Ana Lis Chegamos em casa e o ar parecia pesado demais para caber nos pulmões. Assim que a porta se fechou atrás de nós, o silêncio não foi ausência de som — foi tensão acumulada. Theo estava visivelmente chateado. O maxilar travado, o olhar escuro, os ombros rígidos sob a camisa ainda desalinhada pela pressa com que saiu para me buscar. Eu sabia que tinha errado ao mentir. Sabia. Mas também sabia que não era uma criança inconsequente. Eu não tinha saído para trair, para provocar, para desrespeitar. Eu saí para respirar. — Vamos, Ana Lis. Fala. — A voz dele veio controlada demais, como quem segura um vulcão com as mãos. Respirei fundo antes de responder. Tá, Theo. Eu não queria te chatear dizendo que ia para a boate. Só isso. Eu queria encontrar meus amigos, conversar, rir um pouco. E,

