A noite se estendia como um véu espesso sobre a mansão, cobrindo-a de um silêncio quase reverente. Do lado de fora, a tempestade que se formava parecia um reflexo exato da tormenta que Kael e Elowen carregavam dentro de si. As cortinas balançavam suavemente com a brisa que escapava pela janela entreaberta, trazendo o cheiro úmido da chuva que começava a cair. Elowen estava parada diante do espelho do quarto, o coração acelerado, incapaz de ignorar a lembrança da confissão feita por Kael mais cedo. Ele não tinha escondido a verdade: ela havia sido usada, entregue a ele como moeda de troca. Essa realidade doía, mas ao mesmo tempo, o que eles haviam construído — cada olhar, cada toque, cada palavra dita em meio ao perigo — falava mais alto. O reflexo mostrava seus cabelos castanhos soltos,

