A preocupação de Henrique

1464 Palavras

Ponto de Vista de Henrique Eu nunca fui de muito discurso. A terra fala mais alto que a língua: ela exige trabalho, presença, que a gente levante cedo e esqueça as desculpas. Mas, desde que essa história de herança começou, minha boca virou uma panela de pressão — sei quando estoura, sei quando engasga. Hoje eu acordei com o gosto amargo de preocupação na garganta. Minha mãe mexendo nessa véspera me deixou em transe. Ela veio com fome de justiça, com vontade de esmagar os Martins, e eu entendo: mãe é mãe, e dona Helena tem a coragem e a arrogância de quem não tem medo de fogo. Só que ela não sabe metade da história. E talvez isso seja o pior. Sentei na beira da cama e olhei pro garoto que dormia, o Ben, com a mãozinha apertada num fio do cobertor. Nas suas costas minúsculas havia um mapa

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