Capítulo 11

2874 Palavras
Dona Fátima correu para a sala e viu que a sua filha havia entrado em casa, porém, estava acompanhada por várias mulheres, cada uma com uma aparência diferente da outra. Por volta do meio-dia que Sarah havia as levado para comerem alguma coisa, depois fez várias compras para a casa de Sabryna, tudo o que fosse necessário para elas sobreviverem enquanto estivessem ali. A mãe de Sabryna a abraçou muito forte. — Sabryna, minha filha, onde você estava? Fiquei tão preocupada. E quem são essas mulheres, e por que estão trazendo tantas coisas para cá? — Mãe, é uma longa história, precisamos conversar em particular — disse Sabryna. A Allogaj levou a sua mãe para o quarto e contou tudo do começo, desde a parte em que ela encontrou a mãe biológica até a parte em que ela descobriu ser uma feiticeira, não queria esconder nada dela, apenas torceu para ela não enfartar. — Filha — disse Dona Fátima com a sua voz angelical —, eu não consigo crer em nada do que você me falou. Não da parte da feitiçaria, sinto muito, mas isso é coisa de contos de fada. — Por quê? — perguntou Sabryna. — Eu não acredito em magia, ninguém acredita de verdade. Isso é algum tipo de brincadeira? — Eu já brinquei com a senhora antes? — Bom! Não, mas... Sabryna estendeu a mão e um livro que estava na escrivaninha voou diretamente para a sua mão, depois Sabryna soltou o livro e ele voltou para a escrivaninha. Dona Fátima ficou estatelada. — Isso é uma habilidade que chamam de telecinesia. Eu treinei um bom tempo, ainda estou aprendendo. — Mas... Como é possível? Faz de novo. Sabryna ficou de pé e estendeu a mão para a escrivaninha novamente, dessa vez, a escrivaninha e os livros flutuaram. A própria Sabryna se impressionou com aquilo. Depois, ela concentrou-se e colocou tudo no lugar. — Isso foi... Lindo — disse Dona Fátima. — Filha, eu estou muito nervosa... — Não fique, mãe, ainda sou a sua filha. — Eu sei, amor, mas você vai ter que ir embora, e se você se machucar, pode ser perigoso. Por mais que eu esteja amando saber que você é importante para estas pessoas, você já era muito importante para mim, bem antes, e não era dessa forma que imaginei que você seria alguém na vida. — Mãe, eu nunca imaginei que seria alguém na vida, mas agora que surgiu isso, eu não consigo querer outra coisa. A magia me deu um motivo para querer... Viver. Dona Fátima pôs-se a chorar e Sabryna deu-lhe o melhor de todos os abraços. — Eu te amo, filha — disse Fátima aos soluços. — E eu te amo mais, mãe. Depois de alguns segundos, alguém bateu na porta e Sabryna foi abrir. Era a Fabiana a dizer que alguns colchões haviam chegado e começaram a entrar para arrumarem o quarto. As meninas começaram a trabalhar, trocaram os móveis, trouxeram eletrodomésticos novos, limparam a casa, fizeram comida, entre várias outras atividades. Sarah quem pagou por tudo, além de ter muito dinheiro com a empresa, já tinha muito dinheiro antes com o ouro que ganhou no período do reinado da finada Kanahlic. Sabryna queria saber se elas não iriam para o mundo mágico assim que a encontrassem, mas decidiram prepará-la antes. Daquele jeito, sem saber de absolutamente nada, ou pelo menos, das coisas mais importantes, não dava para ela enfrentar pessoas mais experientes. No fim do dia, Afrima ensinou a Sabryna como fazer um feitiço de ocultamento, pois, guardas do Castelo de Ic ainda estavam espalhados por aí, eles sabiam que a magia oscilou naquela região, estavam a procura de possíveis feiticeiras e feiticeiros que estivessem envolvidos com o Reino de Ic. Sabryna precisava fazer o feitiço, era a mais poderosa e o feitiço não seria quebrado. Estavam seguras, ocultas e confortáveis. Tudo estava bem. Era tarde da noite quando Sabryna estava na porta de casa a conversar com a Fabiana, era muita coisa que a Allogaj precisava saber e aprender, e deixaram as demais assistindo à televisão, ou a fazer outra coisa. — Por que precisam do feitiço de ocultamento? — perguntou Sabryna. — Porque todas nós juntas causamos uma reação mágica chamada Emissão pelo fato de que aqui a magia não é tão constante como no mundo mágico — explicou Fabiana. — Você entendeu? — Acho que sim. — Deixa eu fazer uma alusão: Dorbis é como um papel preto, e nós reunidas somos como um pontinho preto, dá para saber onde estamos? — Não. — No entanto, a Terra é como um papel branco e nós ainda somos o pontinho preto. Agora fica mais fácil, não é? — Sim. Entendi. — É por isso que precisamos do feitiço de ocultação. — E isso acontece de maneira individual? A Emissão. — Sim, como no seu caso. Você é uma Allogaj, a sua Emissão é muito forte porque você é poderosa, e uma pessoa experiente com magia adquire a habilidade da Percepção, alguns mais habilidosos conseguem até distinguir qual magia pertence, se das Trevas ou das Luzes. — Você tem a Percepção? — Adquiri depois de muito tempo. Quando fui amaldiçoada eu fiquei com os meus poderes e as minhas habilidades em estado de hibernação, mas aí você chegou e tudo voltou ao normal. Você é tão poderosa que desperta o poder das outras pessoas. — Você consegue sentir o meu poder? — Qualquer pessoa mágica consegue, a sua Emissão é muito forte, o que pode ser um problema para nós, mas com o encantamento certo... Sabryna havia se concentrado no seu cerne, sem saber, pois, apenas queria que a sua Emissão fosse ocultada. — E agora? Fabiana esperou por alguns segundos até dizer: — Ah, não! Você está de brincadeira comigo, Sabryna — Fabiana ficou maravilhada. — Como você consegue fazer estas coisas sem ter estudado antes? Isso vai de encontro a tudo o que aprendi — Fabiana a aplaudiu. — Você é perfeita. Estou sem palavras. — O quê? — sussurrou Sabryna ela se encheu de alento, não era acostumada a receber elogios assim. — Sim, você é. E o quanto eu poder dizer que você é uma maravilha, eu direi. Eu reconheço uma pessoa boa e humilde de longe, você merece tudo, Sabryna. Um dia Sabryna entenderia o que ela sentiu naquele momento, era algo tão bom que lhe dava energia, e de fato era, pura energia. ¶ Pela manhã, Dona Fátima estava extasiada de emoção ao ver o seu lar cheio de gente, principalmente porque eram amigas da sua filha. Ficou confusa por conta das estrangeiras que todas entendiam a língua, menos ela. Eram dez horas da manhã quando alguém bateu na porta e Sabryna foi atender. Era a Karen. — Oi, ami... — gritou Karen com os braços jogados para o alto, mas interrompeu-se ao ver a sala da garota com sete mulheres diferentes a assistir à televisão que até ontem não existia, e foi ficando séria gradualmente. — UÉ? Tem alguma coisa diferente na sua casa. Acho que é... Tudo. Sabryna saiu e fechou a porta. — O que veio fazer aqui? — Eu vim te ver. Quem são essas mulheres? — Por que veio me ver? — Sabryna, somos amigas — Karen falou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Sabryna jamais a rejeitaria, sentia sinceridade da parte dela. Olhou para trás de Karen e percebeu o carro dela estacionado bem perto e a expressão facial da garota. — Veio me buscar para algum lugar, não é? — Sim, mas se estiver muito ocupada... — ela fez chantagem emocional. — Eu venho mais tarde. Sabryna arfou. — Não estou. Karen sorriu. — Ai! Que bom. Então vá colocar a sua melhor roupa, e eu vou escolher — Karen entrou na casa sem que ninguém convidasse e ao passar pela sala, ela olhou para as mulheres que pararam para encararem-na, e saudou com um bom dia, depois foi direto para o quarto de Sabryna que ficou nervosa atrás da menina inconveniente. — Karen, que surpresa maravilhosa — disse Dona Fátima. — Mãe Fátima — Karen abraçou a mulher —, que maravilha te ver. "Ah! Que garota artificial", pensou Sabryna, mas parecia que a mãe dela gostava dessas coisas. — Adorei o que fez na casa — continuou Karen —, uma ótima repaginada. Como foi isso? — Uma longa história — Fátima sabia ser evasiva. — A que devo a honra da sua visita? — Sabryna vai sair mais eu, vou pegar ela emprestada só por algumas horinhas. — Volte a tempo de almoçar conosco. — Sim, senhora — Karen bateu uma continência bem efeminada e entrou no quarto para encerrar o assunto. Sabryna revirou os olhos e pensou: "Não sei se quero morrer ou se quero matar." ¶ Karen ficou o tempo inteiro no quarto falando e falando, escolheu uma peça de roupa para Sabryna, das que ela havia comprado ontem na loja ALLOGAJ'S, e obrigou Sabryna a usá-la. Parecia uma evangélica moderna. — Karen, está me levando para alguma festa? — perguntou a Allogaj a se olhar no espelho do guarda-roupa novo. — Sabryna, olhe para mim, estou toda arrumada. Se arrumar faz bem, sabia? — ela se aproximou para mais perto para sussurrar. — E você vai me explicar o que está acontecendo? — Não! Vamos embora. — Sabryna — insistiu a garota. — Você não entenderia. — Se você não me explicar, óbvio que não vou entender. Ou você está me chamando de burra? — Não estou. — Olha, eu desisto, se te conheço bem, você não vai falar nunca. O problema era que Karen não a conhecia muito bem, somente queria ser alguém importante para Sabryna, e acabou por se tornar gradualmente. Mas Sabryna não expressaria isso nem se quisesse. E elas foram embora de carro. Sabryna nunca imaginou que pudesse algum dia entrar num salão de beleza. Assim que passaram da porta, um homem de óculos escuros, de aparentemente uns trinta e oito anos e completamente efeminado foi saudá-la com gritos e pulinhos. Karen reagiu da mesma forma. "Ah! Que idiotice", pensou Sabryna. — Bicha — falou o homem —, a senhora está deslumbrante, como sempre. Já veio aqui ontem, quer outra camada de beleza para reforçar? — Não, bicha, quero te apresentar uma pessoa — Karen colocou o seu braço nos ombros de Sabryna. — Esta aqui é a Sabryna Mendes, minha amiga e ela é uma garota crua, nunca entrou num salão antes. Karen, este é o Sidney. O homem chamado Sidney pegou numas mechas do cabelo de Sabryna e fez uma careta, pelo menos não estendeu a mão para cumprimentá-la como fazia a maioria. — Deus de Misericórdia — disse Sidney. — Mulher, o que a senhora fez com este cabelo? — Nada — literalmente nada. — Menina, vou ter que fazer milagre, estou passada com este cabelo. Eu jogaria fora e compraria um novo, mas não sou chamada de Santa à toa, sou? Vamos fazer milagre? Toda honra... — gritou o homem. — E toda glória — gritaram as mulheres do salão. Aquilo era como se fosse um bordão. O cabeleireiro Sidney primeiro arrumou o cabelo de Sabryna, a elogiou por eles serem naturalmente lisos, e eram maiores do que parecia ser. Ela separou os cabelos no meio da cabeça e colocou as madeixas atrás da orelha, agora estavam dignos de uma garota bem cuidada. Enquanto isso, chamou uma manicure e uma pedicure para fazerem o seu trabalho, Sabryna não aceitou que pintassem as suas unhas com nenhuma cor, então colocaram apenas um esmalte transparente. E por fim, trouxeram uma maquiadora que arrumou as sobrancelhas da garota e pôs-lhe uma maquiagem bem sutil, também teve muita dificuldade de achar uma base que fosse do seu tom de pele, mas não precisou muito, o rosto de Sabryna era como se tivesse base natural de tão limpa. Ao terminar, levaram Sabryna para um espelho e os olhos da garota brilharam pelo que viu. Era uma nova pessoa, uma nova mulher, não se reconhecia. Passou tanto tempo escondida em si que nunca percebeu o quanto era magnífica. — Minha Nossa Senhora da Escova — Sidney fingiu que ia chorar e abanou-se com as mãos. — Menina, como você é linda. Deveria ser modelo, tem um corpo perfeito para isso e a beleza é surreal. "Modelos negras?", pensou Sabryna. — Amiga, você não está linda — disse Karen —, você é linda. Só não percebeu isso antes. Sabryna não se sentiu iludida, ainda queria atribuir todos os elogios à produção que fizeram nela. Chegou o momento de irem embora, Sidney ficou apreensivo na porta do estabelecido, depois conversou normalmente com as meninas. — Então, amigo — disse Karen —, o valor... Coloca tudo na minha conta que eu pago depois. Você sabe que eu pago tudo. — Eu sei, amiga, mas olha só — Sidney pegou nas mãos de Sabryna e ficou sério —, eu te observei, até mesmo um cego veria que você é uma garota especial. Foi a sua primeira vez num salão de beleza e para mim, ver os seus olhos brilharem com o nosso trabalho, não tem preço. Receba isso como um presente do Tio Sid. Você é mulher, aproveite tudo o que o mundo deixou para você, o preconceito é muito grande, eu sei, mas chegará um dia em que tudo isso vai passar. Karen não fazia a menor ideia do que Sidney falava, mas Sabryna entendeu perfeitamente, e bastava. — Obrigada, amigo — agradeceu Karen. — Obrigada! — agradeceu Sabryna. — Oh! Ela fala — brincou Sidney e riu-se consigo próprio. — Lembrem-se, meninas, toda honra... — E toda glória — Sabryna sussurrou, mas Karen gritou aos risos. ¶ Estavam no carro a voltarem para casa, Karen não parou de falar um minuto até que Sabryna lhe fez uma pergunta que a deixou muito séria: — Por que Sidney ficou de óculos escuros o tempo todo? Pensei que ele fosse cego. — Sabryna, você não notou nada de diferente no Sidney? — Não. — Sério? Nada? — Não. — Sabryna, ele é gay. — O que isso tem a ver com os óculos escuros? — Não é possível que você não entendeu. Sabryna, ele foi agredido por uns vagabundos por ele ser quem ele é. — O quê? — Sabryna ficou triste pela notícia, realmente não fazia ideia. — Quando? — Foi ontem à noite. Ele tem que parar de andar sozinho, isso já aconteceu outras vezes. — Ele precisa chamar... — A polícia? Já chamou, mas nunca fizeram nada por ele. Ele precisa mesmo é de ser rico e pagar seguranças particulares. Sabryna condoeu-se pelo caso de Sidney, queria fazer alguma coisa sobre isso. Seguiram o caminho em silêncio, o assunto as deixou desgraçadas. Bastou Sabryna entrar em casa que começou a algazarra. Aplaudiram e vaiaram, Dona Fátima acabou chorando. Sabryna ficou feliz, mas não deu um sorriso, pelo menos, sabiam que ela gostava. O momento do almoço foi o melhor, estavam tão contentes, conversaram tanto que por uns momentos, esqueceram-se do propósito que as levou até aquele lugar. A parte mais interessante era como Dona Fátima ouvia Fong, Aurira e Afrima conversarem e tentar compreender por que todas as outras as entendiam menos ela, e Karen também, mas Karen era tão desligada que nem percebeu as "estrangeiras". Mais uma vez, alguém bateu na porta, mas dessa vez era alguém esperado. Sarah havia chegado e chamado Sabryna para sair, no que lhe concerne, Sabryna havia explicado ter um compromisso com ela, mais ou menos a uma hora da tarde. Quando Sarah a viu naquele estado, disse: — Uau! Sabryna do céu, o que houve? Karen apareceu para responder: — Eu levei ela para um salão de beleza — ela estendeu a mão para que se cumprimentassem. — Eu sou a Karen, melhor amiga da Sabryna. Até onde sabia, eu era a única. Sarah a cumprimentou e encarou Sabryna como se tivesse feito uma pergunta a ela, e fez, porém, em pensamento, e quando se lembrou de que estava bloqueada, arfou e disse para Karen: — Eu sou a Sarah Franco, prazer — ela se voltou para Sabryna. — Vamos? — Você é mineira? — insistia Karen. — Sou, sim. Por quê? — O seu sotaque. — Ah! Interessante. — Já ouvi o seu nome em algum lugar. — Eu sou a dona da loja de roupas ALLOGAJ'S. — Ah! — Karen olhou para Sabryna a querer saber como ela já conhecia a dona da loja qual elas compraram várias peças de roupa. — A Karen é sua cliente assídua — falou Sabryna, ela sentiu um atrito entre as garotas. — Comprou roupas para mim. — Olha só, esta menina é sua amiga mesmo. Eu vou restituir o seu dinheiro, minha querida, a partir de agora eu pagarei as coisas para Sabryna. — Óbvio que não — negou Karen. — Não precisa... — Até mais, estamos com pressa — Sarah pegou a Allogaj pela mão e a levou para o seu carro. Nitidamente, as loiras não tiveram empatia uma pela outra. Sabryna e Sarah haviam combinado uma coisa, a pedido da própria Allogaj.
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