Marcio narrando O quarto do hotel fedia a cigarro velho e mofo. As paredes descascadas, o lençol encardido, o barulho da estrada logo ali do lado. Era um lugar de merda, mas era o único onde eu podia me esconder por enquanto. Depois de levar aquele esculacho do Breno no morro, eu não tinha escolha. Não podia voltar pra qualquer canto sem antes bolar um plano. O dinheiro que eu tinha não ia durar muito, e, se eu não agisse rápido, eu ia acabar no fundo de um buraco cavado pelos milicianos que tavam na minha cola. Passei a mão no rosto, sentindo o suor misturado com raiva. O espelho quebrado da parede refletia um homem acabado, com olheiras fundas e uma expressão de quem já viu o inferno de perto. E eu vi. Vivi nele por anos. Mas, diferente de antes, agora eu não tava no controle da situ

