Barbara narrando Quando o Muralha tocou no assunto da cirurgia do meu irmão, senti como se ele tivesse encostado direto na parte mais sensível do meu peito. Não era apenas uma questão médica ou financeira — era uma ferida aberta que eu carrego desde o dia em que ele tomou aquele tiro. Eu e minha mãe já tínhamos corrido atrás de tudo que estava ao nosso alcance, esgotado todas as possibilidades que cabiam no nosso orçamento, batido na porta de quem pudesse ajudar. Só que o valor era absurdo, completamente fora de cogitação para a nossa realidade. Não se tratava apenas da cirurgia, que por si só custava mais do que eu jamais consegui imaginar ter nas mãos, mas também de todo o tratamento posterior, da estadia em outro país, porque ele precisaria fazer fora do Brasil. Minha mãe teria que i

