A noite havia caído pesada sobre a fazenda. O silêncio tomava conta da casa grande, quebrado apenas pelo som distante dos insetos e do vento passando pelas árvores. Ofélia estava deitada, mas não dormia. Havia dias que algo não se encaixava. Olhares. Ausências. Silêncios. Ela virou levemente o rosto quando percebeu o movimento ao lado. Santiago se levantava devagar, tentando não fazer barulho. Vestiu a camisa com cuidado, pegou as botas nas mãos. Ofélia manteve os olhos semicerrados. Observando. Esperando. Ele caminhou até a porta… abriu lentamente… e saiu. O coração de Ofélia acelerou. Ela esperou alguns segundos. Levantou-se em silêncio. Colocou um xale sobre os ombros e saiu atrás dele. O corredor estava escuro. A casa inteira dormia. Mas Ofélia conhecia cada passo da

