Bela O céu amanheceu encoberto, como se refletisse o estado do coração de Bela. O som dos galos cantando, que normalmente a fazia sorrir, naquela manhã só aumentava o silêncio incômodo que a acompanhava desde a conversa com Henrique. Ela havia tentado entender, tentado perdoar... mas a dor de ser pega de surpresa, mais uma vez, machucava. Henrique, por outro lado, estava decidido. Ele não perderia Bela. Já tinha perdido muita coisa na vida por orgulho ou descuido. Desta vez, faria tudo certo. Logo cedo, foi até a casa da tia Cidinha e bateu à porta com firmeza. Quem atendeu foi Elisa, que, ao vê-lo, apenas indicou com um gesto de cabeça onde Bela estava: sentada na varanda, abraçada às próprias pernas, com olhar distante. — Posso falar com você? — ele perguntou, a voz mais suave do

