Carol Narrando O carro cantou pneu quando eu arranquei da rua da casa do Lopes. Minha cabeça tava um inferno. Mil pensamentos ao mesmo tempo, tudo embaralhado, tudo gritando dentro de mim. A imagem dele saindo do quarto, a mensagem da loira no celular, o beijo na escada, o grito dele no portão. Tudo rodando igual liquidificador. A rua passou borrada enquanto eu acelerava. As mãos apertadas no volante, o coração batendo forte demais no peito, parecia que ia sair pela boca. — Caralhø… — murmurei, respirando pesado, tentando focar no asfalto. Eu não tava acreditando no que tinha acabado de acontecer. Eu. Carol. Filha do Zeus. Herdeira do Dendê. Tinha acabado de sair da casa de um policial… depois de ter transado com ele. Mais de uma vez. Eu bati no volante. Uma. Duas. Três vezes. —

