Matteo narrando A moto rugia enquanto eu subia o morro, cortando o vento frio da noite. A favela tava viva como sempre: crianças correndo descalças pelos becos, as luzes das casas piscando e o cheiro de churrasquinho no ar. Eu tava cansado depois de um dia longo resolvendo meus corres, mas só de pensar em chegar em casa e ver a Vick e o Heitor, tudo valia a pena. Estacionei a moto na frente do barraco e subi os degraus apressado. Abri a porta e o cheirinho da Vick logo me acertou. Ela tava sentada no sofá, com o Heitor no colo, olhando pro nada com um olhar distante. A luz fraca iluminava o rostinho dela, mas tinha algo errado ali. — Cheguei, amor! — falei tirando o boné e colocando as chaves da moto no balcão. Heitor me viu, esticou os bracinhos e abriu aquele sorriso banguela que de

