Melissa . . .
Desligo a tela do celular e levanto pegando a minha
roupa e vou até o banheiro, troco de roupa e solto o
cabelo penteando com o dedo. Logo após saio do banheiro
encontrando a cama vazia e a porta da sacada aberta,
largo a camisa dele sobre a cama e sento para calçar os
meus saltos, meus pés que lutem.
Vejo que Gabriel me mandou mensagem perguntando se
ainda estou no morro, respondo que sim marcando de
passar na casa dele.
- Obrigada por ontem a noite. - Agradeço novamente. -
Boa tarde. - Desejo saindo do quarto sem esperar ele me
responder.
Se ele vir com grosseira comigo eu não vou ficar calada,
então prefiro evitar, não compensa perder o meu espírito
de paz.
Caminho pelo corredor fazendo o caminho da saida que
eu me lembro, passo pelos seguranças desejando um boa
tarde. Corto alguns becos andando devagar por causa do
salto, hoje os meus pés estão um pouco doloridos.
Ao chegar em frente da casa de Gabriel grito por ele.
- Que voz de taquara rachada é essa? - Biel aparece no
portão com a cara toda amassada.
- Acordou agora mesmo né?
- Acordei naquela hora que te mandei mensagem. Mulher,
que baile foi esse?
- Nem me fala, só lembro de flashes, minhas pernas estão
todas doloridas.
- Também né, a gente não parou um minuto se quer de
jogar firme. Ô MĀE OLHA QUEM VEIO TE VER. - Grita
quando entramos na sala.
- Que gritaria é essa Gabriel, fala bai. MELISSAA! - Eliane,
mãe de Gabriel fala assim que me vê. Sorrio abraçando
ela. - Você sumiu menina!
- Sumi nada, tia. A senhora que sumiu, já cansei de
mandar mensagem para Gabriel falando que é pra você ir
lá me ver, mas a senhora nunca vai.
- Tô cheia de trabalho, você que tem que vir pra cá, ainda
mais em dia de pagode, dormir aqui.
Eliane é um amor de pessoa, sempre me tratou super
bem, Galbriel fica até com ciúmes. Quando eu morava
aqui no morro eu vivia aqui, fora os pagodes que Eliane
me arrastava.
- A gente tem que marcar um dia. -
- Eliane fala caminhando até a cozinha sendo seguida
por nós. - Você chegou na hora certa, tô fazendo batata
gratinada.
Sinto o cheiro da comida quando entro na cozinha, meu
estômago até revira. Eliane tira o tabuleiro de dentro do
forno colocando sobre a trempe do fogão.
- Não poderei recusar a sua comida.
-E nem deve!
Passo o almoço jogando conversa fora com os dois. Depois
do almoço lavei a louça mesmo com Eliane reclamando
falando que eu não precisava lavar, eu lavei e Gabriel
secou. Ficamos um bom tempo conversando, até que
Gabriel e eu decidimos ir tomar um açaí. Deixei os meus
saltos na casa dele e calcei o chinelinho da Nike que ele
me emprestou.
- Você não vai nem acreditar de quem me levou em casa. -
Biel comenta enquanto estamos indo pro açaí.
- Para de suspense e conta logo.
- Zac. - Paro de andar bruscamente olhando para ele.
- Mentiraaa! Zac, Zac? Ou Zac?
Zac é um envolvido que teve um lance com Gabriel que
ninguémn ficou sabendo, além de mim, é claro. Mas não
deu em nada, porque o meu amigo não é qualquer poc
que se encontra na esquina.
-Tô te falando. - Ri voltando a caminhar.
- E aí, vocês conversaram?
- Osh, eu não, também tava mais pra lá do que pra cá.
- Graças a Deus você não falou nenhuma mnerda. -
Comento assim que entramos no açaí.
Faço o meu pedido de princesa, um copinho de 700ml com
leite em pó, banana, farinha láctea e leite condensado.
Sentamos no banco esperando nosso pedido ser feito.
-E você com o outro lá?
-O que tem eu?
- Foi só pra dormir mesmo? - Sorri malicioso com mná
intenção.
- Para de me olhar assim, Gabriel! - Riu. - Bicha safada!
- Sou mesmo. - Gargalho levantando para pegar o meu
açaí, pago o meue espero ele. - Vamo sentar ali na
pracinha.
Atravessamos a rua e sentamos em um banco vazio da
pracinha.
- Mas foi só para dormir mesmo, aguentava fazer nada,
se me perguntassem qual era o meu nome eu não saberia
nem responder.
- Isso que é cachaça boa. Mulher, comno você ficou assim?
Sendo que eu bebi o mesmo tanto que você.
- Acho que foi naquela hora lá que você estava
conversando com aquele rapaz, lembra? Empolguei um
pouco. Ainda bem que eu bebi engov antes, se não eu
estaria com uma p**a de uma ressaca.
- E como estaria.. O que seria de nós sem engov?
- Só o pó. - Riu dando uma colherada generosa no açaí.
- Não rolou nem um esfrega de manhấ?Quase me
engasgo com o açaí.
- Gabriel! - Falo rindo. - Quê que é isso? Vai orar, seu
pervertido! E não, não rolou nada.
Lembro de como ele falou comigo de manhã e de como
ele foi grosso, vontade de quebrar aquela cômoda
naquele indivíduo.
- Que carinha é essa? - Biel pergunta me analisando.
- Nenhuma, tô normal. - Como mais uma colher de açaí.
-O que aconteceu? Ele fez alguma coisa com você?
Porque se tiver eu.
- Não, Biel. Relaxa.
Ele balança a cabeça não rendendo. Entramos em um
outro assunto, Gabriel começa a contar dos boys dele,
o que me rende boas risadas, mais piranho que o meu
amigo, só dois dele.
- Vou te apresentar o amigo dele, ele faz o seu tipo,
bigodinho, cavanhaque, cara de quem não vale nada, só
não é bandido.
Sei lá, o jeito que Gabriel descreve os caras que ele acha
que eu gosto é diferente.
- Eu nem gosto de homem assim. - Me defendo rindo,
pegando um pouco do leite em pó puro.
- Senta lá Cláudia.
- Estou correndo de problema pro meu lado, homem é
sinônimo de problema.
-O f**a é que é umn problema tão gostoso. - Suspira e
eu concordo rindo. - Falando em problema, olha quem
chegou no bar.
Disfarço olhando para o bar vendo um grupo de homens
armados e Relíquia no meio deles, desvio o olhar
voltando minha atenção para Gabriel.
- De problema já basta eu. Você falou tanto desse rapaz,
deixa eu ver a foto.
- Calma aí. - Responde pegando o celular. - Olha como ele
é bonitinho. - Mostra a foto do boy do baile de ontem.
- E.. Tipo assim, comparando com os que você pega.
- Vai se f***r, Melissa. - Bate no meu braço me fazendo
rir.
Gabriel só gosta dos calangos.
- Mentira amigo, ele é bonitinho.
- Para de fazer essa cara.
- Hm, que cara? - Pressiono os lábios segurando a risada.
- Não te mostro mais nada também.
- Uii, a poc tá revoltada. - Provoco rindo.
- Rir baixo, Melissa. Meu Deus do céu, que vergonha. -
Coloca a mão no rosto tampando e é aí que eu riu ainda
mais. - Nunca mais saio com você.
- Para que você sai sim, você me ama, Gabriel.
Sinto o meu celular vibrar, olho pela notificação do
whatsapp o nome "Relíquia".
-ô dó.
- Vai negar que me ama? Tudo bem, deixa quando você
me chamar para algum baile.
- Você é muito chantagista. - Abre a boca indignado.
Meu celular vibra novamente.
Fico mais um tempinho conversando com ele, depois de
terminarmos o açaí voltamos paraa sua casa. Quando já
está quase escurecendo vejo que já é minha hora de ir.
- Depois você volta. - Eliane fala me dando a vasilha com
batata assada. - Não é pra sumir, heim? Se não eu mesma
Vou ir lá te buscar.
- Pode deixar, tia. - Riu dando um abraço nela. - Você
também tem que aparecer lá. Obrigada pela batata,
depois eu te entrego a vasilha.
- Não precisa se preocupar, quando você vir aqui você
trás.
- Melissa devolver vasilha? Ram. - Biel debocha. - Essa daí
é a doida dos potes.
- Vou ver se venho aqui no próximo final de semana.
Me despeço de Eliane saindo com Gabriel que vai me
levar até a barreira.
- Olha quem tá ali - Biel avisa me fazendo tirar atenção do
celular.
Olho para frente vendo Relíquia me olhando enquanto
Conversa com um vapor. Assim que eu olho para ele, ele
da um tapinha no ombro do rapaz, os dois fazem um
toque e o menino sai andando. Ele desencosta do muro e
enfia a mão no bolso da bermuda.
- Não vou precisar te levar lá embaixo. Ô glória, não vou
ter que andar.
- Aah, você vai me levar sim!
- Amo Você meu amor, mas não me atrevo com o costa
quente não. Deus é mais, você já viu a cara dele? Parece
que está com raiva o tempo todo.
- Tudo bem, Gabriel. Os de verdade eu sei quem são. -
Faço um joinha com o dedo.
- Você sabe que eu te amo. - Faz um coração todo torto.
- Ama, né seu falso? - Dou um beijo na sua bochecha. - Já
Vou indo então.
- Quando chegar em casa me manda mensagem.
-Tá bom, te amo.
- Também amo você. - Dá tchauzinho.
Respiro fundo pisando na calçada e encaro o indivíduo do
outro lado da rua.
- Vai negar voz memo? - Cruza os braços.
- Fala, Relíquia.
- Vou gritar não pô, vem cá.
Atravesso a rua me aproximando do indivíduo, mantendo
certa distância.
-O que Você quer?
- Tá me ignorando por quê? - Pergunta todo cheio de
marra.
Solto todo o ar que está em meu pulmão e o olho.
- Você me chamou pra isso? - Esfrego o olho exausta. - Tô
cansada e quero ir embora pro meu apartamento, é só
isso mesmo?
- Te fiz uma pergunta, Melissa.
- Não estou te ignorando, caso ao contrário eu não estaria
aqui conversando com você. Já tô liberada chefe?
- Tô conversando contigo numa boa Melissa, vem com
graça pra cima de mim não, eu heim.
- Vai conversar em uma boa comigo até quando? E só pra
mim saber mesmo, qual é a parte em que você começa a
ser grosso.
Quando dou por mim já falei, não consigo ficar com nada
entalado na garganta. Eu esfrego na cara mesmo.
Ele passa a mão no maxilar me encarando.
- Então cê tá bolada por isso?
- Não, Relíquia eu não estou bolada com nada!
Consigo enxergar um rastro de um sorriso no canto dos
seus lábios, o que me faz fechar mais a cara.
- Tổ conseguindo ver a fumaça saindo da tua cabeça
daqui ó. - Debocha apontando.
Não falo mais nada, dou as costas para ele e saio
andando. Sinto sua mão no meu braço me puxando de
volta.
- Não me deixa falando sozinho não irmão.
- Não tenho o que falar contigo não, Relíquia. - Ele respira
fundo ainda segurando no meu braço.
- Foi m*l por hoje cedo. - Fala olhando nos meus olhos.
Fico sem reação, por essa eu não esperava, mas mnesmo
assim não abaixo a minha guarda.
- Você não é obrigado a me contar nada, mas eu também
não sou obrigada aguentar suas grosserias. Dá próxima
vez que você me tratar m*l, você está me ouvindo? Dá
próxima vez, ainda mais sem motivo, você não vai ouvir
a minha voz nunca mais, e eu não estou brincando. - Falo
baixo e calma, mantendo a minha postura.
- Na moral foi sem intenção, reconheço que te tratei mal
e fui grosseiro contigo, por isso tô aqui na humildade me
retratando. - Coça a nuca todo avacalhado.
-Tudo bem, já que resolvemos tudo eu já vou indo.
- Qual foi, branquela, vai ficar com a cara emburrada
mesmo? Só pode ser fome isso aí, bora lá pra casa pra nós
comer uma pizza.
Eu só vou ir porque eu estou com fome eé ele que vai
pagar. . .