Capítulo 11

595 Palavras
Quando Olívia chegou ao restaurante naquela manhã, já sabia que o dia seria cheio. Mas não esperava que ele chegasse junto com ela. Felipe entrou logo atrás, tranquilo, como sempre. E foi exatamente aí que o problema começou. As funcionárias da cozinha e do salão começaram a aparecer aos poucos, e quando viram os dois juntos, pararam por um instante. Olhares curiosos. Sussurros rápidos. Olívia percebeu na hora. Felipe também. Ela respirou fundo, ajeitou a postura e bateu levemente as mãos para chamar atenção. — Bom… gente. O ambiente silenciou. — Vocês já viram ele aqui algumas vezes, mas eu nunca fui muito de falar da minha vida pessoal, certo? — Sim, sim, Olly — responderam alguns dos funcionários, curiosos. Ela assentiu. — Esse é o Felipe… ele é meu marido. Silêncio. Por alguns segundos, ninguém reagiu. Até que a primeira reação veio: — Espera… então todo esse tempo ele vinha aqui era um teste? Outro completou: — Um teste pra ver se a gente tava atendendo bem? Felipe soltou uma leve risada, quebrando o clima. — Meio que isso… — disse ele com naturalidade. — Mas podem ficar tranquilos. Todos vocês são ótimos funcionários. Olívia cruzou os braços, tentando manter a seriedade. — E são mesmo. Eu confio em vocês. O ambiente aos poucos voltou ao normal. Mas os olhares ainda existiam. Curiosidade demais para ser ignorada. Olívia respirou fundo. — Bom… como eu falei pra vocês, eu vou fazer uma viagem no fim do ano. Só não expliquei o motivo antes. Ela olhou ao redor. — Eu vou viajar com o meu esposo para a fazenda da minha família. E vou ficar um mês lá. Alguns funcionários trocaram olhares. — O restaurante vai continuar funcionando normalmente. Eu não vou estar aqui, mas vou acompanhar tudo de lá. Videochamadas, organização, vocês já sabem como funciona. Ela apontou levemente para a equipe. — Vocês vão ser meus olhos e minhas mãos aqui. — Pode deixar, Olly — respondeu um dos mais antigos. — Ótimo. Então ao trabalho, gente. A equipe voltou ao ritmo. Felipe se aproximou dela de lado, com um leve sorriso. — Eu adorei isso aqui. Ela olhou de canto. — Isso o quê? Ele imitou a voz dela discretamente. — “Meu marido… meu esposo…” Olívia arregalou os olhos. — Felipe! Ele riu. — Você falou com tanta convicção… Ela riu junto, balançando a cabeça. — Você não presta. — E você aguenta isso há quanto tempo mesmo? — ele provocou. — Eu não aguento você por muito tempo não, sabia? — ela respondeu rindo. — Isso é preocupante — ele disse, fingindo choque. Ela apontou pra ele. — Mas eu vou te aguentar lá na fazenda, viu? — Ah, vai? — Vou. Porque lá você vai ser meu boiadeiro oficial. Felipe soltou uma risada. — Boiadeiro? — Sim. Imagina você chegando lá: com chapéu, bota… Dois metros de altura, todo musculoso… Ele colocou a mão no peito. — Isso tudo eu já sou? Ela riu alto. — Não exagera! — Vou virar cowboy então. — Vai mesmo. — E se alguém olhar pra mim lá? Olívia cruzou os braços, brincando, mas com um fundo de seriedade. — Se alguma pessoa tentar alguma gracinha… você vai descobrir como eu sou de verdade. Felipe riu baixo. — Você é perigosa. — Você ainda não viu nada. Ele balançou a cabeça, divertido. — Agora eu tô nervoso. — Melhor ficar mesmo. Os dois riram juntos. E por alguns segundos, o restaurante inteiro, a mentira, o contrato… tudo pareceu leve demais para ser real.
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