Lopes Narrando Dirigi de volta com a cabeça fervendo. Sério. Poucas vezes na minha vida eu fiquei daquele jeito. Raiva. Mas não era qualquer raiva, não. Era aquela que vem de dentro, pesada, antiga… que mistura decepção com cansaço. Que aperta o peito e não sai. Que faz você querer gritar, mas não adianta, porque o alvo nunca tá ali na sua frente. Meu pai. Sempre ele. Sempre manipulando tudo, todo mundo, como se fosse um jogo de xadrez onde só ele sabe as regras. Ana… Patrícia… André… todos eles fazem o que ele quer. Mesmo quando não concordam. Mesmo quando dói. Mesmo quando sabem que tão sendo usados como peça. E eu sei disso. Sempre soube. Não culpo eles. Cada um sobrevive do jeito que consegue dentro daquela família doente. Cada um escolheu um jeito de não entrar em guerra. M

