Bela. A chuva começou a cair logo ao amanhecer, fina, constante, lavando as ruas da cidade como se tentasse apagar as dores deixadas na noite anterior. Na casa da avó, o silêncio era denso. Bela passou a noite em claro, sentada na poltrona que tanto lembrava sua infância, o cobertor sobre os ombros e os olhos perdidos no nada. A conversa dos 2 foram triste e definitiva, Bela não queria mais sofrer. Henrique dormiu no sofá, exausto. Apesar do amor que ainda pulsava forte, os dois estavam cercados por uma muralha de mágoas. A confiança, uma vez abalada, parecia mais difícil de reconstruir do que qualquer casa em ruínas. Quando Bela se levantou naquela manhã, já havia tomado sua decisão. Foi até a cozinha, fez café e serviu uma xícara para Henrique. Ele ainda estava sonolento, os olhos c

