Levantei do chão, passei a mão no rosto como quem tenta arrancar a própria pele, e fui direto trocar de roupa. Nada de pensar. Pensar só piorava. Tinha que bater em alguma coisa antes de bater em mim mesmo. O relógio nem tinha chegado nas seis. O céu ainda era quase madrugada. Eu saí mesmo assim. A rua tava vazia, vento cortando, mas por dentro eu tava incendiando. Quando empurrei o portão do galpão, o ranger soou alto pra c*****o. Só eu e o eco. O cheiro de lona, suor e ferro velho me recebeu como tapa. Enrolei a atadura devagar, puxando com força demais. Minha mão já tava doendo só no ato de amarrar. — Tá cedo até pra tu, Monteiro. — A voz veio das cordas. Duda tava lá, com o casaco meio aberto, café na mão, cara de quem viu a própria vida e decidiu que não tem mais medo de n

