Capítulo 3- A protegida de Todos

929 Palavras
Ana Lis Quando pensei que tudo estava perdido — que já não me restavam forças para lutar — senti o homem ser arremessado para longe. Em seguida, alguém passou a golpeá-lo com fúria. Eu estava tão apavorada que m*l percebi quando ele me perguntou se eu estava bem, se eu tinha me machucado. Minha voz simplesmente não saía. Ele me conduziu até o carro, e eu não reagi. Apenas fui. Ao chegarmos, colocou o cinto de segurança em mim com cuidado, deu partida e seguiu em silêncio. Parou no caminho para comprar uma água. Foi só naquele momento, quando me entregou a garrafa, que realmente o observei. E então percebi. Meu Deus… que homem lindo. O susto veio logo depois: eu o reconheci. Era o bonitão da faculdade — o mesmo em quem eu havia derramado água dias atrás. E agora? Saí dos meus pensamentos quando ele perguntou o que eu fazia ali, sozinha, àquela hora. Contei tudo, ainda trêmula. Ele pediu meu endereço e, quando mencionei, pareceu surpreso — disse que também morava lá. Levou-me para casa. Ao chegarmos, meu irmão e dona Ana estavam do lado de fora, visivelmente apreensivos. Quando me viram, correram até mim. Meu irmão me pegou no colo, abraçando-me com força, perguntando onde eu estava, o que havia acontecido. Dona Ana chorava, e eu, mesmo abalada, tentei tranquilizá-la, dizendo que estava tudo bem. Foi então que meu irmão olhou para trás de mim e, surpreso, disse: — Theo Salvatori? Salvatori? Então esse era o nome dele? Ele cumprimentou meu irmão com naturalidade. — Olá, Bento. Tudo bem? Olhei de um para o outro, confusa. — Vocês se conhecem? — Sim — responderam ao mesmo tempo. Theo explicou o que havia acontecido. Meu irmão ficou furioso, como eu já esperava. Enquanto falava, Theo me lançava olhares estranhos — ou talvez fosse apenas impressão minha. Agradeci pelo que ele fez por mim. Ele respondeu, com simplicidade, que faria o mesmo por qualquer pessoa naquela situação. Não sei por quê, mas aquilo me deixou levemente desapontada. Meu irmão o agradeceu mais uma vez. Theo disse que ainda tinha um compromisso e precisava ir. Antes de se despedir, pediu que eu tivesse cuidado e que não saísse mais sozinha. Não sei o que me levou a fazer aquilo, mas, quando percebi, já o estava abraçando. Ele correspondeu. Eu, Bento e dona Ana entramos. Theo foi embora, e eu fiquei pensando naquele abraço. Um arrepio percorreu meu corpo. O que está acontecendo comigo? Saí dos meus pensamentos ao ouvir a voz preocupada do meu irmão. Ele perguntava se eu estava machucada, pedia desculpas por não estar ali para me proteger. — Calma, irmão. Eu sou adulta, tá? Ri, um riso nervoso, quase desesperado. Ele me fez prometer que eu não sairia mais sozinha de casa. Prometi prontamente. Fui para o meu quarto tomar banho, mas a imagem de Theo não saía da minha mente. Nem a do homem da cicatriz. Mais tarde, desci as escadas e encontrei meu irmão já arrumado. — Vou sair… mas só se você estiver bem. — Vai lá, maninho. Eu estou bem. Vai cuidar dos seus compromissos. Dei um beijo em seu rosto e provoquei: — Está todo cheiroso, hein? Ele riu. Sei que está saindo com alguém, mas não me conta. Talvez ainda pense que sou aquela irmã boba e ciumenta. Talvez eu seja… só um pouco. Theo Quando chegamos à casa dela, vi que já havia alguém à sua espera. Assim que o carro parou, o irmão dela correu em sua direção. Foi impossível não perceber o quanto ela era amada, protegida… cuidada. E então eu o reconheci. Bento. Que ironia… que mundo absurdamente pequeno. Eu já sabia que ele tinha uma irmã mais nova. Em uma das raras vezes em que saímos para conversar, ele mencionou “a protegida da família”, o seu maior tesouro. Nunca imaginei que fosse ela. Eu e Bento somos amigos — não daqueles de balada ou noitadas intermináveis. Ele sempre foi o tipo responsável, centrado, correto demais para certas imprudências. Nossa amizade nasceu do respeito, não da farra. Mas nada — absolutamente nada — me preparou para a beleza dela. Eu já havia reparado antes, claro. Desde o dia em que derramou água em mim na faculdade. Mas naquela noite… com os olhos marejados, assustada, vulnerável… ela parecia ainda mais intensa. Mais real. Quando ela me abraçou, meu coração simplesmente parou. Eu gelei. Pela primeira vez em muito tempo, fiquei sem reação. Eu, que sempre tenho uma resposta pronta, que nunca me deixo abalar… fiquei ali, imóvel, sentindo o calor do corpo dela contra o meu. E aquilo me desarmou completamente. Enquanto Bento a segurava nos braços e perguntava o que havia acontecido, eu observava. A forma como ele a protegia. Como a senhora — dona Ana — chorava por ela. Aquela cena dizia tudo: ela não era apenas amada… era preciosa. E alguém ousou encostar nela. A imagem daquele homem me veio à mente — a cicatriz no rosto, o olhar sujo, covarde. Senti meu maxilar travar só de lembrar. Eu sei que Pedro, o irmão mais velho dela, é delegado. Conheço sua reputação. Ele certamente dará um jeito naquele desgraçado. Mas isso não é suficiente. Não quando se trata dela. Vou mandar investigar quem é aquele filho da p@ta que tentou machucá-la. Quero nome, endereço, histórico… tudo. Porque, se depender de mim, ele vai aprender da pior forma possível que mexeu com a pessoa errada. E, pela primeira vez, percebo que minha preocupação não é apenas por justiça. É por ela.
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