Depois do relâmpago, depois que a luz sumiu, Sabryna flutuou de olhos fechados no centro do patamar redondo a sentir as bênçãos se manifestarem no seu ser. Quando abriu os olhos, havia apenas as escleras, elas reluziam, mas uma luz quase esverdeada, perto do acinzentado.
A Allogaj não era mais apenas uma Allogaj, agora era uma Sapiensis, Immortalis, Saneturis, Potensis, Transcendentis e Resurgentis. Nem haviam inventado um nome para quem possuísse as seis bênçãos, nunca houve ninguém que tivesse mais de duas.
— Sabryna? — chamou Rammahdic, mas a garota ainda olhava para o nada com os cabelos a flutuar. — Sabryna? — chamou com mais veemência e a garota voltou à sua atenção para ela, logo após, os seus olhos voltarmos ao normal e ela pousou tranquilamente no chão.
— Sim?
— Como você se sente?
A Allogaj fez uma pausa antes de responder.
— De todas as perguntas sobre mim que agora sei que posso responder, esta é a que me deixa mais circunspecta. Eu sinto tudo e, em simultâneo, não sinto nada. Estou a viver um dilema, um paradoxo, é inexplicável.
Rammahdic olhou para o seu pessoal, estava ansiosa para usufruir dos poderes da sua nova Allogaj.
— Vamos lá Karen, Bia, Ícaro, Kitga, Fong, Débora... Débora não, mas algum de vocês tem uma pergunta para fazer? Onde está a Naty?
O pessoal não estava no clima por conta da cena que acabou de acontecer, as integrantes da equipe terem se entregado como Sacrifício Voluntário para as Criaturas Primevas, mas não deixariam a Princesa falar sozinha.
— Você agora é uma Resurgentis — disse Kitga, a feiticeira transexual. — Como, se você não morreu? E como você vai morrer se você também é uma Saneturis e Immortalis? Praticamente indestrutível.
— Não, não sou semelhante a uma entidade, apenas sou extremamente poderosa em vários sentidos. Eu recebi a bênção da Ressurreição estando viva, significa que se eu morrer eu posso ressuscitar e tornar-me legitimamente uma Resurgentis. Parece impossível, eu sei, mas há um jeito de eu ser morta. Na verdade, eu preciso ser morta para a bênção ter efeito e apenas os Anciões poderão fazer isto. Chegará um momento em que eles me matarão.
— Nossa! — exclamou Kit. — Ela solta uma bomba dessas logo de cara.
— Quando você vai morrer, Sabryna? — questionou Rammahdic.
— Não sei, Alteza, não vejo o futuro, só trago fatos e suposições que acarretam ao resultado mais lógico.
— Por mais que eu esteja amando ouvir você falar assim, Sabryna, mas já chega de mortes, pelo amor de Deus — falou Karen, ela estava com a feição triste e o rosto molhado.
Foi aí que Sabryna passou a mão no rosto e percebeu que as suas lágrimas secavam.
— Chega de mortes por hoje — falou Sabryna também contristada.
De repente, tudo se abalou, quatro ondas de luz atravessaram o céu, os Anciões mexeram novamente na Magia de Dorbis. Sabryna ordenou que pegassem os seus bastões mágicos rapidamente, pois, eles voltariam ao tamanho original, o feitiço Miniaturo foi bloqueado para que o bastão mágico estivesse sempre à mostra. O feitiço de encolher o objeto mágico era bastante prático, com ele no tamanho original era difícil entrar em locais com restrição do seu porte, ou uso.
Também, desbloquearam os portais para a Terra, mas lançaram um Véu Mágico que não permitia que ficassem lá por muito tempo, a Magia traria a pessoa de volta. A quarta onda ainda não entenderam o que significava, exceto Sabryna, mas não lhes explicou o que era.
— Os Anciões estão apelando — falou Rammahdic. — Desta maneira, jamais saberão o que acontece.
— Por que desbloquearam os portais para a Terra? — questionou Bia, a sua voz estava rouca por causa do choro.
— A população deve ter se levantado contra eles, principalmente os nobres. Mas eles vão recuar. Quando começarem a ligar os pontos, vão continuar os bloqueios.
— Sabryna n******e desbloquear nada? — perguntou Ícaro. — Esta habilidade ela já tem.
— Não — respondeu a própria —, mesmo sendo uma Potensis. Para mexer com a Magia do mundo teria que ter o meu poder multiplicado por, pelo menos, vinte vezes, como é o caso dos Vinte e Quatro Anciões juntos.
— Qual o seu grau de magia agora? — quis saber Ícaro. — Aposto que chegou aos vinte e um.
— Veja você — disse Sabryna e fez um gesto com a mão, então os olhos do rapaz abriram-se para ela.
Ícaro ficou boquiaberto, jamais imaginou que pudesse, na sua vida inteira, ver um grau de magia não registado.
— Pela Sétima Dimensão, o que é isto? — indagou o jovem perplexo.
— Qual é o grau de magia dela, Ícaro? — pediu Débora.
— Vinte e cinco — respondeu o rapaz.
— Vinte e cinco? — Bia arregalou os olhos.
— Sim — finalmente disse Fong alguma coisa. — Eu também posso ver. Vinte e cinco é o seu grau de magia, um grau nunca registrado.
Ficaram todas estáticas com o que descobriram sobre Sabryna naquele exato momento, nem sabiam o que dizer, só sabiam o peso que era aquilo.
— Gente, vamos ficar de luto — implorou Karen, a única que não entendia a importância de quase nada —, por favor. As nossas amigas acabaram de morrer, vamos respeitar o momento. Depois falamos sobre grau de magia.
— Karen tem razão — falou Sabryna, agora estava mudada, empoderada, imponente, a sua postura era como de uma mulher poderosa, e de fato ela era. — Vamos para a Cidade de Barboa nos hospedarmos, não podemos ficar aqui.
— Não tenho moedas deste Reino — disse Rammahdic. — Desta vez eu não planejei algo sobre isso. O meu intuito era de ir imediatamente para o Reino de Ic.
— O Rei Farabáz está no Castelo, ele tem moedas e vai compartilhar, eu garanto. E Rammahdic, se prepare, amanhã invadiremos o Castelo de Ic.
— A gente não iria recrutar pessoas, Alteza? — disse Bia para Rammahdic. — Não há como invadir um Castelo sem um exército. Uma guerra eminente desse modo é suicídio.
— Isso não será necessário — respondeu Sabryna —, vocês nem precisarão ir, se não quiserem. Eu sou o exército.
Sabryna saiu do recinto a subir às escadas, agora, ela não andava mais atrás como a garota tímida de sempre, era uma nova mulher, destemida, poderosa, sagaz, entre várias outras qualidades.
Rammahdic colocou a sua máscara de volta no rosto, mas assim que a soltou, a máscara caiu no chão, o seu efeito mágico foi bloqueado pelos Anciões.
Todas pararam para observá-la.
— Como os Anciões descobriram esta magia específica que usei para fabricar este artefato? — indagou Rammahdic.
— Agora, vai ter que se disfarçar de outra coisa — disse Sabryna.
— Não posso mostrar o meu rosto ainda — disse Rammahdic e Bia a entregou uma capa preta com capuz. — n******e chegar aos ouvidos de Zadahtric que estou viva e estou aqui.
Sabryna encontrou Leiane de costas depois da escada, não sabia nada do que havia acontecido. A garota, ao se virar, procurou pelas suas amigas e não as encontrou, apenas a Fong, das sete mulheres manequins do início da história. Sobraram apenas elas duas.
Leiane chorou e inesperadamente, Sabryna a abraçou bem forte, ela sabia exatamente o que dizer, mas preferiu não dizer nada, apenas compartilhar da mesma dor.
Elas foram para a parte de cima do Castelo e passaram por um corredor espelhado e mais a frente, havia várias armaduras encantadas que faziam a guarda quase inexistente naquele Castelo quase vazio. No fim do extenso corredor, existia uma porta de ferro que separava o solitário Rei Farabáz da plebe.
Sabryna se olhou em um dos espelhos e parou de andar.
— Algum problema, Allogaj Sabryna? — perguntou Leiane.
— Estou vendo uma coisa. Eu mudei por dentro, gostaria de mudar por fora também.
— Agora que os portais para a Terra foram abertos você pode voltar e... — Leiane começou a falar, no entanto, Sabryna passou as mãos pelo rosto e cabelo, o seu rosto mudou como se ela tivesse passado uma maquiagem simples e sutil, e os seus cabelos ficaram completamente brancos, o que realçou o tom da sua pele n***a. — Caramba! — impressionou-se a feiticeira.
Sabryna continuou a andar na frente, as demais apenas a observavam boquiabertas, e voltaram a segui-la.
— Você pode mudar o próprio corpo? — perguntou Karen quando se apressou para acompanhá-la.
A medida que andavam, as armaduras do extenso corredor as seguiam com o rosto como se estivessem a observando. Karen ficou amedrontada, mas aquilo era normal.
— Posso mudar algumas coisas na minha matéria, mas só o básico.
— Pensei que ser abençoado passava dessa fase básica — comentou Bia.
— Há mais restrições do que você imagina — disse Débora. — Sabryna tem a Sabedoria, como eu, não significa que ela sabe tudo, não é dom da Onisciência, ou seja, algumas coisas ela ainda precisará aprender, ou absorver, como se diz.
— Exatamente, Débora — congratulou Sabryna. — Também sou uma Potensis, não significa que eu posso tudo, pelo viés de Débora digo que não é dom da Onipotência, esses dons nem existem porque são características de Deus e não somos deuses, somos humanos aprimorados. Eu ainda preciso da teoria e prática para fazer magia muito bem-feita.
— Só eu quem está amando ouvir a Sabryna falar assim? — perguntou Leiane.
— Não — respondeu Karen. — Eu também. Ela está como o "Poderoso Chefão". É a "Poderosa Chefona".
As demais concordaram que a nova Sabryna era uma versão espetacular dela própria.
Chegaram ao final do extenso corredor, todas estavam de bastões mágicos nas mãos. Pararam diante da porta de metal com uma viseira fechada. Sabryna bateu na porta e alguém abriu a viseira.
— Quem vem lá? — gritou o Arauto do Castelo, ou só daquele espaço isolado. — Não estamos recebendo visitas. Não sabem das atribulações do Reino?
— Olá, Arauto. Eu sou a Allogaj Sabryna e vim da Terra...
— Nunca ouvi falar deste Reino, e só existem dois Allogajs que foram presos pelos Vinte e Quatro Anciões. Eu nem sinto o seu poder.
Aquilo que o Arauto relatou significou que os Anciões espalharam a notícia para mostrar terem total controle sobre tudo que ameaçasse as suas autoridades.
— Sou de Gorbis.
— Uma Oprimida? Vão embora — o Arauto desdenhou e fechou a viseira da porta na cara delas.
Sabryna continuou de costas para elas e de frente para a porta, quieta e calada.
— Allogaj? — indagou Rammahdic.
De repente, Sabryna começou a mudar de cor, um tom de amarelo um pouco escuro, não só ela própria como toda a sua roupa e o seu bastão mágico, ficou transparente. Ela transcendia a matéria, era o efeito da sua bênção, o Desdobramento, e atravessou a porta de ferro que também era encantada conta feitiços e dons.
"O quê?", do lado de fora ouviram o Arauto gritar. "Como você..." Sabryna não lhe deu a oportunidade de terminar a frase, ouviram raios cósmicos e depois de alguma coisa a ser quebrada.
As armaduras ficaram irrequietas, em seguida saíram do seu posto em direção à porta de ferro e em três segundo voltaram a ficar imóveis.
A pressão foi grande, estavam encurraladas e não tinham chances de enfrentar aquela coleção de armaduras encantadas, não souberam o que aconteceu, apenas confiaram e aguardaram pela Allogaj.
Sabryna precisou de vinte minutos conversando com o Rei Farabáz para fazê-lo abrir a porta e entregar sacos de moedas de ouro, um para cada pessoa. Ele era um senhor de cabelos pretos e barba preta, usava uma coroa e um manto real.
— Tem certeza de que não deseja ficar, Lady Sabryna? — perguntou o Rei.
— Tenho, senhor. E não sou uma Lady. Precisaremos partir amanhã, temos um assunto para resolver.
— Que pena! — o Rei tinha um rolo de papel na mão e o entregou a Sabryna. — Tome esta Permissão, a Cidade é grande e vocês poderão passear por ela sem serem importunadas pelos funcionários do meu Reino. Sugiro se esconderem dos funcionários do Obelisco dos Vinte e Quatro Anciões, procuram por adoradores dos Treumilas, mas podem ser hostis conta forasteiros, e principalmente, se não quiserem causar alarde, fujam dos Imediatos e os seus grupos de guardiões do Reino de Ic, procuram por feiticeiras das cinzas. Infelizmente não posso intervir, o povo inteiro apoio a segregação.
— Obrigada, Rei Farabáz — agradeceu Sabryna, o seu pessoal curvou-se perante a Majestade, exceto ela.
— Estas sãos as tribulações que o Reino enfrenta, Majestade? — questionou Rammahdic com o rosto encoberto pelo capuz.
— Sim, misteriosa dama, a penumbra paira sobre a face de Umnari. Parece que as guerras agora são das luzes contra as trevas — ele apertou os olhos para tentar ver o rosto de Rammahdic. — A sua voz me é familiar. Eu conheço-te?
— Não, Majestade — Rammahdic deu às costas para sair de lá. — Vamos embora. — Antes de saírem do Castelo, a princesa perguntou: — Onde está Natybinle?
¶
Seguiram a Princesa Rammahdic para fora do Castelo, estavam se dirigindo para a grande Cidade de Barboa, onde a culinária era voltada para os frutos-do-mar, a figura da Grande Morsa estava em tudo quanto era lugar, principalmente no próprio Castelo, e as cores vermelha e marrom apareciam em abundância, até mesmo vários tons diferentes para variar.
Elas passearam pela cidade, compraram roupas novas e pagaram para se hospedarem numa estalagem, tinham muitas vagas, e graças ao documento que Farabáz havia entregado à Sabryna, não foram tratadas como meras estrangeiras, mas como pessoas honradas. Se soubessem quem era Rammahdic, com certeza estaria num lugar melhor, mas não queriam chamar atenção nem causar alardes.
Passaram a tarde passeando pela cidade, que era dividida em dezessete bairros, o Centro estava situado no meio do espaço geográfico onde tinha um pequeno santuário dedicado aos Trealtas. Na verdade, todos os reinos de Umnari tinham, exceto o Reino de Ic, que tinha uma Basílica enorme e que funcionava como um templo para os Treumilas, mas foi aniquilada.
Elas não podiam levantar suspeitas, então decidiram andar em subgrupos: Fong, Bia e Rammahdic foram para um lado, Ícaro, Débora e Leiane foram para outro e Sabryna e Karen foram para outro, para o Centro, onde mais se concentrava guardas e guardiões e funcionários da Organização Mundial da Magia. No final, se encontrariam na Estalagem Nolgenzai, a qual se hospedaram.
Karen não parava de falar. No início, Sabryna não tinha muita paciência, agora ela conseguia ouvi-la e, ao mesmo tempo, ignorá-la, de qualquer maneira, passou a ter outra visão sobre as pessoas.
— ... Aí ela colou da minha prova e a professora percebeu — contava Karen. — No final ela ficou com raiva de mim porque a professora tomou a prova dela, mas eu não tive culpa, depois eu mesma parei de falar com ela porque eu percebi que eu sou muito mais importante que ela. Ela se achava melhor que os outros porque tinha boas condições, eu também tinha e nem por isso eu tratava os outros como se fossem meus escravos. Ela era ridícula. Parei de falar com ela mesmo. Ela tentou se aproximar de novo, mas...
— Karen — Sabryna a interrompeu. — Espera um momento — ela parou no meio da rua e de repente, ouviram um guarda de Borboa tocar uma corneta aguda enquanto percorria por todos os cantos. A medida que tocava, as pessoas se apressavam para fazerem o que tinham que fazer, abriam portais e sumiam.
— O que isto significa? — questionou Karen.
Sabryna não conhecia, mas pelo que já leu e já ouviu, pôde entender.
— Acho que hoje será noite de Lua Azul, então vamos voltar.
— Vamos — assim que Karen se virou para dar o primeiro passo, esbarrou-se em um dos guardas, mas esse não era de Barboa, era do Reino de Ic devido às cores branca e dourada do traje e do símbolo da Grande Serpente. — Ai! Desculpa...
— Olha por onde anda, criança — disse o guarda, iria embora, mas voltou a sua atenção para as garotas. Imediatamente, Sabryna o bloqueou para que ele não sentisse a sua energia mágica. — Não sinto a vossa magia. São Immunus?
— Sim, senhor — mentiu Sabryna.
— O que fazem aqui? De onde são?
— Da Cidade dos Immunus, senhor.
— Imaginei.
— Só estamos nos aventurando.
— Corajosas. Vão logo para casa, onde quer que estejam, hoje haverá noite de Lua Azul.
— O que... — Sabryna beliscou o braço de Karen antes que ela fizesse a pergunta e a garota soube disfarçar muito bem. — Sim, senhor.
Sabryna e Karen foram embora às pressas para a estalagem, nem puderam usufruir da magia na hora para não serem incoerentes. Assim que ficaram bastante longe do guarda de Ic, puderam falar.
— O beliscão doeu, Sabryna.
— Você quase nos entregou — disse a Allogaj.
— Eu acho um absurdo você ter que se esconder assim. Pelo que entendi, você é a feiticeira mais poderosa do mundo, acabaria com ele num piscar de olhos.
— O intuito é não gerar alarde, Karen. E não começaria uma guerra aqui, mas sim, no Reino de Ic. Eu posso controlar os meus poderes, mas não as notícias que se espalhariam com o vento, estragaria os nossos planos e o nosso disfarce.
— Já entendi, mas o que é essa Lua Azul?
— Um misterioso fenômeno natural de Dorbis que deixa os nossos poderes mágicos mais fracos e os animais mágicos ficam mais fortes. É misterioso porque ninguém sabe o que causa este efeito, como, por que, ou quando, só sabem que acontece. Ele aparece de tempos em tempos, quando quer e sem avisar, só descobrem que haverá Lua Azul a partir das cinco horas devido a vários e antigos estudos astronômicos.
— Então, já são cinco horas? Poxa! O tempo passou rapidinho.
— Na verdade, já são cinco e meia. Olha o tempo, Karen.
— Sei lá. Acho que tenho déficit de atenção. Nem sei como passei na Universidade, acho que foi sorte.
Chegaram à estalagem, foram as últimas dos subgrupos e de todo o recinto. As portas estariam abertas até as cinco e quarenta e cinco, depois disto. Quem estivesse do lado de fora seria deixado à sorte.