Diego narrando A Júlia tinha dormido. Ou pelo menos fingia, porque toda vez que eu olhava pra ela, dava pra ver que os olhos dela tavam fechados com força, como se ela quisesse desligar do mundo. A cabine do jato tava um silêncio mortal, só o barulho do motor cortando o ar. Minha cabeça fervia. — Essa p***a tá estranha demais, maluco — murmurei pra mim mesmo, passando a mão pelo cabelo. Peguei o celular e fiquei encarando o número do meu pai. Eu não queria ligar, mas o negócio tava estranho demais pra eu não contar. Meu pai tinha que saber. Respirei fundo e disquei. O telefone chamou três vezes antes de ele atender. — Fala, Diego. Chegou no Rio já? — a voz dele veio direta, como sempre. — Ainda não, pai. Mas tem uma parada bizarra acontecendo aqui — comecei, tentando organizar os pen

