Heros Narrando A quebrada tava fervendo. O som dos tiros ecoava por todo canto, pipoco comendo solto lá embaixo. Os gritos, o barulho de vidro estourando, cachorro latindo, moto acelerando. O cheiro de pólvora queimava as narinas. Era o Morrão do jeito que eu conheço, em guerra. E no meio daquele inferno, eu saí arrastando a Safira. Sem colete, sem proteção, sem nada. Só o desespero estampado no rosto. Ela tentava resistir, chorando, tropeçando no próprio medo, mas eu não dei trégua. Apertei o braço dela com força, puxando pra fora da viela, andando no meio da rua como se o mundo tivesse parado de girar. — HÉLIO, CÊ TÁ LOUCO? — ela gritava. — Louco, não. — falei, sem olhar pra trás. — Tô só te mostrando como é bom cair na armadilha que tu mesma armou. Ela soluçava, tentando me acompa

