O vento passou mais forte pelo campo, levantando levemente os fios ruivos de Olívia.
Ela ainda o encarava, em silêncio.
Como se estivesse tentando organizar o que sentia… e falhando.
Felipe não desviou o olhar.
E então, sem pressa, ele se aproximou um pouco mais.
— Você não precisa caber em nada, Olívia — ele disse baixo.
Ela respirou fundo.
— Você fala como se fosse simples…
— Não é simples — ele respondeu. — Mas é real.
Silêncio.
O olhar dos dois ficou preso.
Mais pesado.
Mais próximo.
Mais perigoso.
Olívia deu um meio passo à frente, sem perceber.
E foi o suficiente.
Felipe tocou de leve o rosto dela.
Como se pedisse permissão sem palavras.
Ela não se afastou.
Foi isso.
O fim da distância.
Ele a beijou.
Diferente da primeira vez.
Diferente de qualquer outra.
Mais intenso.
Mais cheio de coisa guardada.
Olívia fechou os olhos na hora, puxando ele para mais perto sem pensar.
E por alguns segundos, o mundo simplesmente desapareceu.
Quando o ar faltou, eles se afastaram só o suficiente para respirar…
Mas não o suficiente para se soltarem.
Olívia abriu os olhos primeiro.
E riu baixo, nervosa.
— Isso… isso não devia estar acontecendo assim fácil.
Felipe sorriu de lado.
— Tarde demais.
Ela empurrou levemente o peito dele, ainda sorrindo.
— Você é impossível.
E então, sem avisar…
ela virou e começou a correr.
— OLÍVIA! — ele chamou, rindo.
Ela correu em direção ao milharal ao lado da fazenda, o vestido leve balançando com o vento, o riso escapando sem controle.
— Vem me pegar, então!
Felipe demorou meio segundo.
E foi atrás.
— Isso não é justo!
— Na minha fazenda tudo é justo! — ela gritou rindo.
O milharal alto os envolvia, criando um cenário dourado e vivo.
Ela corria leve, livre, como se tivesse voltado a ser quem era antes de tudo pesar.
Felipe vinha logo atrás, mais rápido do que ela imaginava.
— Você tá muito confiante!
— Eu sempre fui!
Ele finalmente alcançou ela por trás e segurou de leve sua mão.
Ela tentou escapar rindo, mas ele puxou com cuidado — sem força, só o suficiente pra fazê-la parar.
Os dois ficaram ali.
Respirando rápido.
Rindo.
Perto demais.
O som do vento era o único ao redor.
Felipe ainda segurava a mão dela.
E agora não soltou.
— Você sempre foge assim? — ele perguntou baixo.
Olívia tentou recuperar o fôlego.
— Depende do motivo.
Ele deu um passo mais perto.
— E qual é o motivo agora?
Ela olhou pra ele.
E dessa vez não respondeu com brincadeira.
Só ficou em silêncio.
Porque a verdade era simples demais pra ser dita em voz alta:
Ela não estava fugindo dele.
Estava fugindo do que ele fazia ela sentir.
E isso era muito mais perigoso.