Capítulo 8

545 Palavras
A casa da família de Felipe era ainda maior do que Olívia imaginava. Portões altos, jardim bem cuidado, arquitetura elegante. Tudo parecia calmo demais, organizado demais… distante demais da vida simples que ela conhecia. Ela desceu do carro devagar, ajeitando o vestido branco com uma mão só. Felipe caminhou ao lado dela, tranquilo, como se aquele ambiente fosse natural para ele. E talvez fosse. Assim que entraram, foram recebidos com entusiasmo. — Filho! — a mãe dele disse, abrindo um sorriso imediato. Ela veio até Felipe e depois olhou para Olívia com curiosidade e carinho. — E essa deve ser sua esposa… Olívia sorriu educadamente. — Sou eu… prazer. O pai dele também se aproximou, cumprimentando com firmeza, mas gentileza. — Seja bem-vinda. E assim, sem esforço, sem perguntas difíceis, ela foi acolhida. Como se realmente pertencesse ali. O jantar começou leve, com conversas, risos e perguntas simples. Mas Olívia começou a notar detalhes. A forma como a casa era estruturada. O jeito como os empregados circulavam discretamente. A postura da família. O modo como todos falavam com Felipe. Havia algo ali. Algo maior do que ela tinha imaginado. E então veio a ficha. Ele não era apenas um homem comum. Era rico. Muito mais do que ela esperava. Ela engoliu seco. Quando teve um momento de pausa, puxou Felipe discretamente para um canto do corredor. — Você não me disse que era rico — ela falou baixo, olhando para ele com os olhos arregalados. Ele arqueou uma sobrancelha, calmo. — Você não perguntou. Ela passou a mão pelo rosto, nervosa. — Eu pensei que você fosse… um homem simples. Felipe soltou um leve sorriso. — Isso interfere em alguma coisa? — Não… — ela respondeu rápido demais. Depois suspirou. — Só que agora eu me sinto completamente envergonhada, Felipe. Ele deu um passo mais perto. — Não precisa se envergonhar. E então, com calma, ele levou a mão até o rosto dela, tocando de leve. Olívia ficou imóvel por um segundo. Como se tivesse esquecido como respirar. E antes que ela pudesse pensar demais, ele se inclinou. E a beijou. Um beijo leve. Calmo. Carinhoso. Mas real o suficiente para fazer o mundo dela parar por um instante. Olívia demorou meio segundo… e então retribuiu. Naturalmente. Como se aquilo não fosse encenação. Como se fosse… instinto. Quando se afastaram, o som da casa voltou aos poucos. E foi aí que a voz da mãe dele surgiu ao fundo: — Vocês são tão lindos juntos… Olívia sorriu, tímida, ainda sentindo o coração acelerado. Felipe também sorriu, tranquilo demais. Quando a mãe dele se afastou, ela virou rapidamente para ele. — Felipe… o que foi isso? Ele fingiu calma. — A minha mãe estava olhando. Ela estreitou os olhos. — E por isso você me beijou? Ele sustentou o olhar dela por um segundo a mais do que deveria. E então respondeu, simples: — Sim. Mas a verdade era outra. E ele sabia disso melhor do que ninguém. Porque aquele beijo não tinha sido sobre a família dele. Nem sobre o contrato. Era algo que ele já queria fazer desde o dia em que a viu pela primeira vez, entre panelas, correria e caos… no restaurante dela. E agora, ele tinha apenas usado a desculpa perfeita.
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