Capítulo 28- Sob o olhar do delegado

1220 Palavras

caminho de volta para casa pareceu mais longo do que o habitual. Eu estava no banco de trás do carro de Pedro, observando pela janela as ruas conhecidas, tentando organizar o turbilhão que ainda ecoava dentro de mim. O cheiro de cloro ainda impregnava meus cabelos, misturado ao perfume doce que eu não queria lembrar. Meu pulso ardia levemente onde ele havia segurado. Não doía de verdade. O que doía era o resto. Laura e Márcio conversavam baixo no banco ao meu lado, comentando algo sobre a mansão, sobre a piscina enorme, sobre como dona Elena era simpática. Eu respondia com pequenos sorrisos, fingindo normalidade. Aprendi cedo que, às vezes, sobreviver é fingir que nada aconteceu. Pedro dirigia em silêncio. Ele sempre fora assim quando percebia que algo estava fora do lugar. Como delegado

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