Diego narrando A porta do escritório bate atrás de mim, ecoando pelo corredor vazio. Minha orelha ainda arde do tapa que o velho me deu. Nunca, em todos esses anos, meu pai tinha encostado a mão em mim dessa forma. No treinamento, sim, claro. Ele era rígido, não pegava leve comigo, mas ali era diferente. Era treino, era pra me moldar. Hoje, foi humilhação. Ele me tratou como se eu fosse qualquer um, como se eu não fosse filho dele, como se eu não fosse sangue do sangue dele. Desço as escadas, pisando firme, com o peito cheio de raiva e o coração pesado. Não vou procurar ele mais. Se ele acha que pode me tratar assim, que se dane. Eu vou pro Brasil, vou fazer o que ele mandou, mas do meu jeito. Vou provar que eu sou tão bom quanto ele, que eu sou capaz de carregar o nome da nossa família

