Capitulo 1

1011 Palavras
Meu nome é Jamila. Eu sou uma escrava! Tenho 11 anos e nasci em Moçambique. Mas agora estou vivendo em Pernambuco no Brasil. Mas nem sempre foi assim, só que sempre foi muito difícil. No país onde eu nasci eu mora com meus pais e meus irmãos. A gente vivia fugindo, não queríamos viver a escravidão, algumas pessoas se juntaram a nós e formamos um grupo de negros fugitivos, não era fácil dormir no mato e muitas vezes passar fome e sede, mas a gente estava lutando para não ser tratados como animais, queríamos se sentir gente, e ter direito de viver com nossa família,e ser feliz. Mais um dia a nossa fuga acabou, fomos capturados para uma senzala. Eu conseguia ver o medo nos olhos dos meus irmãos. Aziza de 6 anos e meu irmão Amir de 4 anos setado no colo da minha mãe chorando e chamando pelo nosso pai que ficou do lado de fora acorrentado. Minha mãe tentava se mostrar forte. " Amir seu pai daqui a pouco estara aqui,logo logo você sentara no colo dele novamente." Então o choro do meu irmão parava e dava mas os olhos dela brilhava cheios de água. Eu sabia que ela estava com medo do que poderia acontecer com a gente dali pra frente. Sempre me contou do que acontecia com o nosso povo, quando eram capturados pelos Brancos e deportados para trabalhar em outro país. Gritos do lado de fora interromperam os meus pensamentos. Homens estavam sendo açoitados cruelmente do lado de fora da senzala. Minha mãe começou a chorar com medo do que poderiam estar fazendo com o meu pai. Tentei me levantar na tentativa de olhar pelo buraco da porta, e ver o que estava acontecendo com o meu pai. Senzala era muito apertada não conseguimos ficar em pé, e tinha muita gente sentadas no chão e um mau cheiro terrível. Eu consegui a ouvir os passos pessoas caminhando acima de nós, estávamos abaixo da sala dos Senhores daquela terra. Minha mãe tentou fazer com que eu desistisse de ir até a porta.Mas eu precisava saber o que estava acontecendo com meu pai. Consegui ver meu pai no chão com pés encaixados no tronco, e outros homens amarrados,sendo açoitados como animais,gritando de dor enquanto os outros,simplismente abaixava a cabeça, sem poder fazer nada contra aquela crueldade. "Jamila você conseguiu ver o seu pai? " Sim mãe ele está no chão sentado com os pés encaixados no tronco junto com outros homens." " Tudo bem filha, vem para cá vai ficar tudo bem não se preocupe,vamos ficar todos juntos aqui." "Mãe eu estou com medo o que vai acontecer com a gente." " Minha filha eu quero que você seja forte e me ajude a cuidar dos seus irmãos, e faça tudo que eles os homens brancos mandarem." Ficamos abraçados com nossa mãe até caímos no sono e sermos acordados por homens gritando com chicotes na mão. Fizemos uma fila onde foram colocadas algemas em nossas mãos nos prendendo a uma corrente só, e obrigados a andar em direção é um navio, de longe eu pude ver meu pai no navio, também acorrentado a outros homens. Todos estavam com muito medo, alguns resistiam para não ser levados para dentro do navio, e acabavam levando chicotadas. No chão havia sangue e dentro do navio um fedor horrível de podre, havia fezes e comida estragada pelo chão. O cheiro de morte se mistura se com gemido de dor e de choro de homens mulheres e crianças acorrentados naquele porão. Consegui me aproximar de meu pai e ganhar um beijo e um abraço,não sabia que ia ser o último logo depois ele contraiu uma doença, eu não sabia de certo quantos dias estávamos dentro daquele navio, mas muitas pessoas estavam doentes , vomitando e com febre. Minha mãe tentava ajudar pedindo água, masa água que chegava até nós era do mar, meu pai só foi piorando. Até chegar dois homens que pegou ele os outros doentes, minha mãe chorava muito pedindo para que não fizessem nada de m*l com meu pai meu pai pegou em sua mão e colocou a aliança que estava em seu dedo. "Iname cuida dos nossos filhos eu te amo." Ele e mais dois homens e uma criança foi jogado ao mar ainda com vida para não contaminar os outros, e o silêncio de dor e desespero tomou conta no porão escuro daquele navio. Com soluço do choro de meu irmão minha mãe dessa vez não conseguiu esconder a sua dor e sofrimento. E aquela viagem parecia não ter fim. Fui colocada para ajudar a servir a comida essas mulheres, e percebi minha mãe começou a tossir. " Mãe está tudo bem com a senhora?" " Sim Jamila não se preocupe." Quando ela me abraçou sentir o seu corpo quente. Os dias foram se passando e percebi que ela estava um pouco mais afastada de mim e de meus irmãos, até que ela me chamou, meu sangue esfriou na mesma hora, e ouvir o que eu não queria, que ela estava doente que nem o meu pai, eu tentei abraçá-la mas ela não deixou. " Mãe eu não quero que joguem a senhora no mar como fizeram com meu pai, por favor não deixa a gente sozinha." " Jamila você precisa ser forte, e ficar ao lado dos seus irmãos durante essa viagem, talvez vocês sejam separados ,mas saiba que sempre vou estar com você e com eles, eu amo vocês com toda minha força e seu pai também amou cada um de vocês estaremos ao seu lado, preciso que seja forte minha Jamila." " Eu não sou forte minha mãe como você." "Mas é necessário agora,quero que você evite estar ao meu lado e que seus irmãos também não fique perto de mim para não se contaminarem, você faz isso por mim." "Sim mãe." "Te amo muito minha filha." Alguns dias depois minha mãe morreu e também foi jogado ao mar, continuei ajudando ajudando as mulheres no porão do navio e a cuidar dos meus irmãos.
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