Suja

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- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Isabella Por um segundo pensei em lutar contra, em fazer de tudo para não apanhar. Mas respirei fundo, e junto com o ar, não veio o sentimento de intrepidez! Veio a fraqueza, o medo, a pusilanimidade, eu nunca fui corajosa e não decidi ser dessa vez. Eu desisti, senti a mão de Larry segurar meu rosto com força e colar sua boca em minha face, queria que acabasse logo, queria que ele fizesse o que tem que fazer, mas afinal o que deve fazer? Ele vira meu rosto com força e vejo o ódio em seus olhos! Se esse tipo de coisa fosse real, poderia dizer que nesse momento, ele está sentindo o cheiro meu medo, do meu puro pavor! "Cada um tem aquilo que merece" É isso que mereço? Mereci tudo em minha vida? Mereço sofrer? Ser abusada? Se essa é a verdade, ela é bem difícil de aceitar. Deus do céu, fogo eterno, parece esse ser o meu infinito. Olho profundamente em seus olhos e o mesmo se afasta e larga seu cinto com raiva, passa as mãos em seus cabelos freneticamente e no fundo sei que meu coração está em puro pavor Larry - O que vou fazer com você? Como pode ser tão estupida nesse esse ponto, boneca? Você está me dando muito prejuízo, como você acha que vai pagar sua divida desse jeito? - Alguém bate na porta e Larry vai em direção a ela abrindo a mesma. Ele fala super baixo com a pessoa do outro lado da porta, tornando sua voz inaudível para mim, e logo fecha a porta - Vamos, Candy Sou puxada e arrastada para fora do escritório, Larry me empurra para um dos quartos do Club me fazendo cair no chão e fecha a porta logo em seguida, levanto meu corpo e vejo o maior rato dos ratos, o que puxou meus cabelos. Meu corpo todo se arrepia e peço a Deus que tire minha a minha vida, mas ele não o faz. - Achou que ia se livrar, p*****a? Larry precisa contratar vadias melhores. Odeio quando são malcriadas, sabia disso? Vocês pedem por isso, pedem para serem castigadas Ele anda até mim muito rápido e põem as mãos ao redor do meu corpo, quando me debato ele segura meus braços e acabo batendo meu cotovelo nele, posso jurar que vi seus olhos ficarem vermelhos, senti o peso do ar e o cheiro de sua raiva! Me ouço soluçar e sinto as roupas se rasgando em minha pele, naquele momento senti a brisa da nostalgia, impura, suja e nojenta nostalgia. Sabia o que ia acontecer e então apenas repeti para mim mesma: '' Vai acontecer, então, apenas se prepare'' sou empurrada na cama e não sinto forças para me mexer, quero lutar, mas parece que minha mente não permite. É como se eu não tivesse controle sobre o meu próprio corpo, e eu realmente não tenho! Sinto seus beijos em meu pescoço e a sensação me lembra a morte, a decomposição. Suja! É como me sinto a cada investida, metida, violência. Sinto ele se despejar em meu interior, podre e nojento. Posso sentir o cheiro da minha carne pútrida, sinto seus dedos passarem duramente por minha pele e meus olhos se enchem de lágrimas novamente. O porco sai do quarto e volto a ter domínio do meu próprio corpo, no quarto só se ouve meu soluço alto e o ranger de meus dentes, passo o cobertor da cama pelos meus braços, minhas pernas e todo o resto do meu corpo. Esfrego tão forte que minha pele fica avermelhada, mas não deixo de me sentir suja! Não sei quantos minutos ou horas se passaram, só ouço a porta sendo aberta e vejo July, uma das meninas daqui. Ela fica um tempo olhando para mim e não demonstra emoção alguma, mas posso ver a empatia de seu olhar, ela vem até mim e me levanto, enrolando meu corpo no lençol da cama. Nós duas saímos do quarto e vejo que o maior rato dos ratos rindo enquanto conversa com Larry que ri também e recebe dinheiro em suas mãos, July me guia até o chuveiro do banheiro de nosso quarto. Ela tira o lençol de meu corpo e ainda não tenho uma reação, July liga o chuveiro e pega o sabonete espalhando o mesmo pelos meus braços, minhas pernas e meu colo. Após o banho, July me veste e se senta comigo na cama, ela olha em meus olhos, suspira e sai do quarto. Me levanto e ando em direção ao espelho quebrado, passo os olhos em meu corpo e enrugo minha testa ao perceber as marcas que foram feitas em meu corpo. Meus braços roxos, pescoço, minhas coxas e não procuro saber aonde mais! Me deito em minha cama e sinto meu corpo pesar em completa exaustão e então pego no sono. Acordo cedo e vejo as meninas ainda dormindo, já no automático começo minha rotina, faço o café da manhã, pego as roupas secas e as dobro e logo em seguida ponho as outras roupas para lavar. Quando estou indo para os quartos passo pelo escritório de Larry e a porta está aberta, o vejo lá dentro com aquele rapaz, como se chama?... o amigo de Aleksey. Ai Deus como se chama? Eliot, isso mesmo, Eliot! Eliot olha para mim sorrindo entre lábios, mas para assim que desce sua visão para meus braços agora descobertos, sua testa se enruga e um V perfeito é formado bem ao centro da mesma, sem esperar saio de lá, rapidamente como um coelho. Decido não tomar café e entro no quarto, ouço o som de uma música levemente e chego próximo a janela, e então me sento para ouvir, me apaixonando pela letra ''Fala lá para ela Que eu penso em estrelas Quando eu tô com ela Estrelas Saio desse prédio Eu não tô com ela Eu procuro ela Procuro ela Talvez ela seja exatamente como medo de estar gostando de alguém Deve ser uma das cinco mil explicações possíveis sobre o que é o amor Eu gosto dela Isso é tão claro Eu gosto dela Isso não pode ter fim'' Imagina só, estar com alguém te faz ver estrelas! Imagina só estar com alguém, deve ser uma das melhores sensações, ser amado. Me pergunto se um dia vou ser amada, verdadeiramente amada, de forma pura e profunda. Fico na minha janela curtindo o bom gosto musical dessa pessoa desconhecida, mas logo depois vou estender as roupas, enquanto estou lá July aparece. July - Como você está? Isa - Eu estou bem, July! Muito obrigada por ter me ajudado ontem, obrigada mesmo. July - Não tem que agradecer, não deixaria você passar sozinha por isso! E pode me chamar de Maria. - Maria? Ela me disse mesmo o nome de verdade dela? Isa - O meu é Isabella July - Você tem um nome bonito - Ela diz e se senta em uma cadeira, me vendo estender as roupas - Por que está aqui? Você me parece muito novinha, não deve ter filhos ou alguém para cuidar, até porque mora aqui Isa - Não tenho filhos ou alguém! A um bom tempo atrás Larry me deu uma ajuda, mas depois ele me obrigou a vir para cá dizendo que eu tenho uma divida com ele. E então eu estou aqui pagando essa divida que eu nem sei o valor. July - Estou aqui por causa dos meus filhos, eles moram com a minha mãe, não tenho condição de pagar um aluguel. Estou aqui para juntar a maior quantidade de dinheiro que eu puder para poder colocar os meus filhos na escola e ter uma casa só para gente! Isa - Eu espero que consiga juntar esse dinheiro logo, Maria! Quantos anos eles tem - Pergunto e ela puxa um celular logo me mostrando uma foto com os filhos dela - São tão fofos July - Esse é o Gabriel, ele tem três anos! Esse é o Gael, ele tem um ano e quatro meses! São tudo pra mim, uns amores Isa - E o pai deles? July - Ele já não está mais entre nós Isa - Sinto muito - Digo e ela sorri para mim sem mostrar os dentes - Estou com fome, vamos comer? Estendo a ultima peça de roupa e vamos comer, passamos muito tempo conversando e me sinto feliz por ter feito amizade com alguém. Esse lugar parece menos r**m agora que tenho uma companhia. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
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