Capítulo 20

469 Palavras
O vento passou mais forte pelo campo, levantando levemente os fios ruivos de Olívia. Ela ainda o encarava, em silêncio. Como se estivesse tentando organizar o que sentia… e falhando. Felipe não desviou o olhar. E então, sem pressa, ele se aproximou um pouco mais. — Você não precisa caber em nada, Olívia — ele disse baixo. Ela respirou fundo. — Você fala como se fosse simples… — Não é simples — ele respondeu. — Mas é real. Silêncio. O olhar dos dois ficou preso. Mais pesado. Mais próximo. Mais perigoso. Olívia deu um meio passo à frente, sem perceber. E foi o suficiente. Felipe tocou de leve o rosto dela. Como se pedisse permissão sem palavras. Ela não se afastou. Foi isso. O fim da distância. Ele a beijou. Diferente da primeira vez. Diferente de qualquer outra. Mais intenso. Mais cheio de coisa guardada. Olívia fechou os olhos na hora, puxando ele para mais perto sem pensar. E por alguns segundos, o mundo simplesmente desapareceu. Quando o ar faltou, eles se afastaram só o suficiente para respirar… Mas não o suficiente para se soltarem. Olívia abriu os olhos primeiro. E riu baixo, nervosa. — Isso… isso não devia estar acontecendo assim fácil. Felipe sorriu de lado. — Tarde demais. Ela empurrou levemente o peito dele, ainda sorrindo. — Você é impossível. E então, sem avisar… ela virou e começou a correr. — OLÍVIA! — ele chamou, rindo. Ela correu em direção ao milharal ao lado da fazenda, o vestido leve balançando com o vento, o riso escapando sem controle. — Vem me pegar, então! Felipe demorou meio segundo. E foi atrás. — Isso não é justo! — Na minha fazenda tudo é justo! — ela gritou rindo. O milharal alto os envolvia, criando um cenário dourado e vivo. Ela corria leve, livre, como se tivesse voltado a ser quem era antes de tudo pesar. Felipe vinha logo atrás, mais rápido do que ela imaginava. — Você tá muito confiante! — Eu sempre fui! Ele finalmente alcançou ela por trás e segurou de leve sua mão. Ela tentou escapar rindo, mas ele puxou com cuidado — sem força, só o suficiente pra fazê-la parar. Os dois ficaram ali. Respirando rápido. Rindo. Perto demais. O som do vento era o único ao redor. Felipe ainda segurava a mão dela. E agora não soltou. — Você sempre foge assim? — ele perguntou baixo. Olívia tentou recuperar o fôlego. — Depende do motivo. Ele deu um passo mais perto. — E qual é o motivo agora? Ela olhou pra ele. E dessa vez não respondeu com brincadeira. Só ficou em silêncio. Porque a verdade era simples demais pra ser dita em voz alta: Ela não estava fugindo dele. Estava fugindo do que ele fazia ela sentir. E isso era muito mais perigoso.
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