Não pensem que foi eu que cozinhei. Eu não saberia nem sob pena de morte fazer tudo o que Rafael fez. Até tentei ajudá-lo, mas ele parecia mais um mestre cuca, com toda aquela agilidade e precisão. Era engraçado ver a cara concentrada que havia em seu rosto. Ele estava tão lindo cozinhando... Com uma bermuda branca e apenas um avental cobrindo o peito nu, os cabelos estavam higienicamente contidos por uma bandana branca. O apartamento cheirava tão deliciosamente bem que eu me sentia constantemente com fome. A Poly gemia toda hora, alegando que engordaria vinte quilos depois de passar o dia inteiro sentindo aquele cheiro. — Que hora eles vão chegar mesmo? — Perguntei sentada no balcão, olhando como ele cortava os temperos com uma faca amoladíssima em uma velocidade absurdamente perigosa.

