Quando Olívia chegou ao restaurante naquela manhã, já sabia que o dia seria cheio.
Mas não esperava que ele chegasse junto com ela.
Felipe entrou logo atrás, tranquilo, como sempre.
E foi exatamente aí que o problema começou.
As funcionárias da cozinha e do salão começaram a aparecer aos poucos, e quando viram os dois juntos, pararam por um instante.
Olhares curiosos.
Sussurros rápidos.
Olívia percebeu na hora.
Felipe também.
Ela respirou fundo, ajeitou a postura e bateu levemente as mãos para chamar atenção.
— Bom… gente.
O ambiente silenciou.
— Vocês já viram ele aqui algumas vezes, mas eu nunca fui muito de falar da minha vida pessoal, certo?
— Sim, sim, Olly — responderam alguns dos funcionários, curiosos.
Ela assentiu.
— Esse é o Felipe… ele é meu marido.
Silêncio.
Por alguns segundos, ninguém reagiu.
Até que a primeira reação veio:
— Espera… então todo esse tempo ele vinha aqui era um teste?
Outro completou:
— Um teste pra ver se a gente tava atendendo bem?
Felipe soltou uma leve risada, quebrando o clima.
— Meio que isso… — disse ele com naturalidade. — Mas podem ficar tranquilos. Todos vocês são ótimos funcionários.
Olívia cruzou os braços, tentando manter a seriedade.
— E são mesmo. Eu confio em vocês.
O ambiente aos poucos voltou ao normal.
Mas os olhares ainda existiam.
Curiosidade demais para ser ignorada.
Olívia respirou fundo.
— Bom… como eu falei pra vocês, eu vou fazer uma viagem no fim do ano. Só não expliquei o motivo antes.
Ela olhou ao redor.
— Eu vou viajar com o meu esposo para a fazenda da minha família. E vou ficar um mês lá.
Alguns funcionários trocaram olhares.
— O restaurante vai continuar funcionando normalmente. Eu não vou estar aqui, mas vou acompanhar tudo de lá. Videochamadas, organização, vocês já sabem como funciona.
Ela apontou levemente para a equipe.
— Vocês vão ser meus olhos e minhas mãos aqui.
— Pode deixar, Olly — respondeu um dos mais antigos.
— Ótimo. Então ao trabalho, gente.
A equipe voltou ao ritmo.
Felipe se aproximou dela de lado, com um leve sorriso.
— Eu adorei isso aqui.
Ela olhou de canto.
— Isso o quê?
Ele imitou a voz dela discretamente.
— “Meu marido… meu esposo…”
Olívia arregalou os olhos.
— Felipe!
Ele riu.
— Você falou com tanta convicção…
Ela riu junto, balançando a cabeça.
— Você não presta.
— E você aguenta isso há quanto tempo mesmo? — ele provocou.
— Eu não aguento você por muito tempo não, sabia? — ela respondeu rindo.
— Isso é preocupante — ele disse, fingindo choque.
Ela apontou pra ele.
— Mas eu vou te aguentar lá na fazenda, viu?
— Ah, vai?
— Vou. Porque lá você vai ser meu boiadeiro oficial.
Felipe soltou uma risada.
— Boiadeiro?
— Sim. Imagina você chegando lá: com chapéu, bota… Dois metros de altura, todo musculoso…
Ele colocou a mão no peito.
— Isso tudo eu já sou?
Ela riu alto.
— Não exagera!
— Vou virar cowboy então.
— Vai mesmo.
— E se alguém olhar pra mim lá?
Olívia cruzou os braços, brincando, mas com um fundo de seriedade.
— Se alguma pessoa tentar alguma gracinha… você vai descobrir como eu sou de verdade.
Felipe riu baixo.
— Você é perigosa.
— Você ainda não viu nada.
Ele balançou a cabeça, divertido.
— Agora eu tô nervoso.
— Melhor ficar mesmo.
Os dois riram juntos.
E por alguns segundos, o restaurante inteiro, a mentira, o contrato… tudo pareceu leve demais para ser real.