Cap. 3

691 Palavras
Quando entrou em casa Abby viu que seu pai havia retornado. Ele apenas tinha ido a cidade comprar mantimentos e a essa altura sua mãe já estava higienizando e guardando-os. - Papai. - Abby falou enquanto dava um longo beijo na testa se deu pai e ignorava George que estava sentado na direção oposta. - Titio. - Lucia disse animadamente enquanto depositava um beijo fraternal em Rick. Ele não era de fato seu tio, ela é Abby não tinham nenhum parentesco, mas foram criadas como se tivessem o mesmo sangue. Os Blackburn e os Cooler eram inseparáveis. Tudo havia começando quando Rick e Anthony Blackburn se conhecerem em Edimburgo, fizeram faculdade juntos e desde então, nunca mais se separaram. Fizeram questão de comprar terras lado a lado e dessa forma permaneciam até hoje. Inicialmente sonhavam com uma aliança entre suas famílias, mas dado ao fato de que, Rick tivera apenas Abby e Anthony tinha apenas George, desistiram da ideia. - Olá queridas. Viu George ali? .- Ele indagou a Abby de maneira séria. Ela fez um sinal de pouco caso, manuseou o ombro para trás e fechou os olhos. - Sim. Com vossas licenças, vamos fazer coisas de garotas. - Pronunciou em um claro tom de ironia dando de ombros enquanto puxava Lucia. - Deixe-me dar um oi a sua mãe pelo menos. - A amiga gritou enquanto era puxada escada a cima. Rick balançou a cabeça enrubescido. Nunca poderia justificar os atos de sua filha e tampouco conhecia desculpas o suficiente para isenta-la de tanta culpa. Abby se jogou na cama e bufou. Lucia certificou-se de ter trancado a porta, olhou para os lados e se sentou em frente a sua amiga. - Preciso lhe confidenciar algo. - Disse num sussurro enquanto sorria. Ela se fez atenta a sua amiga e aproximou-se ainda mais. Então, Lucia prosseguiu. - Estou apaixonada. O queixo de Abby caiu em um leve "o". Nunca haviam tido uma paixonite que fosse, e não imaginava que Lucia a tivesse antes dela, dado o fato que, Lucia era dois anos mais nova. - Como? Quando? Quem? .- Perguntou desconexa. Lucia sentiu seu rosto queimar e torceu os lábios de maneira tímida. - John, ele quer cortejar-me da maneira adequada e ... Abby franziu o cenho. O homem em questão tinha uma fama deplorável. Todos na cidade diziam que ele não passava de um deflorador de jovens inocentes. Era um tirano libertino dos infernos. - Luci eu não acho que ... - Ela interrompeu a amiga, e foi interrompida. - Por favor Abby, somos mais inteligentes que as fofocas que circulam pela cidade. John é um bom homem. Talvez tenha feito besteiras quando mais jovem, mas ele está mudado. A amiga balançou a cabeça em negação. O último rumor que ouvira sobre o cavalheiro em questão era recente. - Não Luci, não creio que seja de fato assim. Ouvi rumores recentes sobre uma jovem a qual ele jurou casamento, a desvirtuou e não casou-se no fim das contas. Lucia levantou-se esbaforida. Havia trocado beijos apaixonados com o homem a quem a amiga tentava desmoralizar, e para ela, ele não era assim. - Oras, se fôssemos levar em conta os rumores dessa maldita sociedade deveria eu acreditar que você devia ter nascido homem? Abby engoliu em seco. Havia sofrido muito quando esses rumores surgiram e falar sobre isso ainda a magoava extremamente. Ouvir da boca de sua melhor amiga então, a havia estraçalhado. Percebendo o incômodo em seus olhos, Lucia apressou-se a dizer. - Desculpe Abby, eu não quis ... Os olhos azuis de Luci a fitavam com aflição enquanto o vento vindo da janela aberta bagunçava seus fios loiros. Luci era a definição de perfeição, seu rosto era angelical e seus modos de uma verdadeira dama. Abby as vezes perguntava-se como podiam ser tão unidas e tão distintas ao mesmo tempo. Lucia pegou as mãos de Abby e levou-as até seus lábios, beijando o nó dos dedos de sua amiga. Havia dito da boca para fora e não suportaria a ideia de ser o motivo para a mágoa de quem tanto amava. Amava Abby. Amava-a como uma irmã.
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