Capítulo 20: Entre Fofocas e Decisões

979 Palavras
Ana Lis Acordei cedo, estranhamente animada. Hoje era dia de faculdade. Peguei meu celular e vi muitas notificações acumuladas durante a noite. Cliquei em uma delas e, de repente, tudo ficou pesado: lá estava ele, ao lado de uma mulher linda. O Theo estava com alguém. Minha visão se turvou por um instante, mas respirei fundo para não demonstrar nada. Pela matéria, era Tábata Mendes, uma atriz muito famosa. Entendi então por que ele não tinha ido ao hospital junto com os outros, por que não me mandou mensagem nem ligou. Pela notícia, eram ex e, pelo que dizia o texto, o “casal do ano havia voltado”. Desliguei o celular e prometi a mim mesma que aquilo não me afetaria. Não deixaria que me machucassem novamente. Bloqueei o número dele e resolvi manter distância, cortar qualquer possibilidade de contato. Respirei fundo, arrumei meu cabelo, fiz uma maquiagem leve e fui me preparar para o dia. Vesti minhas roupas, escolhi sapatos confortáveis e segui para o carro. Pedro foi quem me levou, já que Bento estava finalizando os trâmites para comprar a empresa e não poderia me acompanhar. Chegamos ao campus, e encontrei Noah, Enrico, Márcio e Laura me aguardando. Enrico me olhou com cautela, quase desconfiado, e perguntou se eu estava bem. Sorri, confiante, e respondi que sim, que tudo estava bem. Entre o alívio dele e o olhar atento de Noah, senti uma mistura de tranquilidade e expectativa. Entramos na universidade e seguimos para nossa sala. As aulas transcorreram normalmente, sem nenhum sobressalto. Tudo fluiu com naturalidade, e isso me deu uma sensação de controle que há dias eu não sentia. No final da aula, eu, Márcio e Laura decidimos ir à sorveteria. Avisei Pedro rapidamente e expliquei que depois iríamos para a casa de Laura. Lá, poderíamos conversar, relaxar e recuperar a leveza que parecia perdida. Enquanto caminhávamos, jogávamos conversa fora, rindo de pequenas histórias, das situações engraçadas que aconteciam na faculdade, e da fofoca que circulava sobre o Theo. De repente, Laura e Márcio me olharam ao mesmo tempo e perguntaram: Ana, você gosta do Theo? Respirei fundo, tentando organizar meus pensamentos. Fui sincera, apesar da confusão dentro de mim: não sabia ainda, estava confusa. Eles trocaram um olhar cúmplice e sussurraram que já tinham visto as fofocas. Meu coração apertou por um instante, mas rapidamente recuperei o controle e disse que não queria me importar, que a vida dele era dele, e que cada um fazia o que queria. Pedi para deixarmos aquilo para lá e seguimos andando, com um silêncio confortável, apenas apreciando o sol da tarde e a brisa leve que balançava meus cabelos. Chegamos à sorveteria e pedimos nossos sabores favoritos. Nos sentamos na mesa perto da janela, e a conversa fluiu leve, entre risadas, pequenas provocações e lembranças de histórias engraçadas da faculdade. Laura falava animada sobre os planos do fim de semana, Márcio contava algo que tinha acontecido com seus amigos e eu apenas ria, me deixando levar pelo momento. Por alguns instantes, consegui esquecer o Theo, o Luan, as notícias, as preocupações e até a pressão de Bento e Pedro. Depois de alguns minutos, decidimos continuar a tarde na casa da Laura. Lá, o ambiente era mais íntimo, confortável, acolhedor. Márcio trouxe um jogo de tabuleiro, e Laura colocou música baixinha ao fundo. Rimos, conversamos sobre assuntos aleatórios, histórias de infância e pequenas travessuras da adolescência. Senti que, finalmente, podia ser apenas Ana Lis, sem a pressão do mundo, sem o peso das notícias ou dos problemas familiares. Enquanto me acomodava no sofá, olhei pela janela e pensei no dia que tinha pela frente. A faculdade, os amigos, os momentos simples e sinceros que me davam forças. Lembrei-me de Theo por um instante, senti um leve aperto no peito, mas já não era raiva nem ciúmes, era apenas curiosidade e um cuidado silencioso que sempre carregava por ele. Prometi a mim mesma que seguiria, que protegeria meu coração e escolheria meus momentos. A tarde passou leve, quase mágica. Rimos tanto que nossas vozes ecoavam pela casa, fazendo até os vizinhos sorrirem, talvez. Márcio e Laura continuavam me provocando, e eu apenas ria, me permitindo aquela liberdade. Pensei na vida e em como pequenos momentos como aquele poderiam curar cicatrizes invisíveis, como o barulho da risada dos amigos poderia apagar lembranças dolorosas por algumas horas. Quando a tarde começou a cair, a luz suave do sol entrando pela janela me aqueceu o rosto. Senti paz, senti que podia respirar, finalmente. Estava cercada por pessoas que se importavam comigo, que me protegiam sem me sufocar, e isso era suficiente. Respirei fundo, agradecida, e prometi a mim mesma: Ana Lis, você vai seguir em frente, escolher a própria história e não permitir que ninguém tire sua paz. O telefone tocou, mas eu ignorei. Por algumas horas, nada importava além daquele momento. Só eu, os amigos, a música baixinha e a sensação de estar viva. Levantei-me e caminhei até a cozinha, peguei um copo de água e olhei para Laura e Márcio, que sorriram para mim. Era simples, mas era real, e naquele instante, isso bastava. O dia continuou sem pressa. Conversamos sobre a faculdade, sobre os professores, e rimos de situações bobas, enquanto eu sentia cada vez mais forte a certeza de que podia lidar com tudo. O passado podia ter tentado me machucar, mas ali, rodeada de amigos e cuidados sinceros, sentia que nada poderia me abalar. Quando finalmente nos despedimos para que cada um voltasse às suas casas, senti uma leve tristeza, mas também uma esperança renovada. Caminhei até o carro, respirei fundo e senti a liberdade de escolher meus passos, minhas decisões, minha própria felicidade. E pela primeira vez em dias, sorri sozinha, sabendo que o amanhã poderia ser leve, cheio de pequenas alegrias, e que eu não precisaria mais carregar nada que não fosse meu.
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