cap 06 amigo não seca a amiga

1014 Palavras
Moura Papo que ontem eu nem fiquei muito tempo no baile. Depois que a Céci chegou, eu encarnei na amiga dela. Lindona, pô! Puxei ela pra dançar e depois levei pra fora da quadra. Pensei que ela não ia render pro meu lado não, mas foi ela que teve iniciativa e me beijou. Porém, não passou disso. Depois de uns amassos, eu deixei ela em casa e voltei pro meu cafofo. Hoje de manhã eu acordei e fui pra casa da minha mãezona de consideração, tomar aquele café na casa dela né, fi? Bom, meus pais biológicos eram aqueles viciados que vendiam tudo o que tinha dentro de casa pra sustentar o vício deles. Fizeram dívidas com caras de outra facção e aí eles subiram aqui e cobraram os dois na minha frente. Na época, o pai do Palhaço era vivo e chegou a tempo pros caras não fazerem nada comigo. Ele e a Dona Ana me acolheram, me deram um lar e eu soube o verdadeiro significado de família. E eu sempre vou ser grato a eles por isso. -- Bom dia, minha véia - falei entrando na cozinha. -- Bom dia, meu filho. Teu irmão tá lá em cima ainda. Tomei aquele café da manhã reforçado, com direito a tudo de bom. -- Ei, Moura, rolou um problema de leve ontem no final do baile. Quero que tu vá comigo cobrar - falou entrando na cozinha. -- Rolou o quê? -- Cirqueira pegou a mulher dando gaia nele. -- Medo de assumir uma fiel e ela me dá gaia também - falei bebendo o resto do suco que estava no meu copo. O pior é que o Cirqueira era fiel com ela, pô, não aprontava nada. -- Tô ligado, pô. Ela sempre se atirava pra cima dos caras quando ele não tava. O bagulho vai ser cobrado sem neurose. Saímos indo direto pra sala de tortura lá em cima. Quando entrei, já dei de cara com a dona jogada no chão com um pouco de sangue no rosto, e o cara do outro lado estava intacto ainda. -- Aê, chefe, as meninas veio aqui e deram um trato nela do jeitinho que tu pediu - um dos vapor falou. -- É isso mesmo, menor. Cirqueira, tu pode dar o teu jeito no talarico aí - Palhaço falou puxando o Cirqueira. O mano Cirqueira começou a distribuir socos no cara e depois pegou um pedaço de madeira e bateu sem dó nas costas, pernas e até mesmo na cabeça. O cara já tava até babando. -- Tá bom, ele já apanhou o suficiente - falei interferindo. -- Qual foi, Moura? Peguei esse cara beijando a minha mulher e tu vai deixar ele no erro? -- A questão é obedecer a lei que a favela impõe. O combinado era tu bater nele pra ele ter uma lição e não matar. -- Você tá passando pano pra talarico, isso sim - Cirqueira falou apontando o dedo pra mim. -- Abaixa o dedo que eu não tô te dando essa moral. Se tu quiser matar ele, vai em frente, mas depois tu vai ter que matar a sua mulher do mesmo jeito também, ou esqueceu que quem devia fidelidade a você era ela e não ele? - falei já me alterando. -- O Moura tá certo. A cobrança dele era um c****e bem dado e isso já tá feito. Agora tu tem que cobrar é a tua fiel ali - Palhaço falou dando uma máquina de cabelo na mão do Cirqueira. A moça se debatia de todas as formas pedindo pra parar. A dona tinha um cabelão mó bonito. Isso que dá se envolver com bandido e não cumprir a fidelidade. Tem mina que acha que é mil maravilhas ficar conhecida como mulher de traficante, mas isso não passa de uma ilusão. Agora as doninhas daqui da favela vão tudo ver a mulher careca e já vão saber que foi cobrada por traição. Bagulho feião, papo reto. Depois da cobrança ser feita, a mandada da Céci me ligou falando que a mãe dela fez um rango da hora e mandou eu e o Palhaço ir comer. Mandei ela marcar dez que nós chegava lá. (...) -- O mais gostoso chegou - falei entrando. -- Queria ter sua autoestima - Cecília falou rindo. -- Cadê a tia? - Palhaço perguntou se sentando. -- Foi tomar banho, pode se servir aí. O rango era estrogonofe de frango com aquele arroz branco e batata palha. -- Iae, meus meninos - a mãe da Céci falou entrando na cozinha. -- Iae, tia. Como a senhora tá? - Palhaço perguntou. -- Tô bem, só um pouco cansada por conta do trabalho mas logo logo pego férias. -- E eu logo logo volto pra faculdade - Cecília falou com uma expressão de cansada. -- E como vai ficar o estúdio? - perguntei curioso. -- Eu faço faculdade pela parte da manhã, então na parte da tarde eu atendo as clientes e a noite eu tiro tempo pros estudos. -- Vai ser uma rotina cansativa viu, minha filha. -- É né, mãe, mas no final o esforço vai valer a pena. -- Que isso em, Cecilião, toda determinada - falei gastando ela, que logo me olhou de cara feia pelo apelido. Tenho um orgulho danado dessa menina. É outra que eu considero uma irmã. Ela sempre me ajudou nas paradas, eu conto tudo pra ela e ela conta tudo pra mim. O trio de irmãos bota fé? Eu, a Céci e o Palhaço. Pelo menos eu considero, né. Já o Palhaço e a Céci é outra história. Eles tem uma química mó da hora, mas quando eu toco nesse assunto com o Pedro, ele só falta me enforcar. O cara dá mil e um porém, falando que a Céci é amiga dele e só isso. Amigo o c*****o! Já viu amigo secar a amiga assim na cara dura? Eu acho que eles têm medo de estragar a amizade por isso que ainda não se pegaram, mas isso aí é só questão de tempo.
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