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2148 Palavras

Aurora Acordei antes do despertador tocar. Nem lembro se dormi de verdade. Eu só sei que fechei os olhos com o coração disparado e abri sentindo a mesma coisa. A casa ainda estava silenciosa, só dava pra ouvir o ronronar baixinho do ventilador girando no teto da sala. Luna dormia enroscada no travesseiro, com uma das mãos segurando a barra da minha blusa como se dissesse: "não vai, mamãe". Mas eu ia. Não agora, não ainda, mas ia. Levantei devagar, prendi o cabelo num coque frouxo e fui até a cozinha. Treva já tava de pé, sentado na cadeira de ferro perto da janela, aquele copo de café preto nas mãos e o olhar fixo no nada. — Vai ser hoje? — ele perguntou sem nem me olhar. — Hoje começa, pai — respondi. — o Pedro mandou mensagem. Vai juntar a galera cedo, passar o plano. O homem que sa

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