André Narrando Eu sempre soube que isso ia acontecer. Só não sabia que ia ser desse jeito. Não sabia que ia ser com portas se abrindo, segredos de trinta anos vindo à tona, e minha mãe descendo as escadas como um fantasma que nunca esteve morto. Eu cresci ouvindo meu pai falar de controle. De honra. De lealdade. Mas a lealdade dele sempre foi uma via de mão única. Era dele pra ele. Nunca pra nós. A casa do meu pai nunca foi um lugar de paz. Era um lugar de controle. De silêncio forçado. De regras invisíveis que todo mundo aprendia sem ninguém explicar. E, mesmo assim, eu cresci ali acreditando que entendia aquele homem. Que eu sabia até onde ele era capaz de ir. Que ele tinha limites. Que, no fundo, aquela frieza toda tinha um propósito. Eu estava errado. Naquela noite, antes mesmo d

