Capítulo 72 - Ataque à Borderwolf Pack

1275 Palavras
A madrugada caía sobre Costa da Lua como um véu frio, pesado, cheio de presságios. A brisa de julho trazia cheiro de pinheiro… e de perigo. Dentro da Casa dos Blackwolf, o silêncio que reinava se partiu quando Bryan começou a se vestir às pressas: couro, passos rápidos, respiração tensa. Cada zíper fechado soava como um tambor anunciando guerra. — Ainda acho que é uma péssima ideia você ir Mia … Mia que também já estava se arrumando, se vira para ele. O vínculo entre eles vibrou em alerta, esticado como corda prestes a romper. Mika rosnava sob sua pele, e um nó duro de preocupação e fúria apertou sua garganta. — Você acha mesmo que eu vou ficar aqui? — ela rebateu, puxando a bota com um movimento rápido e firme, como quem se arma para a guerra, enquanto começava a trançar os cabelos platinados com a precisão de uma loba pronta para matar. Os olhos de Bryan faiscaram. — Pode ser armadilha. Estão tentando te afastar da segurança. Você é o alvo. Mia terminou de ajustar a jaqueta de couro, o olhar firme, puxando o zíper até o pescoço como quem sela uma decisão irreversível. — E se for? — retrucou. — A capital estaria segura se todos os guerreiros partissem? Trevor é nosso aliado e está sangrando. Se ele sangra, nós também sangramos. Ele respirou fundo, passou a mão pelo rosto e cedeu, baixo: — Não sai do meu lado. Entendeu? Assentiu. O pacto foi silencioso, firme como aço. Pelos corredores a casa parecia um coração que prendia a respiração. Rosamund, a governanta, apareceu na porta do quarto das crianças: olhos turvos, prontidão imediata. — Luna, está tudo bem? — perguntou, voz de quem conhece riscos. — Não , temos uma emergência— Mia respondeu, segurando as mãos enrugadas da mulher como quem dá coragem. — Preciso que cuide dos meninos. Diga a eles que estamos resolvendo algo importante. Que a mamãe e o papai os amam mais do que tudo. Rosamund curvou-se, leal: — Voltem vivos. E vitoriosos, meus Alfas. A alcateia precisa de vocês. Mia acionou o link com Chloe, irmã mais velha, e a conexão atravessou a distância em segundos. “Preciso de você. Preciso que venha até minha casa. Chame Zoe. Protejam os meninos. Tobias Black está sob ataque.” “Entendido irmã ”, veio a voz firme. “Vou cuidar deles. Vai. Concentre-se na batalha.” Lá fora, um carro blindado n***o esperava. Benjamim Blackwolf consultava um tablet, austero e urgente. O comboio partiu; o aeroporto militar de Costa da Lua jazia isolado, jatos alinhados flechas metálicas prontas. No ar, as turbinas cantaram um réquiem de ferro. A cidade ficou pra trás em pontos de luz. Mia olhou para os filhos adormecidos na memória e deixou que Mika rugisse em liberdade: a loba estava acordada. O pouso foi uma porrada. O jato estalou contra a pista, a rampa abriu com um silvo e a madrugada revelou um inferno em chamas. Labaredas rasgavam o céu; fumaça, sangue e pólvora mágica formavam uma névoa que cheirava a derrota. Casas destroçadas, corpos no chão — cena de extermínio. Os guerreiros saltaram em formação. Bryan rugiu com o comando alfa: — Protejam civis! Salvem feridos! Abram caminho! Encontrem Tobias! Mia avançou pela ala leste quando ouviu um choro fraco entre dois corpos. Uma criança — viva. Um lobo inimigo saltou das sombras, garras prontas para atingir o pequeno. Mia se lançou para frente. Agarrou o lobo pelo focinho e pela nuca, torcendo o pescoço dele com um estalo seco que ecoou na praça. O corpo da criatura despencou no chão, inerte. Ela puxou a criança para perto e sussurrou: — Corre. Agora. A criança fugiu cambaleando, e foi aí que outros inimigos surgiram, cercando-a pelas laterais. Então veio o grito — urgente, desesperado: — cuidado, atrás! Ela girou no exato segundo em que um lobo cinza gigantesco saltava contra ela, garras direcionadas ao seu peito. Mas o ataque não a acertou — um guerreiro da Borderwolf se lançou na frente, interceptando a fera. O lobo rasgou o flanco dele, sangue jorrando numa ferida profunda. O homem gritou, mas seguiu firme, segurando o lobo por um instante precioso… Tempo suficiente para Mia reagir. Mika explodiu dentro dela. Mia agarrou o lobo pelas costelas, enterrando os dedos na carne. Com a força brutal de sua linhagem, puxou de ambos os lados — e quebrou o lobo AO MEIO, ossos estalando como madeira verde sob um machado. O corpo se abriu, caindo em duas partes no chão. Mia então se aproxima do homem que a salvou. — Eu só queria ajudar — murmurou ele, voz rouca. Sangue escorria. — E ajudou, você me salvou! — diz ela, calor no meio do caos. — Quem é você? — Paris Moreau — ele conseguiu. — Mia Blackwolf. Vamos tirar você daqui. Ela o apoiou até a área segura; curandeiros trabalharam como anjos feridos. Enquanto Mia salvava, Bryan e Ben localizaram Tobias. Cercado, com Adam ao lado, Tobias resistia com garras partidas e respiração curta. Bryan urrava — um uivo que era ordem e fúria — e dez leais o seguiram, abrindo caminho como uma lâmina. Bryan quebrou a linha inimiga, cada golpe preciso. Um atacante mirou Tobias; Bryan atirou-se e quebrou-o em instinto e força. Tobias, tosse e sangue, ergueu os olhos: — Vocês… vieram. — Nunca duvide de um Blackwolf — respondeu Bryan, puxando-o para cima. O céu clareava com lentidão c***l, expondo o que sobrou da noite: casas queimadas, telas de fumaça, cinzas como poeira de almas. O campo era um cemitério aberto: corpos, lamentos, rostos que não esqueceriam. No centro, Mia e Bryan — fuligem e sangue seco nas peles, olhos que contavam histórias de quem viu a morte de perto. Mika pulsava sob a pele dela, alerta contínuo. Bryan sustentava o queixo, mas a exaustão e o peso do comando vinham dos olhos. Paris, dolorido numa maca improvisada, procurava Mia com os olhos febris. Tobias e Adam m*l se mantinham de pé; feridos, mas de pé eram testemunhas resistentes. — Foi calculado — Mia disse, voz cortante. — Alguém sabia onde atacar. Sabiam que viríamos. — Eles falharam — Bryan respondeu, mas sem convicção completa. Benjamim chegou com passos firmes, uniforme chamuscado. — Contamos os danos. O saldo é r**m. Muitas baixas. Mas conseguimos impedir o extermínio total. A maioria dos atacantes foi neutralizada; alguns fugiram para o sul. Capturamos treze com vida. Vou interrogá-los pessoalmente quando chegarmos em Costa da lua. Os porta-aviões chegam em menos de duas horas. — Dá para transportar todos? — Bryan perguntou. — Sim. Nossa frota está pronta, Três turnos de evacuação. Tobias e Adam na primeira leva. Paris vai com vocês — disse Ben. — Estão estáveis, mas grave. O silêncio voltou desta vez pesado, cheio de perguntas. A alcateia respirava, remendada e faminta por respostas. Mia encarou o horizonte em que o sol pedia passagem. A luz não era promessa; era revelação: a ofensiva fora só a primeira peça. Algo dentro de suas linhas ajudara o inimigo. Ela virou o rosto para Bryan. A dor que se via no rosto dele era reflexo da dela. Mas junto com a dor havia algo novo uma máscara de gelo que se formava: foco, frieza, fúria. — Alguém próximo a nós está ajudando o inimigo — falou ela, baixa, como quem planta uma sentença numa cova. — Vamos descobrir quem. Ele assentiu. O vínculo pulsou entre eles — corrente de sangue e juramento. Ao longe, os motores dos porta-aviões começaram a rugir. A guerra apenas começara. Costa da Lua não seria a mesma depois daquela madrugada.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR