Quando entrou em casa Abby viu que seu pai havia retornado. Ele apenas tinha ido a cidade comprar mantimentos e a essa altura sua mãe já estava higienizando e guardando-os.
- Papai. - Abby falou enquanto dava um longo beijo na testa se deu pai e ignorava George que estava sentado na direção oposta.
- Titio. - Lucia disse animadamente enquanto depositava um beijo fraternal em Rick.
Ele não era de fato seu tio, ela é Abby não tinham nenhum parentesco, mas foram criadas como se tivessem o mesmo sangue. Os Blackburn e os Cooler eram inseparáveis.
Tudo havia começando quando Rick e Anthony Blackburn se conhecerem em Edimburgo, fizeram faculdade juntos e desde então, nunca mais se separaram. Fizeram questão de comprar terras lado a lado e dessa forma permaneciam até hoje. Inicialmente sonhavam com uma aliança entre suas famílias, mas dado ao fato de que, Rick tivera apenas Abby e Anthony tinha apenas George, desistiram da ideia.
- Olá queridas. Viu George ali? .- Ele indagou a Abby de maneira séria.
Ela fez um sinal de pouco caso, manuseou o ombro para trás e fechou os olhos.
- Sim. Com vossas licenças, vamos fazer coisas de garotas. - Pronunciou em um claro tom de ironia dando de ombros enquanto puxava Lucia.
- Deixe-me dar um oi a sua mãe pelo menos. - A amiga gritou enquanto era puxada escada a cima.
Rick balançou a cabeça enrubescido. Nunca poderia justificar os atos de sua filha e tampouco conhecia desculpas o suficiente para isenta-la de tanta culpa.
Abby se jogou na cama e bufou. Lucia certificou-se de ter trancado a porta, olhou para os lados e se sentou em frente a sua amiga.
- Preciso lhe confidenciar algo. - Disse num sussurro enquanto sorria.
Ela se fez atenta a sua amiga e aproximou-se ainda mais. Então, Lucia prosseguiu.
- Estou apaixonada.
O queixo de Abby caiu em um leve "o". Nunca haviam tido uma paixonite que fosse, e não imaginava que Lucia a tivesse antes dela, dado o fato que, Lucia era dois anos mais nova.
- Como? Quando? Quem? .- Perguntou desconexa.
Lucia sentiu seu rosto queimar e torceu os lábios de maneira tímida.
- John, ele quer cortejar-me da maneira adequada e ...
Abby franziu o cenho. O homem em questão tinha uma fama deplorável. Todos na cidade diziam que ele não passava de um deflorador de jovens inocentes. Era um tirano libertino dos infernos.
- Luci eu não acho que ... - Ela interrompeu a amiga, e foi interrompida.
- Por favor Abby, somos mais inteligentes que as fofocas que circulam pela cidade. John é um bom homem. Talvez tenha feito besteiras quando mais jovem, mas ele está mudado.
A amiga balançou a cabeça em negação. O último rumor que ouvira sobre o cavalheiro em questão era recente.
- Não Luci, não creio que seja de fato assim. Ouvi rumores recentes sobre uma jovem a qual ele jurou casamento, a desvirtuou e não casou-se no fim das contas.
Lucia levantou-se esbaforida. Havia trocado beijos apaixonados com o homem a quem a amiga tentava desmoralizar, e para ela, ele não era assim.
- Oras, se fôssemos levar em conta os rumores dessa maldita sociedade deveria eu acreditar que você devia ter nascido homem?
Abby engoliu em seco. Havia sofrido muito quando esses rumores surgiram e falar sobre isso ainda a magoava extremamente. Ouvir da boca de sua melhor amiga então, a havia estraçalhado. Percebendo o incômodo em seus olhos, Lucia apressou-se a dizer.
- Desculpe Abby, eu não quis ...
Os olhos azuis de Luci a fitavam com aflição enquanto o vento vindo da janela aberta bagunçava seus fios loiros. Luci era a definição de perfeição, seu rosto era angelical e seus modos de uma verdadeira dama. Abby as vezes perguntava-se como podiam ser tão unidas e tão distintas ao mesmo tempo.
Lucia pegou as mãos de Abby e levou-as até seus lábios, beijando o nó dos dedos de sua amiga. Havia dito da boca para fora e não suportaria a ideia de ser o motivo para a mágoa de quem tanto amava.
Amava Abby. Amava-a como uma irmã.