Lopes Narrando A estrada já tinha ficado pra trás há tempo suficiente pra eu sentir que a gente tava, pelo menos por alguns minutos, fora do alcance daquele inferno que é o Rio quando resolve virar campo de guerra. Mas paz… nunca dura. Minha mão ainda tava na perna dela. Quente. Macia. Familiar demais pra ser só acaso. O tipo de toque que acalma… e ao mesmo tempo bagunça mais ainda. A pele dela respondia aos meus dedos, um reflexo que já virou rotina, uma memória que o corpo gravou sem pedir licença. Carol tava quieta. E isso já era estranho. Porque quando ela fica quieta desse jeito… é porque a mente tá trabalhando. Rápido. Afiada. Perigosa. Igual ela. Sempre em alerta. Sempre um passo à frente. Foi ela que percebeu primeiro. — Rafael… — a voz dela veio baixa, mas o tom mudou. E

