Lobo narrando A madrugada tava silenciosa. A casa nova parecia respirar com a gente. O corpo da Thalia grudado no meu, a perna dela entrelaçada na minha, a respiração suave, o cheiro de sorvete ainda impregnado na pele dela, misturado ao cheiro do sexo, da entrega, do nosso começo. A cabeça dela repousava no meu peito, os dedos pequenos espalhados no meu abdômen, como se inconscientemente quisesse se manter ali, colada em mim, protegida. Eu tava em paz. Pela primeira vez em muito tempo, eu tava realmente em paz. Mas a p***a do rádio não deixou essa paz durar. O barulho seco da frequência chiando me acordou com um estalo no peito. Era o tipo de som que a gente conhece bem. Queima no ouvido, afunda no estômago. Uma frequência que só dispara quando alguma merda grande tá prestes a aconte

