na miséria

1318 Palavras

Ponto de Vista de Rita Martins O mundo que eu conhecia desabou às nossas costas como uma parede velha que, por força do tempo, resolve ceder. Ainda sinto o calor da raiva no peito quando lembro da primeira intimação: ordem de despejo, mandado cumprido, terras sendo registradas em nome daquela família Alencar. O nosso patrimônio, as palavras do meu irmão, tudo virou pó. O que restou foi um silêncio torturante, e o gosto amargo de deveríamos ter feito diferente, e de que alguém — aquela “bruxa velha” — ousou mexer nos nossos pilares. Dona Helena. Nada me tira da cabeça o olhar daquela mulher quando o oficial de justiça deixou a notificação em cima da mesa. Ela tinha a calma de quem comeu o mundo e o regurgitou. Senti ódio. Senti vergonha. Senti aquela faísca primitiva de mulher que não ace

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