Joey respondeu, tranquilo. — E não vi problema nenhum.
— Você vai pagar por isso! — Mia levantou-se, furiosa.
— À vista ou no crédito? — ele rebateu.
As gêmeas saíram, indignadas.
— Uau, Joseph Kingsley — Rebekah disse, impressionada. — Quem é você e o que fez com o antigo Joey?
— Você disse pra mudar, lembra? — Ele sorriu. — Agora… ele tem irmã, Bex?
— Eu não sei, Joey — ela riu. — Eu realmente não sei.