A delegacia parecia mais cheia do que de costume. Policiais andando de um lado para o outro, telefones tocando sem parar, impressoras cuspindo relatórios, portas batendo — tudo misturado ao som abafado das sirenes que passavam pela rua. Mas por mais barulho que houvesse, o clima era de silêncio. O silêncio do fracasso. O silêncio da impotência. O silêncio de quem sabe que cada minuto pode significar a vida ou a morte de uma criança. Henrique estava encostado na parede, com os braços cruzados, a mandíbula travada de tanta tensão. Ele parecia uma estátua prestes a se quebrar. Os olhos vermelhos denunciavam noites sem dormir, dias sem comer. E Bela… Bela permanecia sentada em uma cadeira num canto da sala, as mãos entrelaçadas com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. O rost

