Capítulo 13

1442 Palavras
O silêncio na mansão pesava sobre os cômodos como uma presença invisível, carregada de tensão e frustração. As paredes, altas e frias, refletiam a luz suave do fim da tarde, tingindo o chão de um dourado opaco, mas não amenizavam o clima sufocante que pairava sobre o quarto de Elowen. Ela caminhava de um lado para o outro, os pés descalços tocando o tapete macio com passos quase silenciosos, mas seu coração batia com força, ecoando a raiva que não conseguia conter. Havia algo dentro dela que se recusava a ceder, mesmo após a discussão exaustiva da manhã. Kael havia negado, novamente, qualquer possibilidade de ela voltar a trabalhar na ONG, com aquele tom definitivo e frio que lhe dizia que sua palavra era lei. Mas Elowen não podia aceitar isso. Cada recusa, cada negativa silenciosa, só alimentava a chama da revolta que queimava em seu peito. — Não posso simplesmente desistir — murmurou para si mesma, as mãos fechando-se em punhos, a respiração acelerada. — Não vou abrir mão de tudo que é meu, de tudo que amo, só para caber nas regras de alguém que acha que pode controlar minha vida. Ela parou diante da janela ampla, encarando os jardins da mansão. O sol já se punha, tingindo o céu de laranja e dourado, mas a beleza artificial dos jardins parecia vazia, sem vida. Diferente da ONG, onde os risos das crianças enchiam o ar, onde a desordem era um reflexo de alegria e amor genuíno. Lá, mesmo entre dificuldades, havia calor, havia propósito. Elowen respirou fundo, reunindo a coragem que precisava. Não podia mais apenas aceitar a imposição dele. Ela precisava tentar novamente, precisava lutar por seu direito de existir como assistente social, de tocar a vida das crianças que tanto amava. Ela entrou no escritório de Kael com passos firmes, a determinação brilhando nos olhos. Ele a observava, sentado atrás da enorme mesa de madeira escura, a postura impecável, os dedos entrelaçados, os olhos fixos nela com intensidade quase dolorosa. O silêncio que pairava era pesado, carregado de tensão. — Kael… — começou ela, a voz firme, mas carregada de emoção contida — eu… eu quero voltar à ONG. As crianças… elas sentem minha falta. Precisam de todo o carinho e atenção que posso oferecer. Kael ergueu lentamente os olhos para ela, o semblante frio e impassível, como se cada palavra tivesse sido prevista, calculada e esperada. — Eu disse que não. — A voz grave cortou o ar, firme, definitiva. — E não haverá discussão sobre isso. — Mas… — começou Elowen, sentindo a frustração crescer — eu não posso simplesmente ignorar isso, Kael. Não posso… Ele se levantou de repente, com uma presença que fez o coração dela disparar. Cada passo que ele dava em sua direção aumentava a pressão no ar, o calor do corpo dele parecia quase esmagador. Ela sentiu o hálito quente dele contra o rosto, a intensidade de sua proximidade quase a sufocando. — Não me provoque mais, Elowen — disse ele, a voz saindo entre dentes, baixa, carregada de ameaça e possessividade. — Você não sabe do que sou capaz de fazer com você. A respiração dela ficou ofegante, os pulsos acelerando, enquanto seu corpo reagia de maneira involuntária à tensão que pairava entre eles. Cada palavra, cada sílaba, vibrava em seu peito, misturando medo, excitação e fúria. O olhar de Kael caiu para os lábios dela, um instante que durou segundos, mas que parecia estender-se no tempo. — Tão convidativos… — sussurrou, a voz carregada de uma intensidade que quase a desarmou. Elowen sentiu o calor subir ao rosto, uma mistura de raiva e confusão dominando seus sentidos. Ela queria recuar, mas a proximidade dele a mantinha imóvel, cada músculo tenso, cada fibra de seu corpo alerta. Kael fechou os olhos por um instante, respirando fundo, tentando se controlar. A possessividade e a raiva eram palpáveis, mas ele sabia que precisava manter a distância antes que sua vontade de dominar fosse ainda mais evidente. Com um gesto firme, ele recuou alguns passos, a aura de autoridade ainda presente, mas agora acompanhada de uma respiração controlada, um esforço consciente para retomar o comando de si mesmo. — Saia — disse ele finalmente, a voz baixa, firme, autoritária. — Agora. Elowen hesitou por um momento, olhando para ele com um misto de fúria e incredulidade. — Isso não resolve nada! — disse ela, a voz saindo carregada de indignação. — Você não pode simplesmente controlar minha vida assim! Kael permaneceu imóvel, os braços cruzados, os olhos fixos nela, como se cada palavra dela fosse apenas mais um teste que ele estava determinado a superar. — Eu controlo o que for necessário. Você aprenderá a aceitar isso — respondeu, a voz baixa, mas firme, cada sílaba carregada de comando. — E se não aceitar… sofrerá as consequências. Elowen respirou fundo, sentindo a frustração se transformar em fúria. — Não vou aceitar isso! — gritou, a intensidade de sua voz preenchendo o escritório. — Não vou ficar parada enquanto você decide tudo por mim! Kael avançou um passo, a presença dele esmagadora. — Você deveria ter aprendido que aqui as regras são minhas, e que qualquer desafio será enfrentado com rigor — disse, a voz firme, a proximidade dele quase sufocante. — Agora saia, antes que eu me canse de ser paciente. Ela mordeu o lábio, a raiva misturando-se à impotência. Cada palavra dele era um comando que queimava dentro dela, mas a determinação não diminuía. — Eu não vou sair… até que você me dê uma resposta justa — disse, cada sílaba carregada de desafio. Kael respirou fundo, fechando os olhos por um momento. A frustração e a raiva interna eram intensas, mas ele sabia que ceder não significava fraqueza — ceder seria conceder apenas uma batalha mínima, e ele não poderia negar completamente sem perder o controle total da situação. Ele recuou levemente, soltando um suspiro controlado. — Muito bem — disse, a voz baixa, firme, mas com uma medida de concessão — você não voltará à ONG. Mas… — pausou, cada palavra medida — terá permissão para contatos limitados. Pequenos encontros, supervisão parcial. Nada que comprometa minha vigilância. Elowen sentiu uma mistura de alívio e frustração. Não era a vitória completa que desejava, mas era algo. — Obrigada — disse, a voz firme, mas carregada de emoção contida. Kael a observou, os olhos escuros avaliando cada reação. — Lembre-se disso — disse, a voz baixa, carregada de intensidade — qualquer passo fora do limite que determinei será considerado provocação. E você sabe do que sou capaz. Ela respirou fundo, tentando controlar a respiração que ainda saía irregular. — Eu sei — respondeu, os olhos fixos nos dele, carregados de determinação — mas mesmo assim, não vou parar de lutar pelo que é certo. O silêncio que se seguiu foi pesado, quase sufocante. Cada um deles absorvia a presença do outro, a tensão vibrando no ar como eletricidade. Kael permaneceu imóvel, os braços cruzados, estudando cada expressão dela, cada movimento. A intensidade era quase insuportável, mas necessária para manter o controle. — Então vá — disse ele finalmente, a voz firme, autoritária — cumpra o que prometeu. E nunca esqueça: qualquer deslize terá consequências. Elowen assentiu, a respiração ainda acelerada, mas os olhos firmes. — Eu farei — disse, carregando cada palavra de desafio e determinação. Ao sair do escritório, sentiu a mistura de frustração e leve vitória percorrer seu corpo. Não era liberdade completa, mas era uma concessão mínima, um espaço para que sua voz pudesse ser ouvida, sua vontade pudesse ter espaço mesmo sob o domínio absoluto de Kael. Enquanto caminhava pelo corredor da mansão, ainda sentia a intensidade da presença dele, cada palavra, cada gesto permanecendo em sua mente. Ela sabia que aquela batalha estava longe de terminar, mas também sabia que não podia simplesmente se curvar. O ar estava carregado de tensão, e cada passo que dava parecia ecoar pelo espaço vazio. A determinação de Elowen crescia a cada momento, assim como a frustração de Kael. Havia uma guerra silenciosa entre eles, um duelo de vontades, de desejos e de controle. E, embora nenhum dos dois admitisse, havia algo mais profundo, uma conexão que fervilhava sob a superfície — uma mistura de fascínio, possessividade e desejo contido. Elowen respirou fundo, sentindo a adrenalina ainda pulsar em suas veias. A batalha continuaria, mas pelo menos agora havia uma faísca de espaço para ela, um resquício de liberdade, ainda que mínima. E aquela faísca era tudo que precisava para continuar lutando, para continuar resistindo e, acima de tudo, para não se apagar completamente diante do homem que controlava sua vida.
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