Gabriel Não sei dizer quando o luar se tornou cúmplice do meu sangue. Aquela noite, a clara da lua infiltrava-se pelas frestas da mata, alastrando um manto prateado que parecia guiar meus passos rumo ao abismo. Eu, Gabriel Vitale, conhecia cada centímetro desse morro como as linhas da minha própria mão. Mas agora, seguia um bilhete manchado de ódio e vingança, escrito pelo irmão de Sombra, Roni. E, em seu jogo, arrastava Carol – a mulher que eu amava – direto para o covil de um inimigo invisível. Ela caminhava ao meu lado, imóvel sob o manto escuro do casaco, apoiada em meu braço forte. O coração dela batia tão rápido que eu podia ouvir, mesmo pelo som distante de grilos. O medo dela era o meu estopim: saber que a voz de Roni a chamava como isca me inflamava de raiva. — Está bem? — perg

