Capítulo 4: O Canto da Sereia -parte 2

1299 Palavras
Quando se aproximam do barracão percebem haver mais homens do que antes. - O pessoal do Cavalo tá aqui! Não é pra vacilar!- diz Pé-de-c***a, cauteloso, fitando os dois jovens. - Quem é Cavalo? - pergunta Zaroio. - Tu vai ver, pivete xereta! - responde Pé-de-c***a, irritado. Entram no barracão. Capitão e Cavalo estavam sentados um diante do outro. Cavalo era um jovem afrodescendente muito alto e muito forte, vestido com roupas esportivas. - Niel, Zaroio, este é nosso aliado, Cavalo! - apresenta Capitão. Martiniel e Zaroio permanecem estáticos. - São esses que chegaram ontem? - pergunta Cavalo, surpreso. - Sim. Niel pediu pra entrar no movimento. Ele foi fazer ponto na baixada ali e avisou onde Pirata estava atacando. - conta Capitão, apontando para Martiniel com ar de satisfação. - E esse outro? - pergunta Cavalo, apontando para Zaroio. - Esse pivete é amigo do Niel! Não teve escolha senão ficar com a gente! - responde Capitão. - Esse pivete era para ir para a sentinela no Bairro da Curva! - sugere Pé-de-c***a. Capitão olha para Pé-de-c***a. - Quando eu quiser tua opinião eu aviso, tá ligado, Pé-de-c***a? - emenda Capitão, lentamente. Pé-de-c***a engole em seco. - Aquele ponto ali no Bairro da Curva é pedreira, Capitão. Não dá pra esses dois não, tem que ser gente cascuda pra fazer ponto lá! - comemta Cavalo. - Se a gente não for, Pirata vai e aí toma o resto do morro! - responde Capitão. Cavalo pensa por instantes. - Então mando um pessoal meu fazer ponto lá e depois a gente se acerta! - retruca Cavalo. - Já é, Cavalo! Te ajudo naquele negócio da comunidade da Baixa! Não vamo dar chance pra Pirata tomar o que é da gente, não! - devolve Capitão. Cavalo sorri, satisfeito. - Falou! Vou dar uma festa amanhã de noite na comunidade de cima, quero que você vá também! - diz Cavalo. Capitão sorri. - Vou lá com o meu pessoal, Cavalo! - responde Capitão. Cavalo levanta-se e cumprimenta Capitão. - A gente se vê, tá ligado, Capitão? - despede-se Cavalo. Cumprimentam-se com toques rápidos de mãos. - Já é, Cavalo! A gente se vê! - despede-se Capitão. Cavalo sai. Martiniel e Zaroio se entreolham, assustados. Capitão volta a se sentar na poltrona. Olha sério para os dois jovens. - Chega aí, pivetes! - ordena ele. Martiniel e Zaroio se aproximam timidamente. - Cês ouviram o que Cavalo falou, que vai dar uma festa pra gente amanhã de noite! Vocês dois também vão. - avisa Capitão. - E eu, Capitão? Quero ir também! - diz Pé-de-c***a, animado. Capitão olha para Pé-de-c***a sério, encabulando-o. - Cê vai ficar tomando conta da comunidade aqui! - responde Capitão, secamente. Pé-de-c***a tentava não se mostrar contrariado. - Capitão, o que vou levar pra festa? - pergunta Martiniel. Capitão olha sério para o jovem. - Pivete só deve falar quando eu disser, tá ligado? - corta Capitão. - Quem vai levar eles? Dente-de-Onça? - pergunta Pé-de-c***a. - Sim, ele mesmo! - diz Capitão, apontando para um dos homens fortes que estava no barracão com eles. - Certo, Capitão, levo eles amanhã! - responde Dente-de-Onça, que tem esse apelido por ter dentes caninos muito grandes. - Chega aí vocês dois! - diz Capitão, apontando para Martiniel e Zaroio enquanto se dirige para uma mesa distante, cheia de equipamentos. Os jovens o seguem. - Vai chegar a hora em que vão usar essas coisinhas para umas paradas que farão nas comunidades do Bairro da Curva. - revela Capitão manuseando alguns equipamentos carregados. Martiniel e Zaroio permaneciam calados, o que incomoda Capitão. - É para dizer se estão dentro ou não! - exclama Capitão, rispidamente. - A gente não pode pensar? - pergunta Zaroio, timidamente. - Não! Se entraram para o movimento farão o que eu mandar! - rebate Capitão, sério. Mais uns instantes de hesitação dos jovens enervam Capitão. - Deixem de caô e respondam! Tenho mais o que fazer! - exclama Capitão, com veemência! - A gente tá dentro! - responde Martiniel, fazendo Zaroio olhá-lo horrorizado. - É assim que se faz, tá ligado, Niel? Eu mando, vocês obedecem! Não tem lugar pra vacilo! - retruca Capitão, satisfeito. O celular de Capitão toca. Ele se afasta um pouco para atender. Depois volta-se alarmado. - Pirata tá voltando a subir o morro! Vamo nessa! - diz Capitão, apreensivo, pegando alguns equipamentos. - E a gente, Capitão? - pergunta Martiniel. Capitão faz sinal para Pé-de-c***a. - Leva eles para os pontos na Barra! Vou ligar pra Cavalo!- diz Capitão, se apressando. Pé-de-c***a, visivelmente com má vontade, se aproxima dos jovens. - Vamo nessa! - diz Pé-de-c***a. Descem por uma passagem entre a vegetação que cobre o morro. Desta vez seguem para um caminho diferente. Param em um paredão de uma ladeira. - Tu fica aqui, pivete! Vou levar teu amigo pra outro ponto! - diz Pé-de-c***a para Martiniel. Em seguida prosseguem descendo o morro. Pipocos e gritos são ouvidos ao longe. Martiniel tinha uma vista privilegiada de muitas comunidades próximas. Percebe movimentação na entrada de algumas delas. Pega o celular para ligar para Capitão. - Capitão! Os cara estão subindo pela entrada da mata! - avisa Martiniel. Enquanto isso, Zaroio, Pé-de-c***a descem apressadamente. Param em um ponto com vista para a encosta de outro morro próximo. - Pivete, tu fica aqui vendo se vem gente daquele lado e avisa Capitão! Não é pra vacilar, tá ligado? - ordena Pé-de-c***a, apressado. - E tu vai pra onde? - pergunta Zaroio. Pé-de-c***a olha irritado para o jovem, - Vou ajudar Capitão, Zaroio! Fica aí até a gente voltar! - diz Pé-de-c***a, descendo depois e sumindo na mata. Zaroio fica nervoso. Segura ansioso o celular. Nesse instante, Capitão e sua tropa estava combatendo esquina a esquina com os homens de Pirata. - Dente-de-Onça! - grita Capitão. - Tô aqui, Capitão! - responde Dente-de-Onça. - Quem tá no lado de lá da pista? - pergunta Capitão em meio aos pipocos. - Tem ninguém nosso lá, não! - responde Dente-de-Onça. - Pega uns três e vai lá antes que Pirata tome aquele canto! - ordena Capitão. - Já é, Capitão! - responde Dente-de-Onça, acenando para três homens o seguirem. Capitão tenta avançar. Consegue se proteger em algumas ruínas e atingir alguns inimigos. Pouco depois o pessoal de Cavalo chega e reforça a defesa. Os homens de Pirata se retiram novamente. Depois de um tempo, Capitão vai até onde estava o pessoal de Cavalo. O próprio Cavalo o vê e se aproxima dele. - Chega aí, Capitão! - comemora Cavalo. - Já é, Cavalo! - retribui Capitão. - Vamo nessa! Ganhamos mais uma de Pirata! - responde Capitão. - É! Mas é bom deixar um pessoal de olho nesse canto! - condiciona Cavalo. - Deixa comigo! - responde Capitão. - Vai subir com a gente? - pergunta Cavalo. - Agora não! Tô esperando Dente-de-Onça voltar! - responde Capitão, preocupado. - Aquele canto lá é fria! Pirata já deve ter ido lá faz tempo! - retruca Cavalo. - Espero que a gente tenha chegado antes dele! - pensa Capitão, preocupado. - Então vou nessa! Depois a gente se vê, Capitão! - devolve Cavalo. Capitão e Cavalo se cumprimentam e Cavalo retorna com o seu pessoal. Capitão continuava aguardando Dente-de-Onça. Como ele se demorava, Capitão resolve ligar para ele. - E aí, Dente-de-Onça? - pergunta Capitão. - Capitão, chegamo tarde! Pirata já sabia que a gente viria pra cá e detonou geral a gente! Só ficou Martelo e eu, que nos escondemos na quebrada! - responde Dente-de-Onça, com dificuldade. - Que caô é esse, Dente-de-Onça? - pergunta Capitão, chateado. - Perdemos o ponto do Bairro da Curva! - resumiu Dente-de-Onça, fracamente. Sirenes se aproximando podiam ser ouvidas. Pasmo e incrédulo, Capitão olhava ao redor, desconfiado. Alguém havia dedurado eles!
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