Aurora O caminho até o mirante parecia mais longo do que era de verdade. Talvez fosse o peso que eu carregava no peito, talvez só saudade. As ruas estavam calmas, um vento morno passava entre as casas e empurrava meus pensamentos pra longe, quase como se dissesse: "Vai lá, menina, se alivia um pouco". Subi os últimos degraus e lá estava ele. O mesmo lugar de sempre. A mesma vista do alto do morro, onde o céu parecia mais perto da gente. Ali dava pra ver metade do mundo, se quisesse. E a outra metade a gente completava com as memórias. Sentei no concreto gelado, puxei o joelho pro peito e respirei fundo. O silêncio era bom. Era raro. Foi aqui que eu e o Gui ficamos juntos pela primeira vez depois que eu voltei. Eu tinha levado um monte de incerteza, e mesmo assim fiquei. Porque com ele,

