— É tão estranho, sabe? — minha voz saiu pequena, um fiapo de som que parecia ter medo de se perder no vazio imenso e gelado daquele quarto de hospital. — Eu nunca me senti assim... tão pequena. Tão dependente de cada ruído, de cada sombra que eu imagino. É como se eu tivesse voltado a ser uma criança no escuro, mas sem a esperança de que alguém vá acender a luz. Estendi a mão trêmula no ar, tateando o nada, sentindo o vácuo me abraçar até que, finalmente, senti o calor do braço dele. Caleb não recuou. Pelo contrário, ele se inclinou na minha direção, o cheiro de café e de vida me cercando, guiando meus dedos com uma delicadeza que me fazia querer gritar. Toquei sua pele, sentindo a textura daquela barba por fazer que ele sempre esquecia de aparar quando estávamos imersos em algum projeto

