Carol O som do tambor ecoava pelas vielas da Rocinha como um coração pulsando alto demais. A favela inteira parecia respirar em uníssono, cada passo apressado, cada voz soprada nas janelas, cada criança que corria entre os becos. Havia algo no ar além do calor sufocante do fim da tarde: havia reverência. E eu sabia, antes mesmo de sair pela porta da frente da nossa casa, que aquela noite não seria comum. — Tem certeza que quer ir? — Gabriel perguntou pela terceira vez, encostado na parede do nosso quarto, braços cruzados, a camisa preta colada no peito como se tentasse esconder a tensão. — Eu não fui feita pra ficar entre paredes quando tem guerra lá fora — respondi, ajeitando o vestido vermelho justo que recebi pela manhã, entregue com uma fita preta e uma bilhete sem assinatura: "Hoje

